Com a inflação a abrandar, mas os orçamentos familiares ainda sob pressão, a divisão do rendimento entre despesas essenciais, lazer e poupança pode ser uma estratégia essencial. Planear as férias, rever os contratos domésticos e criar uma reserva financeira estão entre os principais cuidados.
A época de férias traz despesas adicionais aos agregados familiares, ainda que o verão de 2026 esteja a trazer mudanças económicas favoráveis. De facto, a inflação abrandou para 3,2% em junho, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística. A DECO PROteste registou também a maior descida semanal do ano no preço do cabaz alimentar, embora os valores continuem superiores aos do período homólogo.
Os sinais de estabilização não eliminam, contudo, a necessidade de controlar as despesas. Para ajudar as famílias a organizarem o rendimento mensal, o Cetelem reuniu um conjunto de recomendações assentes na regra 50/30/20.
A fórmula propõe a distribuição do rendimento líquido mensal da seguinte forma:
- 50% para necessidades e despesas essenciais;
- 30% para lazer e outros desejos;
- 20% para poupança.
Mais do que impor limites rígidos, a regra pretende ajudar a planear despesas, antecipar necessidades e criar uma margem para imprevistos.
50% para necessidades: rever energia e contratos
A primeira metade do rendimento deve ser reservada às despesas indispensáveis, como habitação, alimentação, energia, água e transportes.
Na energia, é recomendado que as famílias comecem por soluções simples, como a utilização de lâmpadas LED ou o reforço do isolamento das janelas, antes de recorrerem mais frequentemente ao ar condicionado.
Cerca de 77% dos portugueses já alteraram os seus hábitos de consumo e 69% dos que investiram na eficiência energética da habitação confirmam ter conseguido poupar na fatura.
Outra recomendação passa por rever regularmente os contratos de eletricidade, água e gás, confirmar se a potência contratada corresponde às necessidades da casa e comparar as tarifas disponíveis no mercado. Esta análise ganha importância num contexto em que 70% dos portugueses receiam o custo da eletricidade e 54% se sentem inseguros quanto à capacidade de suportar as faturas.
30% para lazer: férias custam, em média, 861 euros
A componente destinada aos desejos permite acomodar despesas relacionadas com lazer, viagens ou compras não essenciais sem comprometer as restantes áreas do orçamento.
Segundo o Observador Cetelem, as férias dos portugueses custam, em média, 861 euros. O alojamento representa 32% desta despesa e a alimentação 29%. Definir antecipadamente um valor máximo e reservar alojamento, transportes e atividades com antecedência pode ajudar a evitar gastos adicionais e a conservar uma margem para imprevistos.
A Inteligência Artificial também começa a ser utilizada para controlar os custos. As ferramentas podem ajudar a preparar roteiros, encontrar viagens mais económicas e comparar preços, uma estratégia já adotada por 62% dos portugueses na preparação das férias.
Nas compras, os produtos recondicionados ou em segunda mão podem representar outra alternativa. Esta possibilidade já convenceu 66% dos portugueses, que consideram que o negócio ideal deve oferecer um desconto mínimo de 30% face a um produto novo e uma garantia superior a um ano.
20% para poupança: criar uma reserva financeira
A última parcela do rendimento deve, sempre que possível, ser canalizada para uma reserva financeira. O estudo recomenda a definição de objetivos concretos e a escolha de produtos adaptados às necessidades e ao perfil de cada pessoa.
Entre os portugueses com mais de 35 anos, 44% dizem ter depósitos e 29% Planos Poupança-Reforma (PPR). Entre os mais jovens, verifica-se uma procura por maior diversificação: 23% consideram investir em fundos cotados, conhecidos como ETFs, e 18% em criptomoedas.
O comunicado sublinha que reforçar a poupança deve ser acompanhado por uma maior literacia financeira, para que as decisões sejam tomadas com conhecimento dos riscos e das condições de cada produto.
Crédito exige planeamento
O crédito deve responder a uma necessidade identificada e ser contratado apenas depois de avaliadas as condições do contrato e a capacidade de reembolso. De acordo com os dados citados, 30% dos portugueses planeiam recorrer a financiamento para concretizar projetos pessoais.
Sempre que seja considerada a contratação de crédito, o Cetelem aponta o Banco de Portugal como entidade oficial de referência. O Portal do Cliente Bancário permite comparar condições antes da assinatura do contrato, enquanto a Rede de Apoio ao Cliente Bancário presta apoio gratuito a quem enfrenta dificuldades no cumprimento dos pagamentos.
A principal conclusão é que o consumo responsável não implica necessariamente privação. Planear, comparar preços, rever contratos e antecipar despesas pode ajudar as famílias a preservar o equilíbrio financeiro sem eliminar por completo o lazer.



