O fim dos Estados Unidos da América é o título do novo livro de Gonçalo M. Tavares. Mas não é desse livro que aqui se fala, apesar do empréstimo. O tema é o fim dos EUA tal como os conhecemos, tema tratado noutro livro: O plano, de David Graham (Dom Quixote). Os EUA foram a superpotência garante de uma ordem internacional liberal tão bem-sucedida que chegou a ser proclamado o fim da História. Foram os EUA, sob o chapéu da NATO, quem serviu de escudo de segurança do Ocidente.
Esse mundo parece ter chegado ao fim. A admiração que merecem países como a Costa Rica, que em 1948 aboliu as suas forças armadas, assemelha-se hoje a um sonho acabado. Mas, pior, podemos estar a chegar ao fim dos EUA como democracia plena. Talvez o país esteja a caminhar, a passos rápidos, para a autocracia. O tema que vários romancistas trataram aproxima-se da realidade.
Acreditámos, ou quisemos acreditar, que o sistema institucional dos EUA, os famosos checks and balances, aguentaria o embate de um presidente bully. Neste momento, é impossível ter a certeza. Trump não respeita as instituições. Desgasta-as. Coloca apaniguados em lugares chave. Usa os poderes presidenciais para fazer o que quer. Ameaça aliados. Rapta presidentes – que, por mais desprezíveis que sejam, não deixam de o ser. Passeia-se com “homens fortes”. Ninguém o para. O que suscita as questões: onde param os contrapesos? Para onde vão os EUA? Esperemos que isto mais não seja que um sonho mau.

