Não era costume, mas quando questiono os participantes em Programas de Desenvolvimento de Executivos sobre os motivos da sua participação, começo a ouvir com mais regularidade a ideia de reinvenção: “Estou aqui porque estou a procurar reinventar-me”, afirmam. De onde vem este desejo de reinvenção? O que fazer com ele? Eis três fontes possíveis. Uma […]
Não era costume, mas quando questiono os participantes em Programas de Desenvolvimento de Executivos sobre os motivos da sua participação, começo a ouvir com mais regularidade a ideia de reinvenção: “Estou aqui porque estou a procurar reinventar-me”, afirmam. De onde vem este desejo de reinvenção? O que fazer com ele? Eis três fontes possíveis.
Uma revolução tecnológica em curso. A chamada transformação digital é uma revolução industrial em curso. Está a mudar o mundo do trabalho e das organizações. Ameaça setores inteiros. As empresas procuram adaptar- -se, refazendo modelos de trabalho e de negócios bem como as estruturas organizacionais. Há muita mobilidade desejada, mas também forçada. As pessoas percebem que as placas tectónicas do mundo do trabalho estão em mudança. É possível que essa perceção gere desejo de mudança nuns e obrigue outros a mudar. Programas de formação e capacitação são uma ferramenta para responder à mudança.
Uma experiência nova. O trabalho remoto ganhou alento durante a pandemia. O extraordinário normalizou-se depois de se estranhar entranhou-se nos nossos gostos. Hoje é uma condição para atrair pessoas: quando não há opções híbridas o interesse é menor. Os novos modelos de trabalho visam oferecer mais flexibilidade e uma maior possibilidade de integrar a vida de trabalho e não-trabalho. Esta nova experiência gera em muitos uma menor vontade para retomar modelos de emprego antigos. A reinvenção também passa por aí: como identificar um modelo que responda às minhas necessidades de vida?
Carreira de 100 anos. As nossas necessidades e motivações mudam com o tempo. O que desejamos aos 20 ou aos 30 é diferente do que queremos aos 50. À medida que caminhamos em e carreiras para vidas de 100 anos, a questão passa a ser como pensar o significado de carreira. Que carreiras queremos construir ao longo da vida? Como podemos prepará-las?
O desafio da reinvenção é, antes de mais, pessoal. Em alguma medida, emerge das circunstâncias da vida. Na parte que podemos pilotar, a pergunta é: o que desejo para a próxima etapa do meu eu? Como posso preparar esses passos? O que devo fazer diferente? Se, como dizia Ortega y Gasset, cada um de nós é o seu eu e as respetivas circunstâncias, o que posso mudar em mim para depender menos das circunstâncias?
Este editorial da Líder procura ajudar a pensar esta importante revolução: a nossa revolução pessoal.
Este artigo foi publicado na edição de verão da revista Líder.
