O silêncio é assustador. Para a maioria, o medo do silêncio aproxima-os dos ruídos. Mas donde vem este medo? Do reencontro com o Eu. Do medo de perder o controle. Na gestação, o ser em desenvolvimento nutre-se do que recebe, a sua existência é pacífica, neutra e individual. Este ser é completo. Mas, logo que […]
O silêncio é assustador.
Para a maioria, o medo do silêncio aproxima-os dos ruídos.
Mas donde vem este medo?
Do reencontro com o Eu. Do medo de perder o controle.
Na gestação, o ser em desenvolvimento nutre-se do que recebe, a sua existência é pacífica, neutra e individual. Este ser é completo.
Mas, logo que nasce, o ser perde a individualidade e a sua bolha de confiança e proteção, para mergulhar num colectivo exigente, mandatório e repleto de contradições.
Este ruído acompanha o crescimento, molda a personalidade e adormece a essência.
Vai assim perdendo a ligação ao silêncio magnífico, a que todos podem aceder, que nada exige, mas tem em si o potencial da criatividade e da criação, através do amor e da benevolência compassiva e grata de uma paz tranquila, que apenas reside no mais profundo de cada ser humano.
É o retorno ao ser natural, que o silêncio proporciona, que revela, em primeira mão, a si mesmo, e depois ao mundo exterior, a sua autenticidade talentosa, a natureza mais elevada, à qual tanto se ambiciona aceder.
O valor do silêncio
Procurar o silêncio, aprofundá-lo e escutar o seu som, é um dom ao alcance de todos. Requer prática e vontade de se conhecer, mas os ganhos compensam largamente a coragem de se recolher, para mergulhar na sua própria descoberta.
Uma vez feita a escolha e após o reencontro com a sua própria luz, não quererá mais abandonar essa fonte intuitiva de conhecimento e orientação.
Compreenderá como o excesso de ruído, o barulho ensurdecedor que provém de todos os lados ao seu redor, são na sua maioria estímulos inúteis, potenciadores dos desequilíbrios mais diversos. Além de servirem de tampão à sua clareza na reflexão, decisão e acção, seja pessoal como profissionalmente.
Ao contrário, o silêncio é um foco dinâmico para melhores escolhas e para sair do analfabetismo emocional. O caminho que percorrer, os pontos onde a sua atenção se detém, a energia da sua vontade, ou a descoberta da motivação, coragem e resiliência, desvendam o seu propósito e oferecem-lhe a compreensão da sua existência.
E, ao mesmo tempo, poderá alcançar um nível de significado pessoal intrínseco, que justifica o seu percurso.
Como alcançar o silêncio
Não sendo tangível, o silêncio é uma percepção e um estado de consciência.
A sua tangilidade é medida pelas conquistas que alcança, quando comparadas com estados anteriores à prática do silêncio.
O silêncio representa a revelação que o seu próprio corpo guarda.
À medida que se aprofunda nele, a clareza que alcança, a par da vitalidade mental, são uma energia estimulante e revigorante, donde emerge uma visão mais ampla de escolha/acção confiante e consistente, respeitando. O silêncio ensina-lhe também que deve respeitar-se, bem como à sua natureza, valor e limites
Os recursos necessários são muito simples: respiração, relaxamento, recolhimento.
- Respiração
Observar e acompanhar o ritmo de respiração, até alcançar uma respiração pausada, que proporcione ao corpo e à mente, começar a descontrair. Este passo é muito importante, uma vez que é a partir da respiração, que os restantes passos são mais fáceis de ser alcançados.
- Relaxamento
Deixar o corpo libertar-se sem julgamento, sem pressa, sem fazer nada, a não ser relaxar.
- Recolhimento
Com uma respiração tranquila, um corpo e mente serenos, deslizar para um estado de recolhimento, uma ligação para dentro. Procurar o auto-amor, aceitar o não fazer nada, a quietude, a bondade para si mesmo.
O silêncio pode ser assustador. Mas conhecê-lo, é possuir um aliado extraordinário.
Ninguém perde controle por praticar o silêncio. Pelo contrário, quanto maior for a ligação ao silêncio, maior a iluminação para as decisões, bem como a confiança com que são tomadas.
Nesta sociedade assoberbada, ruidosa e desorientada, a citação de Pitágoras (matemático e filósofo grego, considerado o “pai” da matemática): “Escuta e serás sábio. O começo da sabedoria é o silêncio”, vem recordar que o silêncio não é vazio, mas sim a calma onde a criação acontece.
A escola da vida é irrevogável e desafiadora, mas ela contém segredos, que são os atalhos do sucesso. Escutar o silêncio é um desses segredos.


