Em defesa do capitalismo

Quem procura interpretar a sociedade atual ficará com a impressão de que, em certo momento da história da humanidade, um grupo de energúmenos de chapéu de coco e charuto terá inventado um sistema chamado capitalismo. O capitalismo seria neste sentido uma forma maligna de exploração do homem pelo homem. É claro que o capitalismo, como qualquer outra realização humana, tem muito que se lhe diga, incluindo um sem número de imperfeições e de excessos.

Dito isto, talvez o maior problema do capitalismo seja o compadrio, como defendido recentemente num artigo académico. O capitalismo assenta em três pilares: a propriedade privada dos meios de produção, a afetação de recursos por via do mercado e a liberdade para participar na atividade económica. Ora, o capitalismo exige um Estado forte e independente. Digamos que o Estado deve definir as regras do jogo empresarial e punir a sua violação. Ora, o que se tem visto, nomeadamente em Portugal?

O que se tem visto é o contrário disto: algumas empresas em vez de atuarem de forma independente do Estado, percebem que é melhor arranjar conluios com o Estado do que competir vigorosamente no mercado. Os casos de conúbio entre o Estado e as empresas são tantos, tão importantes e tão degradantes que a melhor coisa que se pode fazer para melhorar a situação é algo que provavelmente agradará em igual medida aos anti-capitalistas e aos defensores do mercado (e não das empresas, ou de algumas empresas em particular): separar realmente o Estado e o mercado, pedindo ao Estado que faça o seu papel e que deixe o mercado fazer o que lhe compete. Nem mais nem menos.


Por Miguel Pina e Cunha, Diretor da revista Líder

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