O mau estado do Estado

Há dias, depois de como diriam os Xutos, longa se ter tornado a espera, lá consegui ir fazer a renovação do passaporte. Aquilo que há umas décadas se fazia presencialmente na hora, agora faz-se com marcação para daqui a meses. Mas lá se fez. Passada a parte administrativa, vamos ao pagamento: qual a modalidade que deseja: a normal? Dez dias úteis (creio)? Pode ser; chega a tempo da viagem marcada. “Mas olhe que há atrasos nas entregas. Pode chegar atrasado.”

Não posso acreditar em tal interpretação, mas se se tratasse do serviço de uma empresa privada o que diríamos? Que estávamos a ser esburnidos. Pelo Estado, neste caso. Lá teve de seguir a opção pela entrega mais rápida, com um preço correspondente. Há uns anos os correios também funcionavam bem, até chegar o correio azul que atrasou o normal.

Este episódio sucedeu-se ao da renovação do cartão de cidadão, outra saga feita de maus ingredientes: esperas longas, desorganização, senhas entregues à sorte a quem não tem marcação, tratamento rude por parte do agente policial de serviço. Um conjunto de práticas, em suma, indignas de um Estado moderno. O nosso Estado é aliás um bom exemplo de como a ênfase no digital, no final do dia, nada mudou. Mas nada mudou para melhor, porque para pior tem sido, como se diz na linguagem agile, um sprint.


Por Miguel Pina e Cunha, diretor da revista Líder

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