As emissões de carbono dos combustíveis fósseis vão atingir níveis recordes este ano, de acordo com uma análise do Global Carbon Budget 2022, partilhada no The Guardian. Estes valores contrastam com a necessidade de cortar as emissões em metade até 2030 para limitar o aquecimento global a 1,5ºC, e evitar os impactos devastadores da crise […]
As emissões de carbono dos combustíveis fósseis vão atingir níveis recordes este ano, de acordo com uma análise do Global Carbon Budget 2022, partilhada no The Guardian. Estes valores contrastam com a necessidade de cortar as emissões em metade até 2030 para limitar o aquecimento global a 1,5ºC, e evitar os impactos devastadores da crise climática.
Até que as emissões comecem, de facto, a diminuir, grandes quantidades de dióxido de carbono continuam a ser emitidas para a atmosfera todos os anos.
O Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, deixou claro aos líderes presentes na COP27 que “Estamos na luta pelas nossas vidas, e estamos a perder. O nosso planeta está rapidamente a chegar a pontos de não retorno, que vão tornar o caos climático irreversível”. 
fotografia por: UNClimatechange
Não só não baixamos, como aumentamos as emissões
O estudo concluiu que o dióxido de carbono proveniente dos combustíveis fósseis vai aumentar 1%, o maior acréscimo até agora. A combustão de petróleo é o principal contribuidor para as emissões, devido à retoma dos voos internacionais após a pandemia.
Ao continuar com estes níveis de emissões, a meta de não ultrapassar o aquecimento global em 1,5ºC é improvável de ser atingida, concluem os investigadores. Para atingir as zero emissões até 2050, seria necessário que houvesse um decréscimo anual comparável com o ano de 2020, em que tudo parou devido à pandemia.
Quem são os responsáveis?
As emissões da China, o maior poluidor do mundo, vão descer 1% em 2022 devido às restrições de Covid-19 que ainda existem, e ao colapso da indústria da construção. A União Europeia vai também acompanhar a queda nas emissões devido à guerra na Ucrânia.
Em contraste, as emissões dos Estados Unidos da América vão aumentar em 1,5%, justificado maioritariamente pela quantidade de voos retomados. A Índia será o país que mais vai aumentar as emissões – 6%; o país emite agora mais do que toda a União Europeia.
“Este ano observamos mais um aumento em emissões de dióxido de carbono provenientes de combustíveis fosseis, quando o que é preciso é uma rápida quebra.”, afirma o professor Pierre Friedlingstein, que liderou o estudo na Universidade de Exeter. “As lideranças no COP27 vão ter de agir já, se queremos ter alguma hipótese de cumprir a meta de 1,5ºC”.
“Estamos ainda muito longe de onde queremos chegar”, diz o dr. Glen Peters, um membro do Centre for International Climate Research na Noruega. “Muitos países, cidades, organizações, e pessoas têm pedido uma redução de emissões. Apesar desta retórica, as emissões derivadas dos combustíveis fosseis aumentaram 5% relativamente a 2015, o ano do acordo de Paris.”



