Nestas últimas semanas tenho-me cruzado repetidamente com a ideia do Sul. Conheço pessoas atraídas pelo Norte (como ideia, não nenhum norte específico) mas eu gosto do Sul de Gauguin, de Montalbán, de Miguel Sousa Tavares, de Janita Salomé (A Cantar ao Sol, de 1995). Porque gosto daquilo que associamos ao sul: calor, diferença, exuberância, cor. […]
Nestas últimas semanas tenho-me cruzado repetidamente com a ideia do Sul. Conheço pessoas atraídas pelo Norte (como ideia, não nenhum norte específico) mas eu gosto do Sul de Gauguin, de Montalbán, de Miguel Sousa Tavares, de Janita Salomé (A Cantar ao Sol, de 1995). Porque gosto daquilo que associamos ao sul: calor, diferença, exuberância, cor.
Ora, repito, por estes dias tenho andado a cruzar-me com o sul. Por vários bons motivos. Acima de todos, uma viagem a São Tomé e Príncipe, que não conhecia e que amei como todos os que já conheciam. Mas também um novo livro de João Pedro Marques, A Culpa do Homem Branco (Guerra e Paz), uma voz corajosa num mundo infetado por polarizadores. E o novo álbum de Club Makumba, Sulitânia Beat, grande reencarnação de Dead Combo mais a sul, justamente.
É fácil, e creio que errado, romantizar o Sul como coutada de exploradores de vários tipos. Prefiro explorar a nuance, o terreno onde as coisas se complicam e as verdades simples são desmentidas pela complexidade da vida. A foto que aqui partilho vale mais, creio, que muitas palavras. Foi tirada o mês passado em São Tomé, na sede do Sporting Club de São Tomé. Mostra que é possível – ou era – ser nacionalista e sportinguista (ou benfiquista, aclubista ou portista, que lá vi muitos). A coisas são interessantes quando não são lineares.

Foto: Regina Marcelino

