Este julho aconteceu:
- Frase do mês: «Um país saudável precisa de instituições fortes, não de um líder forte» (Gideon Rachman, Financial Times).
- Por falar nisso, na falta de instituições fortes, Xi Jinping apresentou o PCC como «uma nova forma de civilização humana». Húbris ou apenas política?
- Ainda sobre Estados e civilizações, vale a pena considerar a leitura de A Maldição de Golias, de Luke Kemp, mas depois de ler a desconstrução do livro, em várias partes, por José Carlos Fernandes no Observador.
- Continuando a falar de instituições: Estado condenado a pagar a Sócrates. E se puséssemos uma banana na bandeira da república?
- A política nacional parece estar transformada numa sucessão de escândalos. Era importante que os praticantes da arte percebessem o mal que este modus operandi causa às instituições todos os dias.
- E para acabar o tema das instituições: há casinos online a operar ilegalmente em Portugal. Curiosamente num mundo com tantas causas e preocupações, os casinos e casas de apostas vivem tranquilos.
- O trauma argentino com as Malvinas, revisitado no Mundial, talvez já justifique ida ao psicanalista. Mas percebe-se: trata-se provavelmente, como tem sido dito, do único tema que junta todos os argentinos.
- Os argentinos, aliás, apareceram no Mundial com uma dupla face: sarrafeiros-queixinhas. Perderam sem honra.
- A guerra da Ucrânia continua. Trump se não fosse um narciso, teria vergonha do que andou a dizer. E Putin teria vergonha do atoleiro em que meteu o país.
- Trump meteu uma cunha para despenalizar um jogador americano no Mundial e a FIFA aceitou. Extraordinário.
- E o mesmo Trump continua a reclamar a Gronelândia. O homem não tem remédio.
- Está em curso, sem que dela quase ninguém fale, uma profunda crise humanitária no Sudão. Não tem interesse?
- Ortega, o revolucionário da Nicarágua não quer mais eleições. Estará naturalmente preocupado com a possibilidade de o povo escolher um líder menos capaz do que ele. Assim são os ditadores: pessoas supremamente preocupadas com o bem-estar do povo.
- Tendo passado por Creta, fui ler um dos breves textos de O Aleph, de Jorge Luis Borges: A casa de Astérion. Em duas páginas, temos uma bela interpretação do mito do Minotauro. Duas páginas chegam para medir o génio. Neste mês de inspiração helénica li Odisseia na excelente tradução de Frederico Lourenço (comecei em Creta) e vi o filme. As críticas são más mas o filme, para mim, está bom.
- Where the willow and the dogwood grow, com música de Tom Waits e Kathleen Brennan, explica porque Tom Waits é um clássico. Que já é.
E agora, bom agosto, o que para muitos é o mesmo que boas férias.


