Este abril...
- Andou por aí grande preocupação com a possível imposição de níveis mínimos de literacia para o acesso ao superior. Interessante. ‘Perigo de exclusão’, brada-se com preocupação. Eis a pergunta: como andam as chamadas aprendizagens até à universidade? Pelos vistos, dada a preocupação, mal.
- «O wokismo e o anti-wokismo estão bem um para o outro mas são o retrato da pobreza intelectual, cultural, dos nossos dias» (Pacheco Pereira). Ditto.
- Diz uma especialista que «quando se fala em masculinidade, é quase sempre pela negativa.» E que “pensa-se logo num lado violento.” Com efeito, quando a palavra ‘masculinidade’ serve tantas vezes para preceder o adjetivo “tóxico” não surpreende o aparecimento, como escrevia o Expresso, de uma geração de “rapazes zangados”… Talvez valesse a pena pensar sobre este assunto.
- O facto de o primeiro-ministro não ter colocado o cinto de segurança numa deslocação tornou-se uma espécie de caso político. Os virgens que nunca pecaram vieram logo revelar a sua indignação. Um dia ainda será notícia o facto de um político de quem não gostamos ter fumado um cigarro às escondidas. Será mesmo este o tipo de escrutínio de que necessitamos?
- A guerra na Ucrânia continua, apesar de Trump, que prometeu acabar com ela em três dias. Neste momento, o presidente dos EUA parece mais preocupado em ajudar o amigo russo.
- Amigo russo esse que se deve estar a rir. Depois da limpeza na Venezuela, cito Gideon Rachman, «a vitória rápida e decisiva de que Trump e Netanyahu falaram não aconteceu». O homem que resolve problemas em três dias tem tido vários choques de realidade. Mas o amigo russo também.
- Tenho-me lembrado muito de um grande livro de David Owen sobre a saúde – física, mental – dos líderes, Na Doença e no Poder. Será o comportamento errático de Trump evidência de que nem tudo vai bem?
- As imagens de Trump como Jesus são a coisa mais kitsch que a humanidade terá produzido desde o menino da lágrima.
- Sobre Putin, vale muito a pena ver Dentro da guerra da Rússia, uma reportagem que passou na SIC-N. Ajuda a perceber de que lado é preciso fazer uma desnazificação… Terrível.
- O mundo nacional da bola, clubismos à parte, tornou-se ridículo. Os senhores dirigentes não são capazes de fazer melhor? Não parece difícil.
- A UE é uma espécie de milagre imperfeito da política mundial. História concisa da União Europeia, de Kiran Klaus Patel, ajuda a explicar porquê. Por exemplo, durante a Idade Média, a simples ideia de “Europa” era desconhecida da maioria das pessoas.
- Um livro a ler: Refém de Eli Sharabi, prisioneiro do Hamas. E no polo literário oposto, em boa hora regressa a extraordinária dupla Calvin & Hobbes com o clássico Há monstros debaixo da cama. Uma viagem de regresso à infância em cerca de 130 páginas.
- Na música tenho andado deliciado com o novo dos Altin Gü Uma maravilha.
- E há um novo filme de Sorrentino, La Grazia. Há quem não goste. Eu gosto, Muito.

