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O «equilíbrio entre confiança e exigência está onde a informalidade convive com o profissionalismo», garante Sérgio Tavares (Decathlon)

O «equilíbrio entre confiança e exigência está onde a informalidade convive com o profissionalismo», garante Sérgio Tavares (Decathlon)

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16 Janeiro, 2026 | 8 minutos de leitura

Em 2025, a Decathlon assinalou os seus 25 anos em Portugal, um percurso que surgiu de um propósito claro: democratizar o desporto e trazer uma cultura empresarial centrada nas pessoas. Sérgio Tavares, Diretor de Recursos Humanos da Decathlon Portugal, faz um balanço deste caminho e reflete sobre os desafios da gestão de talento no retalho desportivo.

Poucos serão os portugueses que não têm, hoje, algum produto da Decathlon. Este alcance não surge por acaso nem se deve unicamente a uma boa estratégia comercial. Está assente na visão de tornar o desporto verdadeiramente acessível e democrático para todos.

Fora dos campos e pistas, o sucesso também se mede dentro de portas. A organização garante investir na valorização e desenvolvimento dos seus colaboradores, promovendo formação contínua, oportunidades de progressão interna e mobilidade internacional. É Sérgio Tavares, Diretor de Recursos Humanos da Decathlon Portugal, que deslinda esta filosofia de gestão de talento, em entrevista à Líder. E garante: são as pessoas que dão vida ao projeto e que tornam a ambição possível.

 

O retalho é marcado por uma forte rotatividade. Quais são os vossos maiores desafios na retenção de talento?

O principal desafio passa por acompanhar as expectativas de um mercado de trabalho em rápida transformação, em particular junto das gerações mais jovens. Hoje, a retenção de talento exige muito mais do que um emprego estável: exige sentido, oportunidades reais de crescimento e um contexto onde as pessoas se sintam reconhecidas e valorizadas.

Na Decathlon, respondemos a este desafio através de oportunidades concretas de evolução e mobilidade interna, formação contínua e projetos com significado. Cerca de 40% das nossas lideranças iniciaram o seu percurso em funções mais operacionais em loja, o que demonstra que o desenvolvimento interno não é uma promessa, mas uma realidade vivida no dia a dia.

Sabemos também que a retenção passa por um pacote de remuneração competitivo e por benefícios relevantes, ajustados às diferentes fases da vida. Apostamos num conjunto de soluções que promovem o bem-estar físico, mental e social, integrados num ambiente flexível onde cada pessoa pode crescer e evoluir com equilíbrio.

 

Como é que uma empresa garante proximidade real entre líderes e colaboradores num negócio com equipas tão numerosas e dispersas?

A proximidade faz parte do nosso modelo de liderança. Num negócio com equipas numerosas e dispersas, escolhemos conscientemente ter poucas camadas hierárquicas, o que promove uma comunicação rápida e eficiente nos dois sentidos.

Para além desta proximidade do dia-a-dia e dos nossos líderes estarem presentes no terreno, temos um modelo de acompanhamento humano muito próprio, assente em momentos formais, estruturados e regulares de escuta e feedback, onde cada colaborador é acompanhado não só na sua performance, mas também no seu desenvolvimento e bem-estar.

Complementamos este modelo com um programa interno de liderança evolutivo, que tem como objetivo dotar os nossos líderes das ferramentas e competências necessárias para promover uma liderança moderna, inclusiva e adaptada à diversidade das nossas equipas.

 

A cultura da Decathlon é descrita como ‘centrada nas pessoas’. Como se traduz isso no dia a dia das equipas?

Na Decathlon, colocar as pessoas no centro significa, simultaneamente, a preocupação de pensar o impacto de cada decisão nas equipas e libertar o talento e o contributo único de cada pessoa através da autonomia e responsabilização.

No dia a dia, isso traduz-se em confiança e em espaço para decidir, arriscar e aprender, num contexto onde o erro é natural e faz parte do processo.

Este equilíbrio entre confiança e exigência vive num ambiente de trabalho positivo, onde a informalidade convive com o profissionalismo.

Incentivamos o feedback contínuo, a partilha de ideias e a proximidade entre todos, independentemente da função ou hierarquia. Há ainda um elemento muito identitário: somos todos apaixonados por desporto e essa paixão comum cria ligações autênticas e reforça um espírito de equipa orientado para a ação, para o bem-estar e para o impacto positivo nas pessoas.

 

Os jovens valorizam cada vez mais experiências globais. Como é que estão a responder a essa expectativa?

A Decathlon é uma empresa global, e isso reflete-se de forma muito concreta nas oportunidades que oferecemos às nossas equipas. Respondemos à crescente valorização de experiências internacionais promovendo a mobilidade entre países, a participação em projetos transversais e o trabalho em equipas multiculturais, que enriquecem tanto o percurso profissional como o pessoal.

No nosso modelo de acompanhamento, damos especial atenção ao desenvolvimento do projeto profissional de cada colaborador, ajudando-o a clarificar ambições e a identificar oportunidades alinhadas com o seu percurso. Todas as vagas são publicadas e comunicadas internamente, garantindo transparência e igualdade de acesso às oportunidades, seja em Portugal ou noutros países.

Fazer parte de um grupo com presença internacional e múltiplos projetos globais abre portas a quem quer explorar novas realidades, desenvolver competências num contexto global e viver experiências que contribuem para o seu crescimento, enquanto continua ligado à nossa cultura e valores.

 

Como está a Decathlon a adaptar-se à digitalização acelerada e que impacto traz no negócio e equipas?

Temo-nos vindo a adaptar à digitalização acelerada através de um investimento consistente em tecnologia e plataformas digitais, com o objetivo de melhorar a experiência do cliente, integrar de forma fluida os canais físicos e online e tornar os nossos processos cada vez mais simples e eficientes.

Para as equipas, esta transformação traduz-se no desenvolvimento de novas competências, no surgimento de novas funções e numa maior capacidade de inovação. Neste contexto, as novas ferramentas assumem um papel cada vez mais relevante e é muito importante a formação contínua e apoio próximo às equipas.

Acreditamos que a tecnologia deve ser um facilitador do dia-a-dia, libertando tempo e energia para aquilo que realmente importa no nosso negócio: as relações humanas, a proximidade com as equipas e a qualidade da experiência que oferecemos aos nossos clientes.

 

A Decathlon democratizou o acesso a material desportivo especializado. Como interpretam hoje essa missão e que papel deve a acessibilidade ao desporto desempenhar na sociedade?

Continuamos profundamente comprometidos com a missão de tornar o desporto acessível ao maior número de pessoas em Portugal. Hoje, esta missão vai muito além do preço: passa pela durabilidade e sustentabilidade dos produtos, por serviços como o aluguer, a subscrição ou a reparação, e por uma abordagem cada vez mais inclusiva.

No entanto, o nosso papel não se fica apenas no acesso ao equipamento. Acreditamos que a verdadeira democratização do desporto acontece quando criamos verdadeiras condições para que as pessoas possam praticar – independentemente da sua idade, contexto social ou condição física. É por isso que a promoção do acesso ao desporto é uma prioridade estratégica.

Através da Fundação Decathlon, reforçamos este compromisso, apoiando projetos sociais que utilizam o desporto como ferramenta de inclusão, educação e desenvolvimento pessoal, especialmente junto de comunidades mais vulneráveis.

Acreditamos que o desporto desempenha um papel essencial no bem-estar físico e mental, na educação e na coesão social. Enquanto empresa, assumimos a responsabilidade de contribuir ativamente para uma sociedade mais saudável, ativa e inclusiva, promovendo não só o acesso ao produto, mas o acesso ao desporto enquanto direito e oportunidade para todos.

Que balanço faz dos 25 anos da Decathlon em Portugal?

Os 25 anos da Decathlon em Portugal são motivo de enorme orgulho. Ao longo deste percurso, crescemos de forma consistente, sempre fiéis aos nossos valores, graças ao empenho das nossas equipas e à confiança dos nossos clientes. Consolidámos a nossa marca, inovando de forma contínua e contribuindo ativamente para o desenvolvimento da prática desportiva no país.

Nada disto teria sido possível sem as pessoas que fizeram e fazem parte da nossa história. São elas que dão vida ao projeto e que tornam a nossa ambição possível todos os dias. Este percurso dá-nos bases sólidas, confiança e esperança para continuarmos a evoluir, a inovar e a impactar positivamente a vida dos portugueses através do desporto.

 

Onde e como gostaria de ver a marca daqui a 25 anos?

Daqui a 25 anos, gostaríamos de ver a organização ainda mais próxima das pessoas, mais sustentável e mais inovadora. Ser uma marca que continua a liderar pela utilidade, pelo impacto positivo que tem na sua comunidade e pela capacidade de inspirar a prática desportiva em todas as fases da vida.

Independentemente das mudanças no mercado ou na tecnologia, queremos manter intacto o nosso sentido: fazer do desporto uma fonte de felicidade, saúde física e mental e de união entre todos. Queremos continuar a provar que o desporto pode ser acessível, contribuindo para uma sociedade mais feliz.

Leonor Wicke,
Jornalista e Coordenadora Editorial

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