Um novo estudo conduzido pela Gartner, e divulgado pelo World Economic Forum, estima que até 2026 um quarto da população mundial vá estudar, fazer compras e socializar pelo menos uma hora por dia no Metaverso. A consultora prevê ainda que daqui a quatro anos, 30% das organizações mundiais tenham os seus produtos e serviços disponíveis nesta plataforma tecnológica.
O Metaverso está a ser reconhecido como a próxima evolução da internet mas ainda apresenta uma série de obstáculos, em particular, desconhecem-se os impactos que poderá ter nas crianças e de que modo este pode ser regulamentado. A verdade é que dada a natureza do novo espaço digital, o controlo parental enfrentará um novo desafio e levanta novas questões, relata a Gartner. Sendo que é um tipo de tecnologia apenas acessível através de um headset, será difícil para os pais verem o que os filhos estão a fazer e com quem estão a interagir.
O Metaverso terá a sua economia virtual, com a sua própria moeda digital e em que os NFTs (Non-fungible tokens) serão essenciais. Os NFTs são tokens digitais únicos que podem ser usados para comprar, possuir e vender itens digitais ou físicos online, incluindo música, arte e propriedades.
A Gartner estima que o mundo empresarial beneficiará desta tecnologia, alegando que haverá uma melhor comunicação e relação entre chefias e colaboradores, através de espaços de trabalho imersivos. A plataforma fornecerá escritórios virtuais e espaços para os negócios que escolham integra-la, suprimindo a necessidade de infraestruturas físicas.
Esta tecnologia é descrita como uma realidade estendida (Extended Reality, ou XR); isto significa que combina a realidade virtual que hoje já conhecemos (ou VR) com a realidade aumentada (AR) e Realidade Mixed (MR).
Qual a diferença entre estas três realidades? Com a Realidade Virtual (VR) encontramo-nos totalmente imersos num ambiente 100% digital, usando óculos para esse efeito; a Realidade Aumentada (AR) interage com o mundo real através de um filtro digital, em que a realidade física é central. Por outro lado, a Realidade Mixed (MR) permite que o utilizador interaja e manipule o ambiente tanto do mundo real como o digital.
Para entrar no Metaverso, à semelhança da Realidade Virtual, o utilizador terá de usar um headset (uns óculos imersivos), cuja expedição se prevê ultrapassar a das consolas de videojogos nos próximos anos. O Facebook tornou-se uma empresa do Metaverso ao mudar oficialmente o seu nome para Meta. A Microsoft e a Sony estão já em processo de adaptação, investindo na compra de diversas empresas que se focam em produção de videojogos e no desenvolvimento de headsets de próxima geração.
Apesar dos obstáculos, estes não estão a ser um contratempo no crescimento do investimento neste novo ambiente digital. Marcas que tradicionalmente comprariam anúncios em websites e cartazes estão agora a fazer a transição para o Metaverso. O preço do imobiliário disparou cerca de 500% nesta plataforma desde que o Facebook anunciou os seus planos de investimento.
Na prática, vai funcionar como no mundo real: quantas mais pessoas se juntarem no Metaverso, mais valioso se torna.