Em 2021 foram registadas quedas no número de novas aberturas de lojas dedicadas ao segmento de luxo na América do Norte, Ásia, e Europa, mas foi na China que abriram mais de metade (55%) do total global de novas lojas de retalho de luxo. No Médio Oriente, as marcas de “ultra-luxo” representaram 92% das aberturas de novas lojas nesse segmento. E apesar das novas lojas físicas, é expectável que o online continue a dominar o negócio da revenda de luxo.
Estas são parte das conclusões do relatório Global Luxury Retail 2022 Outlook, da imobiliária Savills, que analisa o mercado global de retalho de luxo após os impactos da pandemia, e que ainda demonstra que os três maiores grupos de marcas de luxo – LVMH, Kering e Richemont – foram responsáveis por 41% do volume total de novas aberturas de lojas de luxo em 2021 a nível global, face aos 33% de 2019.
A pandemia trouxe desafios acrescidos, mas a resiliência do segmento de retalho, demonstrada a nível global, originou oportunidades para os grupos de luxo com maior capitalização. Tal verifica-se pelo aumento significativo das atividades de M&A e de financiamento no segmento de luxo em 2021. A grande subida dos volumes de negócio deveu-se à aquisição, no início de 2021, da Tiffany & Co. pelo grupo LVMH, num valor estimado de 15,8 mil milhões de dólares. Este aumento de atividade reflete-se também no sector de revenda de luxo. A Bain & Company estima que o mercado de luxo de segunda mão tenha atingido 33 mil milhões de euros em 2021, um crescimento de 65% em relação aos níveis de 2017.
Em 2022, os retalhistas de luxo deverão continuar a expandir-se a nível global, com o aumento da atividade das suas lojas nos mercados domésticos como na China e no Médio Oriente.
A Savills partilha quatro tendências-chave que vão influenciar os destinos do retalho de luxo:
- Metaverso e a ligação entre o mundo físico e o digital
Enquanto o metaverso está ainda a ser desenvolvido, as marcas de luxo estão já a gerar vendas de produtos virtuais, com benefícios óbvios. O metaverso apresenta um fluxo de rendimentos adicional, tanto no ponto de venda inicial como através de formatos de revenda. A dispensabilidade de matérias-primas utilizadas no desenvolvimento de produtos virtuais significa também que esta realidade é mais rentável e mais sustentável. O mundo online oferece, adicionalmente, uma oportunidade de ligação com os consumidores mais jovens. Desta forma, irão os produtos de luxo virtual substituir o luxo físico e diminuir a necessidade da existência de lojas? É altamente improvável. A popularidade das marcas de luxo no mundo virtual deve-se à capacidade de atração desenvolvida no mundo real. Assim, se no “mundo real” um retalhista vê enfraquecida sua relevância, no mundo virtual essa fraqueza será replicada. Em suma, as dimensões virtual e física complementam-se, e não atuam como alternativas uma à outra.
- Aberturas de novas lojas
Em 2022, as aberturas de novas lojas deverão permanecer centradas em mercados-chave domésticos. Espera-se que em mercados que registam uma maior maturidade no retalho de luxo exista hesitação em expandir o total de área de lojas físicas. Contudo, a nível global, poderá observar-se o contrário, ou seja, uma extensão da pegada das lojas físicas de retalho de luxo, impulsionada pela abertura de novas lojas em grandes mercados como a China e os EUA.
- Turismo
Segundo as previsões atuais da Economia do Turismo, só em 2025 o número de passageiros aéreos internacionais voltará aos níveis pré-COVID-19. Enquanto a pandemia teve um impacto sem precedentes nos mercados de luxo, os fundamentais que tornaram os mercados atrativos não mudaram significativamente, assumindo um regresso às tendências internacionais pré-COVID-19. Cidades como Nova Iorque e Londres continuam a subir no ranking de destinos de mercado de luxo. No entanto, o ranking é dominado pelas cidades asiáticas. A China tem duas das suas principais cidades no Top 10 global, Xangai e Pequim. Isto alinha-se com a importância que os consumidores chineses atribuem ao mercado de luxo global de bens pessoais, com 21% das vendas no ano passado.
- Valores das rendas
Para os destinos de luxo com maior dependência do turismo internacional, tem vindo a ser registado um abrandamento nos valores de renda. Por exemplo, a Bond Street, em Londres, verificou um acentuado declínio das rendas, de 16,7% entre o 4.º trimestre de 2019 e o 3.º trimestre de 2021. Para os outros mercados na Europa que sofreram também um declínio no mesmo período de tempo, a queda média foi de 18,3%. No entanto, metade das “ruas de luxo” europeias não reportaram qualquer alteração neste sentido.
No caso de Portugal, a escassez de produto de qualidade, que preencha os requisitos de marcas de luxo com interesse no mercado nacional, é atualmente o principal entrave à entrada de novas marcas. A dimensão do mercado interno e a dependência do fluxo turístico são outros fatores que condicionam o crescimento deste segmento. No entanto, verifica-se o interesse de algumas marcas em entrar em Portugal, o que poderá animar este segmento nos próximos 2 anos, refere a análise.