Sempre fui irreverente, com a convicção de que podia fazer tudo a que me propunha. Quando era adolescente dizia frequentemente: “Eu vou mudar o Mundo!” Não sabia como, nem em quê, mas que estava convicta disso, garanto que estava! Sei agora que essa era uma parte do meu Propósito de Vida, a bússola que me […]
Sempre fui irreverente, com a convicção de que podia fazer tudo a que me propunha. Quando era adolescente dizia frequentemente: “Eu vou mudar o Mundo!” Não sabia como, nem em quê, mas que estava convicta disso, garanto que estava! Sei agora que essa era uma parte do meu Propósito de Vida, a bússola que me orienta na tomada de decisões e na liderança de mim própria.
Houve, no entanto, muitos momentos em que outras pessoas viram em mim o que eu não conseguia ver. Lembro-me de um episódio que se passou há muitos anos, quando ainda era Gestora de Categoria numa empresa de retalho líder em Portugal, em que o meu chefe me disse: “Paulinha, tenho um projeto novo para ti” (a acumular com o que já fazia!). Nesse momento, tive um desabafo num tom pouco habitual em mim face a um desafio: “A sério? Agora que arrumei a casa e posso ter uma vida mais calma?”. Nunca mais me esqueci da sua resposta: “Paulinha, no dia em que deixar de te dar novos desafios, tu vais à procura deles noutro lugar, e eu não quero isso!” O sr. Fernando (como eu o tratava) percebeu muito antes de mim os meus pontos fortes, o que me move e me ajuda a sentir feliz.
Conto esta história porque me acontecia a mim o que ainda observo na grande maioria das pessoas com quem me cruzo; desconhecem as suas forças, o que as move e faz feliz, não têm visão de para onde querem ir, e muito menos conhecem o seu Propósito de Vida, esse bem maior que se traduz no nosso “Para Quê?”, no legado que queremos deixar, na força que nos move para a vida. E isso significa que muitas das decisões que tomam são fruto das circunstâncias, do que os outros acham que é melhor para elas, do que vem de fora e não a sua própria decisão consciente em torno de um Propósito e de uma Visão.
“Sou eu que passo pela vida; não é a vida que passa por mim!”
Sim, acredito que todos podemos ser CEOs da empresa que é a nossa vida e liderá-la! Que tal como o CEO de uma empresa, podemos conhecer o nosso Propósito e definir a Visão, traçar o caminho para lá chegar, munirmo-nos dos recursos necessários e liderarmos a nossa vida.
Também tenho observado que quando o nível de autoconhecimento individual é elevado, a probabilidade de estar a trabalhar no sítio certo, sentir-se feliz e gerar mais valor na empresa e na equipa é muito elevada.
E, consequentemente, o ambiente da equipa é mais saudável e as pessoas ficam na empresa, pois está alinhada com o que querem para elas próprias. É uma situação win-win.
Acredito que cada pessoa tem a responsabilidade de se desenvolver e ser líder da sua vida, sem esperar que outros o façam por ela. E também tenho testemunhado que quando uma empresa investe nas suas pessoas, no seu autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, está a contribuir para a felicidade na organização e a construir o seu sucesso, de forma humanizada e sustentável.
Este artigo foi publicado na edição de outono da revista Líder. Subscreva a Líder aqui.

