O mundo que conhecemos está em mudança num ritmo nunca visto, motivada pela ascensão da Inteligência Artificial e a globalização da visão das pessoas como algorítimos, que contribui para o questionamento da importância que os humanos têm na atual sociedade. A Humanidade revela-se no simples fluxo de dados, e somos assombrados por ideias, informações, que […]
O mundo que conhecemos está em mudança num ritmo nunca visto, motivada pela ascensão da Inteligência Artificial e a globalização da visão das pessoas como algorítimos, que contribui para o questionamento da importância que os humanos têm na atual sociedade.
A Humanidade revela-se no simples fluxo de dados, e somos assombrados por ideias, informações, que já não sabemos o que merece a nossa atenção, e muitas vezes gastamos tempo a investigar e a debater assuntos secundários, que aumentam a importância de uma consolidação de dados de forma sistemática, neste caso a robotização. É neste contexto, que a humanização no trabalho, surge como um debate cada vez mais atual.
Para quem já ouviu falar de nomes como Elton Mayo ou Idalberto Chiavenato, certamente sabe que as tentativas de humanizar o trabalho não se iniciaram no século XXI. No entanto, à medida que o tempo passa percebe-se que este processo não terá fim e a humanização no trabalho sempre será um tópico que as empresas devem estar prontas para abordarem em diferentes momentos e de diferentes formas, pois, assim como diz um antigo provérbio, “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Os líderes estão cada vez mais preocupados em garantir que a famosa frase “os trabalhadores são o ativo mais importante das organizações” seja uma realidade nas empresas. Garantir que o trabalhador esteja no centro do negócio, não obstante a relevância dos algorítimos, tem sido a prioridade de várias organizações e por esse motivo considera-se pertinente abordar o tema Employer Humanization, livre de preconceitos e com uma visão futurística. Alguns algorítimos não conscientes, mas de inteligência superior, conhecem melhor as pessoas, e as organizações, melhor que elas próprias, e são por isso capazes de desenvolver processos e estratégias mais relevantes para perspetivar o crescimento das empresas.
Employer Humanization não é nada mais do que tornar a empresa e o empregador mais humanos, e as pessoas, como centro de qualquer iniciativa. Tem-se verificado que isto envolve mais do que desenvolver programas debem-estar nas empresas, criar atividades de team building frequentemente ou dar um bónus ao trabalhador do mês. Tudo isto é importante e desempenha o seu papel, mas não se pode falar de Employer Humanization sem olhar para os processos organizacionais e para o papel da liderança.
A COVID-19 ensinou-nos, e muito bem, a importância das pessoas, de ser humano, e de ter processos flexíveis e adaptáveis à realidade e necessidades dos trabalhadores. Os processos, as políticas, os procedimentos e até a estrutura das organizações devem ser feitos a pensar nas pessoas não só como parceiros que contribuem para o alcance dos objetivos organizacionais, mas também como seres humanos com necessidades e paixões.
Isto só acontece quando a empresa aceita a individualidade e o potencial de cada trabalhador e entende essa diversidade como um elemento estratégico e até competitivo. É evidente que isto é um desafio para a liderança das organizações, motivo pelo qual os líderes são convidados não só a olhar para as necessidades da sua equipa, mas também a repensar na sua forma de planear, gerir, comunicar e monitorar.
É indispensável que a liderança tenha um papel (pró)ativo na humanização das empresas, de modo a garantir que exista um senso de propósito comum que guia a empresa e os trabalhadores ao alcance dos seus objetivos. No passado, um dos ativos mais importantes para as empresas, era a sua capacidade de obter dados e pessoas com um QI altíssimo para processar e desenhar hipóteses. Hoje, as organizações deparam-se com uma avalanche de dados, que o mais importante equivale a saber o que devem ignorar, e como aplicar essa informação para a sustentabilidade organizacional.
O caminho a seguir para as empresas, é investir no seu DNA humano, tornarem-se mais humanas e estarem abertas às mudanças como forma de encarar o Dataísmo como uma ferramenta para elevar a importância das Pessoas e do seu Toque Humano.
Este artigo foi publicado na Aprender Magazine 2023 disponível na plataforma Wisloc.


