Enfrentar é uma palavra muito usada, mas nem sempre devidamente assimilada, compreendida ou bem utilizada. Ouvimos muitas vezes pessoas ou empresas relatarem que estão a enfrentar desafios, mas na verdade nem sempre os estão a enfrentar, já que não é a mesma coisa depararmo-nos com ou enfrentarmos um desafio. Aliás, perante um desafio, há sempre […]
Enfrentar é uma palavra muito usada, mas nem sempre devidamente assimilada, compreendida ou bem utilizada. Ouvimos muitas vezes pessoas ou empresas relatarem que estão a enfrentar desafios, mas na verdade nem sempre os estão a enfrentar, já que não é a mesma coisa depararmo-nos com ou enfrentarmos um desafio. Aliás, perante um desafio, há sempre dois caminhos: evitar ou enfrentar, ou, posto de outra
forma: fugir ou lutar?
O medo é o fator com mais peso na decisão, consciente ou não, de optar por um destes caminhos, pois o ser humano tem uma aversão natural à rejeição que resulta do erro. A falta de informação concreta, a pressão, os conflitos de interesse, a inexperiência e os ambientes incertos são
outros fatores que levam à procrastinação. Esta não resulta apenas num adiar, mas sim numa negação da realidade presente, num esforço para evitar o desconforto e a incerteza que o desafio traz. Esta aversão ao desconhecido e a preferência pela zona de conforto limitam o crescimento e a nossa capacidade de adaptação.
A autoconsciência é fundamental para que possamos usar as nossas capacidades ao lidar com desafios, para percebermos onde devemos apostar, quando precisamos de mais informação, em que momentos é útil envolver outras pessoas. E, também muito importante, este conhecimento profundo da nossa capacidade, permite-nos também avaliar quando é altura de não lutar, uma vez que a energia e o tempo são recursos finitos e que devem ser usados de forma consciente e eficiente. Conhecer os nossos pontos fortes e fracos, as nossas paixões e os
nossos limites, permite-nos uma tomada de decisão mais estratégica. Não se trata de uma desistência, mas de uma gestão inteligente de recursos, priorizando o que realmente importa e o que trará maior retorno.
Para enfrentar desafios de forma eficaz, é crucial compreender a sua natureza, as suas causas e as suas possíveis consequências, só assim poderemos dar o primeiro passo para traçar um plano de ação. Segue-se a preparação, que pode envolver a aquisição de novas competências, a procura de mentores, a recolha de informação relevante ou a construção de uma rede de apoio. O sucesso reside invariavelmente na forma como nos preparamos, antecipando cenários e mitigando riscos.
Por fim, a ação decisiva, pois mesmo com um plano estabelecido, a hesitação pode ser tão prejudicial quanto a falta de preparação. A execução com determinação e a capacidade de ajustar o percurso conforme necessário são características de quem enfrenta desafios com sucesso. A resiliência é igualmente vital, já que nem todos os desafios são superados à primeira. A capacidade de nos levantarmos após uma queda, aprender com os erros e persistir com otimismo é o que distingue os indivíduos e as organizações de sucesso. Pessoas e empresas bem sucedidas lutam para superar desafios, tornando-se mais ágeis e adaptáveis, o que lhes
confere reputação e lhes assegura crescimento.

