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Leading People

“Qualquer empresa sem alma não vai a lado nenhum”, Carlos Barbot, CEO do Grupo Barbot

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26 Novembro, 2021 | 6 minutos de leitura

Em plena Pandemia, a Barbot comemorou o seu 100º aniversário, numa história que começou com uma pequena fábrica em Santo Ildefonso no Porto até se tornar num Grupo internacional. Hoje está presente em Espanha, Angola, Cabo Verde e Moçambique, e vende para mais de 25 países na Europa, África e América. A Barbot foi fundada […]

Em plena Pandemia, a Barbot comemorou o seu 100º aniversário, numa história que começou com uma pequena fábrica em Santo Ildefonso no Porto até se tornar num Grupo internacional. Hoje está presente em Espanha, Angola, Cabo Verde e Moçambique, e vende para mais de 25 países na Europa, África e América. A Barbot foi fundada em 1920 pelo Avô de Carlos Barbot, atual CEO, que em entrevista à Líder fala do caminho de uma empresa familiar com um propósito e visão de futuro, cujas conquistas são resultado do trabalho, esforço e dedicação de todos os seus profissionais.

 

Aos comandos da Barbot desde 1981, que balanço faz destes 40 anos de liderança?

Ao longo dos últimos 40 anos tive a sorte e o privilégio de trabalhar com excelentes profissionais e uma grande equipa, que contribuíram para que a Barbot chegasse onde está e tornar-se numa empresa sólida e de renome. Não há segredos para a minha liderança, pois resulta de um esforço e trabalho de equipa.

 

A Barbot tem sempre mantido uma estrutura familiar, sendo que os 100 anos da marca coincidem com uma futura transição de liderança para a quarta geração. Que visão trará esta nova geração à Barbot?

A Barbot é uma empresa familiar de gestão profissional. Ao longo dos anos fomos contando com excelentes profissionais, onde se incluem também elementos da família, onde o objetivo de todos é o mesmo: fazer a Barbot crescer. Nunca foi preponderante para a empresa a gestão familiar e felizmente temos tido a sorte de que pudesse passar de geração em geração. Agora, chegou a vez da quarta geração assumir os destinos da Barbot, que será um processo faseado. Penso que as empresas têm sempre a beneficiar com a entrada de “sangue novo”, que acrescentam ao negócio novas ideias, aliadas à expertise de quem já está na Barbot há vários anos. Tenho a certeza que esta simbiose contribuirá para o crescimento contínuo e sustentado do Grupo Barbot.

Fala-se de um lado emocional, e de uma alma, nas empresas familiares. Concorda? 

Qualquer empresa sem alma não vai a lado nenhum. Todos temos que ter um propósito, seja numa empresa familiar ou não. Não é por acaso que temos “Novas emoções” como nossa assinatura.

 

Quais são, na sua opinião, os traços fundamentais de uma liderança para gerir uma empresa familiar de forma global e dinâmica?

Ser um líder significa ser reconhecido como tal e não por imposição. Como disse anteriormente, o crescimento e sucesso da Barbot deve-se a todos os profissionais que trabalharam e trabalham na empresa todos os dias com motivação, profissionalismo e dedicação.

 

Em 100 anos de história quais foram os marcos decisivos?

Há vários marcos incontornáveis na História da Barbot. Primeiro, sem dúvida, o ano em que foi formada, pois caso contrário não haveria empresa. Destaco ainda os anos em que a minha Mãe liderou a Barbot com um esforço e dedicação que contribuiu em muito para o que a empresa é hoje. Depois, a equipa que se conseguiu formar e que a desenvolveu até aos dias de hoje.

 

O que distingue a Barbot da concorrência?

Somos líderes em “value for money”, a melhor opção que há no mercado no que diz respeito ao preço/qualidade e foi sempre o nosso principal propósito. A nossa política empresarial está 100% centrada na satisfação do cliente. Atualmente, somos os pioneiros em produtos sustentáveis no nosso setor em Portugal e é o nosso grande foco nos próximos anos. Isto só é possível graças ao investimento que fizemos ao longo dos anos no departamento de Desenvolvimento & Inovação, com o objeto de apresentar ao mercado soluções únicas e pioneiras.

 

A Barbot Nature é a vossa aposta em produtos sustentáveis. Que outras medidas estão a tomar, dentro e fora da empresa, no caminho para atingir as metas de sustentabilidade?

Enquanto empresa é nossa responsabilidade contribuir para a proteção do planeta, seja através de medidas internas, seja através de lançamento de produtos mais sustentáveis. Além da Barbot Nature, uma tinta bio-sustentável, já tínhamos lançado anteriormente a Dioplaste ECO, a primeira tinta sem biocidas (sem conservantes) a ser introduzida em Portugal. Neste momento, estamos a realizar um grande projeto de sanitização das instalações, desde a chegada da matéria-prima até à embalagem dos produtos. Com isso, conseguiremos no futuro usar cada vez menos bactericidas, biocidas e conservantes para termos soluções ainda mais “amigas” do ambiente.

 

A Barbot nasceu num momento em que a economia mundial ainda estava, gradualmente, a recuperar da Primeira Guerra Mundial. Cem anos depois vive-se num contexto global de Pandemia. Quais os impactos desta crise global?

Não houve impactos negativos, acabamos por gerir bem a Pandemia, mantendo a empresa a trabalhar, mas acautelando a segurança e bem-estar de todos os nossos colaboradores. Em ano de Pandemia registamos um crescimento, porque o mercado da construção não parou. Neste momento estou preocupado com o facto de Portugal sair da cauda da Europa e isso depende das empresas privadas e do que o Estado fizer com o dinheiro comunitário. Sou a favor que os subsídios devem ser dados às empresas pelos resultados alcançados e que deve ser concedido um crédito fiscal para ajudar o crescimento do tecido empresarial português, para que este se possa afirmar na Europa e não só.

 

Atualmente o Grupo Barbot está presente não só em Portugal, como também em Espanha, Moçambique e Angola. Quais as perspetivas para a marca no mercado global e quais os planos de expansão do negócio?

Nesta fase, o nosso principal foco é solidificar a presença ibérica, aumentando a nossa quota de mercado, quer no que diz respeito a tintas, quer nos produtos em pó, através da Diera (empresa que o Grupo Barbot adquiriu em 2019). Neste momento, além das unidades fabris nos países referidos, exportamos ainda para outros países da Europa, como Bélgica ou França, para o Norte e Sul de África e Costa Ocidental africana, mas também para a América do Sul. Claro que queremos continuar a apostar neste e em novos mercados, onde possamos fazer a diferença com as nossas soluções.

 

Quais as perspetivas para o futuro da Barbot?

Quanto ao futuro, queremos continuar a crescer de forma constante e sustentável nas áreas nas quais atuamos.

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