Recentemente João Miguel Tavares escreveu numa das suas crónicas: «Quando se trata de reivindicar direitos de trabalho, o patrão nunca é o tipo que se esfalfa a trabalhar ao lado dos empregados para poder pagar salários – é um ganancioso de charuto na mão esquerda e chicote na mão direita. Nós vivemos no século XXI […]
Recentemente João Miguel Tavares escreveu numa das suas crónicas: «Quando se trata de reivindicar direitos de trabalho, o patrão nunca é o tipo que se esfalfa a trabalhar ao lado dos empregados para poder pagar salários – é um ganancioso de charuto na mão esquerda e chicote na mão direita. Nós vivemos no século XXI com um discurso sindical do século XIX.»
Venho retomar esta citação porque ela descreve bem, creio, um dos problemas do nosso país: viver neste século com uma mentalidade do passado. Por isso precisamos de melhores patrões e melhores gestores para, pelo trabalho, nos assentarmos no século XXI. Pelo lado do Estado, receio que estejamos no passado para ficar. Precisamos por isso de gestores-patrões capazes de elevarem o nosso capital humano e de nos livrarem de uma vez por todas da grilheta dos salários baixos.
Também precisamos de trabalhadores mais exigentes com as suas organizações, sendo que exigir não é apenas reivindicar ao “homem do charuto”, mas contribuir para a inovação de que necessitamos. E, já agora, até podemos esperar que alguns dos melhores trabalhadores se tornem bons patrões. Porque sem patrões que ambicionem ser bem-sucedidos e capazes de criar riqueza não haverá nenhuma riqueza para distribuir. Sem bolo não há fatias. Nem no século XIX nem agora.
