Diz a sabedoria popular que a palavra é de prata e o silêncio é de ouro. Não será por acaso que se entende que falar no momento certo é importante, assim como saber conter-se noutras ocasiões pode sê-lo ainda mais. Talvez devido a ser um homem dos números e não das letras – e seguramente […]
Diz a sabedoria popular que a palavra é de prata e o silêncio é de ouro. Não será por acaso que se entende que falar no momento certo é importante, assim como saber conter-se noutras ocasiões pode sê-lo ainda mais.
Talvez devido a ser um homem dos números e não das letras – e seguramente também por via do meu espírito prático –, sempre tive o hábito de falar apenas o essencial e nas alturas certas.
No mundo dinâmico e intenso em que vivemos, atribuímos à comunicação verbal um papel central na forma de liderar. Em grande parte, é verdade, pois nos tempos que correm saber comunicar é essencial.
Mas também por vivermos num mundo repleto de ruído e pressa, o silêncio pode ser um elemento de uma liderança consciente e responsável. Não tenho dúvidas de que é um aliado útil e precioso em determinados contextos. O que é preciso é interpretar os momentos em que o silêncio é mais poderoso do que as palavras.
Entendo que a liderança se afirma e se exerce muito pelo exemplo. O meu percurso profissional e desportivo – não apenas como atleta, mas também como dirigente – foi construído através de muito trabalho, muita dedicação e… pouca conversa. Ou melhor, conversa quanto baste.
Para mim, os atos falam por si. No entanto, uma palavra no momento certo pode ter um peso determinante e em certas alturas é essencial dizer o que tem de ser dito. Em qualquer circunstância, porém, sempre em resultado de uma decisão bem refletida, pensada e ponderada.
Como em tudo na vida, o importante é ser equilibrado. Um líder que fala demais pode condicionar a criatividade de quem com ele trabalha, enquanto um que não fala de todo pode parecer desinteressado ou distante.
Sou um líder próximo, que define objetivos com clareza e que procura envolver as pessoas. Provavelmente com mais silêncios do que com palavras. Decididamente, sou pessoa mais de fazer acontecer do que de falar.
Este artigo foi publicado na edição nº 28 da revista Líder, sob o tema Silêncio. Subscreva a Revista Líder aqui.


