Paula Resende dedica-se ao desenvolvimento das lideranças com o propósito de querer deixar um Planeta melhor para as gerações vindouras. Para a Executive & Team Coach, Managing Partner na WIF Partners, as lideranças têm um papel fundamental na implementação de políticas equilibradas a nível económico, ambiental, social e humano, que respeitem e gerem valor em todo o ecossistema, seja no Planeta, na organização ou na comunidade.
A liderança sustentável é uma necessidade para as empresas da atualidade?
Sem dúvida! Não é uma moda, mas uma necessidade que obriga à tomada de decisões de longo prazo e a ações imediatas, consistentes e contínuas por parte de cada um de nós.
É urgente que as organizações pensem para além dos resultados imediatos e que implementem modelos de governance que aliem a sustentabilidade económica à sustentabilidade ambiental e social a longo prazo. Isso significa gerar valor para todos os stakeholders da organização. Gosto de pensar que a liderança sustentável tem a ver com ecossistemas: o planeta é um ecossistema, assim como qualquer organização e a comunidade onde está inserida o são. Então, é fundamental liderar com foco na geração de valor em todos esses ecossistemas e inspirar todas as pessoas para que tenham em mente criar valor em todas as suas ações.
Na prática, que vantagens apresentam as empresas que incorporam este tipo de liderança?
A sustentabilidade é um motor de desenvolvimento da empresa. É um ciclo virtuoso a vários níveis que se transforma em crescimento, maior atratividade e relações mais fortes com os stakeholders e, consequentemente, maior fortalecimento da marca. A atração de talento, nomeadamente as novas gerações que valorizam muito a responsabilidade ambiental e social das empresas, é uma dessas vantagens. Conheço alguns casos, maioritariamente geração Z, que me dizem não querer trabalhar em determinadas empresas, por terem práticas abusivas a nível social, humano ou ambiental. Uma empresa estrategicamente alinhada com os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pela ONU) tem, à partida, uma vantagem competitiva muito forte na atração de talento, assim como na construção de relações fortes e de confiança com os seus stakeholders. A nível operacional, por exemplo, a implementação de práticas sustentáveis pode levar à redução de custos operacionais. Além disso, empresas com liderança sustentável têm maior capacidade de inovação e são mais ágeis a responder a crises e a adaptarem-se a mudanças de mercado.
E qual é o papel do coaching nestas matérias?
O coaching tem um papel central ao ajudar os líderes a desenvolver uma visão de longo prazo, focada no impacto positivo.
Através do coaching, os líderes ganham maior consciência e capacidade de mudar as suas perspetivas e ações e desenvolvem as competências necessárias para criar uma Cultura de sustentabilidade na empresa. Essas competências podem passar pelo desenvolvimento de uma Cultura de Growth Mindset, por se libertarem da tão comum microgestão, confiarem no potencial das suas pessoas e criarem uma cultura de corresponsabilização ou, por exemplo, por tomarem consciência e assumirem o impacto das suas decisões. É fundamental que as competências desenvolvidas contribuam para uma organização robusta e sustentável. Acredito que este é o caminho para que a liderança sustentável esteja no centro da organização influenciando as decisões, e que sem um acompanhamento desafiador e focado como o do coaching é muito mais difícil assegurá-lo.


