Sobretudo online, muitas vezes, a influência é medida pelo número de seguidores nas redes sociais. Basta pensar no nome com que se caracterizam muitas vezes os criadores de conteúdos como: “influencers”.
Não coloco em causa a capacidade (real) que muitos têm, de facto, de influenciar nichos e até mesmo grandes massas de público, mas sim o facto de que ter seguidores não deve ser visto automaticamente como sinónimo de exercer influência.
E este é também um dos erros mais comuns nas campanhas de Marketing de Influência, em que métricas como seguidores, likes e visualizações são tidas em conta de forma apenas quantitativa, deixando de parte uma análise qualitativa. Já para não falar nas diferentes plataformas que são utilizadas para avaliar o engagement dos criadores de conteúdos, plataformas estas que diferem na sua abordagem de métricas, podendo dar resultados bastante díspares. E assim sendo, diversos estudos comparativos, ao partirem de sistemas de cálculo diferentes, podem ser completamente desajustados entre si.
De um modo conceptual, o termo “influencer” digital define-se por um dado indivíduo possuir um número considerável de seguidores numa rede social e que, numa boa percentagem dos mesmos, gera um sentido de influência em algumas das suas decisões (Conde e Casais, 2023).
Por sua vez, ser alguém influente já vem muito antes das redes sociais. Um exemplo clássico seria Platão. O filósofo foi extremamente influente na sua época, influenciando escolas de pensamento com traços que ainda hoje estão presentes em todo o mundo e em múltiplas culturas.
Muitas vezes, a influência é também associada a alguém que tem visibilidade e que é seguido por milhares ou milhões de pessoas. Mas quando é que se passa o limiar entre ser-se popular e ser-se influente? Estaremos a confundir os termos?
Ter milhares de pessoas a saber o seu nome é sinónimo de que é influente? Ter milhões de visualizações em reels pressupõe que muitas pessoas se identificam com os seus ideais? Ser uma referência no seu nicho é suficiente para poder ser considerado uma pessoa influente? Talvez, apenas, à última questão se aproxime mais daquilo que é ser influente.
Admito, porém, que ser influente é, de certa forma, também ter seguidores. Platão também tinha os seus discípulos e seguidores da sua escola de pensamento (à medida do seu tempo) na Grécia Antiga. Portanto, à partida, não é o facto de ter seguidores que lhe tira a característica de ser influente, isso é óbvio. Contudo, é a característica de gerar confiança, de as ideias que transmite serem seguidas ou tidas em consideração e vistas como identitárias para outros, bem como a capacidade de influenciar ações e pensamentos, mantendo essa influência no tempo e deixando os seus resíduos, que talvez o torne um verdadeiro influenciador.
Será, assim, uma espécie de capacidade associada à sua forma de comunicar, verbal e até mesmo não verbal, que cativa de tal forma um indivíduo/grupo que lhe permite exercer influência sobre os mesmos.
Para se ser um influenciador também não é preciso ter uma audiência de milhares, pode ter uma pequena comunidade com cerca de 250 pessoas e ser visto como um líder influente para as mesmas.
Isto não é uma desvalorização dos criadores de conteúdos, até porque também tenho projetos próprios que me podem encaixar nessa categoria. É apenas uma crítica à categorização e à ideia, muitas vezes generalizada, do que é ser um influencer digital.
Tendo outra perspetiva em conta, por vezes, esta etiqueta pode até ser um fardo para os criadores, que têm de assumir uma responsabilidade porque, supostamente, são influencers e têm a capacidade de influenciar para o bem e para o mal.
Já a visibilidade traz, consequentemente, alcance e até mesmo notoriedade, mas ser influente, como já referi, pressupõe algo mais.
Em suma, o que defendo é que é possível ser um influenciador no sentido efetivo do termo, com uma comunidade de 250 pessoas, como é possível ter 100 mil seguidores e não o ser. E, na verdade, não tem nem sequer dever nem obrigação de o ser.

