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Denise Calado

Novo estudo: metade dos líderes de IT e developers não têm conhecimento na cloud

26 Abril, 2022 by Denise Calado

Um novo estudo global realizado pela tecnológica portuguesa OutSystems conclui que, embora os analistas esperem um aumento acentuado no desenvolvimento nativo na cloud, a nível global, mais de metade dos inquiridos (53%) ainda não tem um conhecimento sobre o tema.

O relatório “Cloud-Native Development: Ready or Not? What IT Executives and Developers Say”, baseado num inquérito global com mais de 500 líderes de TI e programadores em todos os setores, incluindo líderes nativos na cloud (aqueles que atualmente utilizam nativo na cloud) e retardatários (aqueles que não utilizam), identifica o estado atual da tecnologia, em termos da sua adoção, desafios e oportunidades. As principais conclusões do estudo consideram:

Lacuna em termos de conhecimento – Enquanto 72% dos entrevistados esperam que a maioria das suas aplicações seja criada através da utilização desenvolvimento nativo na cloud até 2023, apenas 47% contam com bastante conhecimento sobre o tema.

Desafios inesperados – Os líderes nativos na cloud afirmam que selecionar as ferramentas/plataformas certas (52%) e a complexidade arquitetónica (51%) são os dois principais desafios do desenvolvimento nativo na nuvem, enquanto os retardatários nativos na nuvem classificam-nos de forma significativamente mais baixa.

Necessidade de talentos – Tanto os líderes nativos na cloud como os retardatários concordam que o crescimento da equipa de engenharia é uma necessidade – e uma luta. Os entrevistados partilham a necessidade de talentos em 13 funções diferentes, desde programadores back-end, full-stack e mobile até arquitetos e designers corporativos, com os arquitetos de cloud a destacarem-se como uma função crítica a ser preenchida.

A vantagem do Low-Code – Os líderes nativos na cloud veem as plataformas low-code como parceiros vencedores nas suas jornadas no que toca a esse tema, com 60% a afirmar que as plataformas low-code são ferramentas “muito boas” ou “excelentes” para implementação nativa na cloud. Mais de sete em cada dez (72%) líderes nativos na cloud já trabalham com plataformas low-code.

 

“A tecnologia nativa na cloud, se for bem feita, abre novas possibilidades de velocidade, confiança e escala massiva de aplicações”, afirma Patrick Jean, CTO da OutSystems. “Muitas empresas estão a mostrar um delta entre o estado futuro desejado e o seu conhecimento e experiência atuais. O nosso estudo revela que a maioria das empresas não sabe o suficiente sobre os desafios da cloud nativa e não conta com a equipa necessária para implementá-la com sucesso. A resposta está em ferramentas low-code de elevado desempenho que podem ajudar a acelerar e a simplificar o caminho a seguir e a melhorar drasticamente a forma como se criam e gerem aplicações para o futuro.”

 

Arquivado em:Notícias, Tecnologia

“A informação é hoje o recurso geopolítico mais contestado do mundo”, Felipe Pathé Duarte e a nova soberania do ciberespaço

26 Abril, 2022 by Denise Calado

Na ciberguerra a propriedade mais contestada é a informação. E quem a controlar tem o poder e a influência sobre processos de decisão. “A informação é hoje o recurso geopolítico mais contestado do mundo” e faz desferir ataques a cada segundo, numa guerra sem armamento pesado, nem mortos ou feridos. Felipe Pathé Duarte, investigador e Professor na Nova School of Law, abordou o tema das novas formas de guerra, sem território, e lançou o altera para as questões de cibersegurança e literacia digital na talk “A Geopolítica do ciberespaço – Big Data, Small Wars!”, durante o encontro Leading Tech, do projeto Leadership Summit Portugal, na sede da PHC Software.

“O ciberataque é a forma mais proeminente de envolvimento internacional”, refere o consultor nas áreas de geopolítica e análise de risco, onde todo o momento é oportuno para se fazer uma guerra silenciosa, num campo de batalha sem fronteiras físicas, nem dimensão militar ou capacidade de retaliação. E se a geopolítica implica a relação entre soberania e geografia, quando abordamos o mundo digital, desterritorializado, os desafios para os países e organizações é muito mais vasto e complexo.

Devemos hoje ver “o ciberespaço como uma nova forma de território que por sua vez põe em causa e desafia os limites da soberania”, caracterizado por uma descentralização que favorece pequenos atores. No site Cyber Threat Map é mostrada em tempo real a transformação “perigosa” dos paradigmas clássicos da geopolítica, sem distinção entre “guerra e de paz”, numa “hibridização” entre legal e ilegal, público e privado, virtual e físico. Contudo, apesar da dimensão “etérea” e intangível, tal não significa que não exista “rivalidade de poder e jogo de influência”. Com a desterritorialização, este “apagar de fronteira da privacidade”, a confluência de Estado e Sociedade cria maior tensão, alterando o sistema internacional.

A força da ameaça digital vem assim da sua capacidade de potenciar o próprio ataque, com uma relação custo/ benefício muito elevada, sem rosto, nem a possibilidade de dissuasão, o que vulnerabiliza pessoas, dados e a segurança das organizações.

Hoje assiste-se a uma “democratização das ameaças” à segurança, quando qualquer um pode entrar no sistema de uma organização e ter acesso aos dados. Felipe Pathé Duarte afirma que “temos de ver os dados como o petróleo do século 21 e o seu controlo como o exercício pleno de soberania”, agravado pela evidência de que a “segurança está progressivamente a escapar do controlo do Estado”.

Tal como afirma Ulrich Beck, autor da Teoria da Sociedade de Risco, à medida que a tecnologia melhorou a nossa qualidade de vida, tornou-nos mais vulneráveis. Tanto pela falta de controlo, como pela perceção que temos da realidade que é alterada a cada minuto a partir do “scrolling” que fazemos no telemóvel. Para além disso, a população com menos literacia, e dos países menos democráticos, é aquela que está mais online. E esses países do sul global, que a geopolítica refere como o conjunto de países em desenvolvimento, caraterizam-se por Estados “fracos, corruptos e tendencialmente autoritários”. Ao juntarmos a esta tendência a noção de que o ciberespaço é uma plataforma de propagação de informação, isso mostra um terreno vasto para manipulação de informação, contra informação, corrupção e a influência do Estado na vida privada aconteça.

Se a nossa relação com o mundo “está cada vez mais dependente da tecnologia e a possibilidade de transformação dessa realidade é significativa”, esta é, para Felipe Pathé Duarte, a vertente mais “perigosa e séria do que são as batalhas do ciber espaço”.

O escândalo do Cambridge Analytica, que envolveu a recolha ilícita de dados pessoais de cerca de 87 milhões de usuários para influenciar a opinião de eleitores em vários países, foi um “abre olhos” quanto à fragilidade dos limites da privacidade para além da capacidade de padronizar o nosso comportamento e canaliza-lo para a escolha, com consequências políticas significativas. Esta plataforma de informação é mais perigosa do que o ciber ataque, pois não há forma de contrabalançar, entrando no campo das fake news e dos deep fakes.

E sobre o futuro, existem três grandes tendências a considerar:

Explosão da big data: o mundo das redes sociais , conectividade móvel, cloud e troca de informação permanente, que não pode ser totalmente controlado pelos Estados, por colocar em causa direitos básicos e fundamentais.

Big State: associada à big data há uma redefinição dos domínios do próprio Estado e da soberania. A junção entre “internet economy” e “state security” é uma “ligação que pode ser perversa e que pode trazer a longo prazo problemas na nossa liberdade”.

Small Wars: toda esta temática é complexa e reúne as condições para uma small war, no sentido em que não identifica uma guerra entre Estados. Os casos de vírus criados para bloquear a atuação dos países, são formas de atuação dos Estados mas não são identificadas como tal, o que permite que as small wars existam em permanência, alterando o plano geopolítico.

Tenha acesso à galeria do evento aqui.

 

 

Arquivado em:Encontros, Liderança, Notícias

“Os livres têm de apoiar os livres”, ponto por ponto, o que disse Zelensky aos portugueses no Parlamento

22 Abril, 2022 by Denise Calado

Volodymyr Zelensky falou ontem por videoconferência ao Parlamento português. Aqui ficam alguns pontos da sua intervenção.

“Ao fim de 57 dias de guerra, os russos destroem habitações, infraestruturas, igrejas. Pessoas foram mortas, torturadas e violadas, por diversão. Os ocupantes deixaram pessoas morrer afogadas em poços, e mataram pessoas em abrigos subterrâneos. No distrito de Kiev, até hoje, são 1126 ucranianos, 40 são crianças. Ainda não conseguimos recolher todos os mortos”.

“Estamos a lutar pela independência e sobrevivência dos ucranianos, para que não sejam mortos e capturados. Os ocupantes russos já deportaram cerca de 500 mil pessoas, como se fosse, mais ou menos, duas vezes a vossa cidade do Porto. Havia pessoas e agora já não há. Isto é o que fizeram os regimes totalitários mais assustadores no passado. Os ucranianos deportados ficam em zonas remotas da Rússia. Os ocupantes fizeram campos para rastrear e selecionar as pessoas. Uma parte das pessoas retidas são mortas, as mulheres e raparigas violadas. Uma rapariga escapou de um desses centros de rastreio especial e conseguiu porque os militares russos não gostaram dela, se não seria violada e morta”

“Mariupol, uma cidade do tamanho de Lisboa, numa zona costeira com meio milhão de habitantes, foi completamente destruída. Em Mariupol não há nenhum edifício intacto. A cidade foi completamente queimada. Sem água, habitação, alimentação, sob disparos e bombardeamentos constantes. Mesmo as fotografias da vida antes da guerra foram queimadas. Milhares de pessoas foram mortas, mas não há certeza do número. Os militares russos trouxeram crematórios móveis para a cidade”

“Portugueses, quando apelamos aos povos livres do mundo, dizemos as coisas de forma simples e clara. Precisamos de armas para nos defendermos da brutalidade da invasão russa. Tanques Leopard, blindados, misseis anti navio Harpoon. Precisamos daquilo que vocês têm. Vocês podem ajudar-nos a defender a liberdade.”

“ Precisamos que aumentem a pressão sobre a Rússia, através de mais sanções. Precisamos que todas as empresas europeias abandonem o mercado russo”.

“A conquista da Ucrânia é o primeiro passo para a Rússia controlar o sul da Europa, para aniquilar a democracia da nossa região.”

“Portugueses que nos próximos dias celebram mais um aniversário da Revolução que vos libertou da ditadura, compreendem o que estamos a sentir. A ditadura traz morte para a Ucrânia. Depois da Ucrânia, os russos vão para Moldávia, Polónia, Geórgia, bálticos… É possível parar a Rússia.”

“Estou muito grato ao governo e aos portugueses pela ajuda que já nos deram. É importante apoiar o sexto pacote de sansões da União Europeia. É preciso ser persistente para o bloqueio completo.”
“Estou muito grato ao apoio aos refugiados ucranianos, os povos ucranianos e portugueses conhecem-se bem.”

“É importante que os portugueses usem as suas capacidades na Europa, para defender a liberdade do povo ucraniano. Levar esses valores até América do Sul e África e dizer a verdade sobre a invasão russa e esta guerra contra a Ucrânia. Apelo à luta contra a propaganda russa, e a sua influência corrupta nos estados mais próximos de Portugal.”

“Acredito nos portugueses e nos políticos que apoiam o desejo do nosso país em estar ao lado de Portugal na União Europeia.”

“Os livres têm de apoiar os livres. Os dignos apoiam os dignos. Os justos apoiam os justos.”

Augusto Santos Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal:

“O agredido tem o direito de se defender. Portugal sempre apoiou a Ucrânia desde o primeiro dia, para Portugal o agressor é a Federação Russa. Defendendo se a si própria, a Ucrânia defende-nos a todos. Temos o dever moral de ajudar a Ucrânia. Aprovámos o reforço militar no primeiro dia da guerra.”

“Choramos os mortos, civis e militares ucranianos. “

“Trinta e um mil ucranianos foram acolhidos no nosso país, e duas mil e quinhentas crianças frequentam as nossas escolas.”

“A Ucrânia conta com Portugal, com a nossa defesa intransigente. Com o nosso empenhamento na defesa da liberdade em todos os países da União Europeia. Conta com o nosso apoio para encontrar a paz.”

Arquivado em:Notícias

A Máfia dos Bombardeiros

22 Abril, 2022 by Denise Calado

Malcolm Gladwell, nomeado uma das 100 pessoas mais influentes pela revista Time e um dos maiores pensadores globais pela Foreign Policy,  relembra que antes da II Guerra Mundial, muitos militares não acreditavam que o avião pudesse mudar o rumo de um conflito. Mas um grupo de aviadores idealistas, a Máfia dos Bombardeiros, levantou a questão: “E se um avião de precisão destruísse pontos vitais na posição do inimigo e tornasse assim a guerra menos letal?”

Quando essa nova crença no poder aéreo é posta à prova, os resultados são muito diferentes do esperado. Mas a “máfia” mantém sua convicção e lev-a às últimas consequências na guerra no Pacífico. O general Haywood Hansell insiste na estratégia do bombardeio de precisão no Japão, mas acaba por ser substituído pelo general Curtis LeMay. De um pragmatismo brutal e avesso a idealismos, ordena o cancelamento do plano de lançar bombas de precisão e ordena o ataque que custou a vida a mais de 100 mil civis japoneses. O bombardeio incendiário arrasou Tóquio, mas acelerou a rendição do Japão e talvez tenha poupado centenas de milhares de vidas ao evitar a invasão do país pelos americanos. Será mesmo que valeu a pena?

Malcolm conta também a história de um génio holandês que, sozinho, em casa, construiu um computador, de um grupo de químicos pirómanos da Universidade de Harvard, de um piloto brilhante que entoava canções à sua tripulação. Nesta história de inovação e de obsessão, Gladwell interroga-se: «O que acontece quando a tecnologia e as boas intenções entram em conflito em tempo de guerra? E qual é o preço a pagar pelo progresso?»

 Malcolm Gladwell é autor de seis bestsellers mundiais, todos editados pela Dom Quixote., incluindo Outliers – A História do Sucesso, Blink, A Chave do Sucesso, Falar com Desconhecidos, e David e Golias. Os seus livros estão publicados em mais de 35 países e venderam mais de 20 milhões de cópias. Gladwell nasceu em Inglaterra, cresceu no Ontário rural e vive em Nova Iorque. É cofundador e presidente da Pushkin Industries, uma empresa produtora de audiobooks e de podcasts.

Arquivado em:Livros e Revistas

Filipe Granjo Paias é o novo Marketing Director da Baxter Western Europe

22 Abril, 2022 by Denise Calado

Na Baxter desde 2011, Filipe Granjo Paias mantém-se como Country Lead da empresa em Portugal, cargo que agrega com o de Marketing Director Western Europe para as áreas de Medication Delivery e Acute Therapies. Na nova posição, que desempenha a partir de Portugal, será responsável pela liderança e implementação de estratégias de marketing a nível europeu.

No seu percurso profissional, Filipe Granjo Paias começou na farmacêutica como Business Unit Manager de Produtos Hospitalares e Diálise e mais tarde Diretor Geral da Baxter-Gambro Renal quando esta companhia foi adquirida pela Baxter.

“É com grande entusiasmo que encaro este novo desafio e a oportunidade de apoiar e contribuir para o desenvolvimento de mercados tão distintos, mas tão relevantes para a Baxter. Acredito que as sinergias criadas e a partilha das melhores práticas entre equipas são essenciais no sentido de podermos acelerar a nossa missão de Salvar e Prolongar Vidas.”, refere Filipe Granjo Paias.

Em representação da Baxter, Filipe Granjo Paias assume, pelo segundo mandato consecutivo, a presidência da Associação Portuguesa das Empresas de Dispositivos Médicos (APORMED) para o biénio 2021-2022.

 

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Livros: Sugestões Líder

22 Abril, 2022 by Denise Calado

Aqui ficam algumas sugestões de livros para as Lideranças. Boas leituras!

 

Beyond Digital

Paul Leinwand, Mahadeva Matt Mani

Harvard Business Review Press

Através dos casos de sucesso e fracasso de doze empresas que navegaram pela transformação digital, os autores partilham os exemplos da reinvenção da Philips à reformulação da Microsoft, entre outros. O livro identifica sete princípios de liderança para moldar o futuro das empresas numa era em que é preciso perceber que a natureza da vantagem competitiva mudou – e que ser digital não é suficiente.

 

 

Privacidade é Poder

Carissa Véliz

Temas & Debates

Reivindicar a nossa privacidade é a única maneira de podermos retomar o controlo das nossas vidas e das nossas sociedades. Os governos e as companhias detêm demasiado poder, e esse poder tem origem em nós – nos nossos dados. A privacidade é tanto coletiva como pessoal, e chegou o momento de recuperarmos o controlo sobre ela. Este livro explica-lhe como o conseguir. Exige o fim da economia de dados e propõe medidas concretas para alcançar esse objetivo, mediante soluções práticas, tanto para os legisladores como para os cidadãos comuns.

 

 

The Year in Tech, 2022

Harvard Business Review

A série Insights You Need, da Harvard Business Review reúne o essencial sobre a tecnologia para 2022. Da computação quântica à formação em RV, e da impressão 3D à interface cérebro–computador, as novas tecnologias estão a mudar os negócios do chão de fábrica às lideranças nível C. O livro partilha reflexões e caminhos para as empresas tirarem partido das novas oportunidades que essas tecnologias estão a criar e evitar ser vítimas de paragens dos negócios.

 

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder
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Arquivado em:Livros e Revistas

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