A escritora Lídia Jorge foi distinguida, na última semana, com o Prémio Pessoa 2025, reforçando o estatuto de figura maior da literatura portuguesa contemporânea. O anúncio foi feito no Palácio de Seteais, em Sintra, pelo presidente do júri, Francisco Pedro Balsemão, que sublinhou o papel decisivo da autora na interpretação crítica da sociedade portuguesa e […]
A escritora Lídia Jorge foi distinguida, na última semana, com o Prémio Pessoa 2025, reforçando o estatuto de figura maior da literatura portuguesa contemporânea. O anúncio foi feito no Palácio de Seteais, em Sintra, pelo presidente do júri, Francisco Pedro Balsemão, que sublinhou o papel decisivo da autora na interpretação crítica da sociedade portuguesa e na renovação da ficção nacional.
Com 79 anos, natural de Boliqueime, Lídia Jorge torna-se na sétima mulher a receber o prémio, atribuído anualmente a personalidades de destaque na vida artística, científica ou literária do país. A distinção foi acompanhada de um reconhecimento adicional que marcou a mesma semana: a atribuição do Doutoramento Honoris Causa em Literatura pela Universidade dos Açores, consolidando o impacto académico e cultural da sua obra.
O júri destacou a «escrita criativa e diversificada» da autora, bem como a sua capacidade para «nomear e interpretar os grandes desafios da contemporaneidade», num percurso que atravessa mais de quatro décadas. Desde O Dia dos Prodígios (1980), obra fundadora da literatura pós-Revolução, Lídia Jorge tem construído uma narrativa profunda sobre memória, democracia, desigualdades e identidade, um trabalho que tem igualmente alimentado o debate público.
Um discurso marcado pela firmeza cívica
A autora tem mantido, ao longo de 2025, um registo público firme e marcante. Em declarações após receber o prémio, afirmou que a distinção é também «para as mulheres que não se calam», projetando o tom de vários discursos recentes em que sublinha a importância de uma cidadania ativa e da defesa do pluralismo democrático.
A sua intervenção mais comentada deste ano ocorreu no Dia de Portugal, onde defendeu a necessidade de revisitar criticamente a história, valorizar a diversidade e reforçar a responsabilidade cívica. Ideias que ajudam a enquadrar o reconhecimento agora recebido.
Uma obra que ultrapassa fronteiras
Com obras adaptadas ao teatro, televisão e cinema, Lídia Jorge tem sido distinguida com os principais prémios literários nacionais e internacionais. Entre eles, destaca-se o Prémio Médicis Estrangeiro em 2023, atribuído pela primeira vez a um autor de língua portuguesa, pelo romance Misericórdia, que seria mais tarde multipremiado.
Amplamente traduzida e publicada no estrangeiro, a autora soma ainda distinções como o Prémio ALBATROS da Fundação Günter Grass e o Prémio FIL de Literaturas em Línguas Românicas.
A atribuição do Prémio Pessoa 2025 surge, assim, como confirmação do lugar central de Lídia Jorge na cultura portuguesa. Uma autora cuja obra continua a interpretar, desafiar e iluminar o país.
Fotografia: Sophie Bassouls


