Na imprensa, Teresa Anjinho, provedora da justiça da UE, defende que a burocracia foi criada para garantir processos claros. Ao mesmo tempo o primeiro-ministro declara guerra à burocracia. Então, a burocracia é boa ou má? Uma coisa é certa: a burocracia tem mau nome. É necessária, mas pode ser problemática quando neutraliza a agência. Essa […]
Na imprensa, Teresa Anjinho, provedora da justiça da UE, defende que a burocracia foi criada para garantir processos claros. Ao mesmo tempo o primeiro-ministro declara guerra à burocracia. Então, a burocracia é boa ou má?
Uma coisa é certa: a burocracia tem mau nome. É necessária, mas pode ser problemática quando neutraliza a agência. Essa é a variedade coerciva. Outra espécie burocrática, capacitadora, cria regras para ajudar as pessoas a fazerem melhor o seu trabalho. Trata as regras como linhas orientadoras mas funciona com responsabilização e agência.
O governo anuncia agora uma nova reforma do Estado. A dita é necessária mas, tendo já antes estado envolvido num esforço semelhante, sugiro que mantenhamos as expectativas a um nível realista. Por várias razões. Primeiro, porque falar de reformas não é o mesmo que as fazer – até porque alguns que falam não as desejam. O exemplo do DOGE de Elon Musk é apenas mais uma evidência. Segundo, porque os governos tendem a ver a reforma como um processo que envolve leis orgânicas e legalismos. No entanto, na prática, faltam melhor gestão e maior autonomia – e não apenas melhores leis orgânicas. Terceiro, porque reformar implica (1) melhorar a eficiência das organizações existentes e (2) repensar aquilo que o Estado quer fazer e o que deve deixar às empresas e às organizações sociais. Para inspiração, pode ser interessante ler o livro de Carlos Carapeto, Liderança Transformadora no Setor Público. A gestão no Estado não tem de ser como tem sido. E sim, a gestão não é só para empresas e empresários, ao contrário do preconceito que ainda por aí existe.

PS O novo líder do PS avança cinco áreas para acordos de regime. Só assim se conseguirá reformar Portugal e contrariar populismos. Porque, no essencial, estamos de acordo sobre o que desejamos para o nosso país. Entendamo-nos.

