A responsabilidade pela ética na IA está nas mãos dos executivos não técnicos, nomeadamente CEOs, revelam cerca de 80% dos inquiridos de um novo estudo do IBM Institute for Business Value (IBV). A análise “AI ethics in action: An enterprise guide to progressing trustworthy AI”, realizada em cooperação com a Oxford Economics, procurou perceber qual a posição dos executivos quanto à importância da ética na IA e a forma como as organizações a estão a operacionalizar. E apesar de existir um forte imperativo para o avanço para uma IA de confiança, continua a existir um fosso entre a intenção dos líderes e ações significativas a esse respeito.
As principais conclusões das entrevistas a 1.200 executivos, em 22 países de 22 indústrias, mostram uma mudança radical nos responsáveis que lideram e defendem a ética na Inteligência Artificial (IA) nas organizações. Em 2018, 15% dos inquiridos apontavam para um executivo não técnico como o principal defensor da ética na IA, valor que agora chega aos 80%.
Os CEOs são agora vistos como a força motriz da ética na IA (28%), mas também os membros do Conselho de Administração (10%), Consultores Jurídicos (10%), Responsáveis de Privacidade (8%) e de Risk & Compliance (6%).
O estudo revela que garantir a incorporação dos princípios éticos nas soluções de IA é uma necessidade urgente para as organizações, mas o progresso ainda é lento. A maioria dos CEOs (79%) diz estar preparado para incorporar a ética nas suas práticas de IA, acima dos 20% registados em 2018, e mais de metade das organizações subscreveram publicamente princípios comuns da ética na IA. No entanto, menos de um quarto das empresas operacionalizaram a ética na IA, e menos de 20% dos inquiridos concordaram significativamente que as práticas e ações da sua organização correspondem (ou excedem) os princípios e valores que foram declarados.
A maioria das organizações (68%) reconhece que ter um local de trabalho pautado pela diversidade e inclusão é importante para mitigar o preconceito na IA, mas os resultados indicam que as equipas de IA ainda são substancialmente menos diversificadas do que as restantes: com 5,5 vezes menos mulheres, 4 vezes menos indivíduos LGBT+ e 1,7 vezes menos inclusivas racialmente.
Para que as empresas tenham uma vantagem competitiva ao avançar rapidamente com uma ampla estratégia de ética na IA, integrada em todas as unidades de negócio, o estudo deixa algumas recomendações para os líderes empresariais:
Abordagem multifuncional e colaborativa – a ética na IA requer uma abordagem holística, e um conjunto de competências entre todas as partes envolvidas no processo. Executivos de C-Suite, designers, cientistas comportamentais, cientistas de dados e engenheiros de IA têm um papel distinto a desempenhar para uma jornada de IA confiável.
Estabelecer uma governança organizacional e do ciclo de vida da IA – ter uma abordagem holística para incentivar, gerir e governar soluções de IA em todo o ciclo de vida da IA, desde a definição da cultura certa para promover a IA de forma responsável, até às práticas, políticas e produtos.
Ir além da organização e estabelecer parcerias – Alargar a abordagem identificando e envolvendo os principais parceiros tecnológicos, académicos e startups focados em IA, assim como outros parceiros do ecossistema para estabelecer uma “interoperabilidade ética”.
Tenha acesso ao estudo completo aqui.
A partir de 18 de junho de 2022, a diretiva Whistleblowing da União Europeia estabelece a obrigatoriedade de implementação dos canais de denúncia nas empresas com 50 ou mais trabalhadores, bem como a criação de meios de proteção dos denunciantes de infrações.