A Aliança Democrática (AD) venceu com margem confortável as legislativas deste domingo, afirmando Luís Montenegro como vencedor indiscutível da noite. O líder da coligação entre PSD e CDS reforçou a sua posição à direita e deixou o Partido Socialista (PS) e o Chega a discutir, voto a voto, o segundo lugar. Pedro Nuno Santos não […]
A Aliança Democrática (AD) venceu com margem confortável as legislativas deste domingo, afirmando Luís Montenegro como vencedor indiscutível da noite. O líder da coligação entre PSD e CDS reforçou a sua posição à direita e deixou o Partido Socialista (PS) e o Chega a discutir, voto a voto, o segundo lugar.
Pedro Nuno Santos não conseguiu evitar a queda: o Partido Socialista caiu para valores abaixo das últimas legislativas e viu-se empurrado para uma disputa apertada com o Chega, que cresceu e consolidou o seu peso como força nacional. Uma nova geometria no Parlamento começa a desenhar-se.
A Iniciativa Liberal manteve-se firme como quarta força, resistindo ao voto útil e garantindo uma bancada com expressão. O Livre voltou a crescer, afirmando-se como um partido de causas, sobretudo urbanas.
À esquerda, a CDU inverteu o declínio das últimas eleições e ultrapassou o Bloco de Esquerda. O resultado, ainda modesto, marca porém um regresso simbólico da influência comunista à frente do partido de Mariana Mortágua, que não escondeu o desgaste da campanha. O PAN manteve-se no parlamento com um deputado e o JPP ganha pela primeira vez lugar com assento.
A abstenção voltou a subir ligeiramente, situando-se entre os 35% e 36%. Um sinal de cansaço — ou de distância — entre o eleitorado e a classe política, numa eleição antecipada que poucos pediram mas todos sentiram.
Rumo às urnas
A jornada eleitoral decorreu com normalidade na maioria das freguesias, mas foi abalada por um episódio de violência em Alfama. Miguel Coelho, autarca do Partido Socialista e Presidente da freguesia de Santa Maria Maior, apresentou queixa por agressão, alegando ter sido empurrado ao chão por um homem que, segundo o seu testemunho, gritava «Vota Chega». O caso está a ser acompanhado pelas autoridades.
Ao longo do dia, os líderes dos principais partidos passaram pelas urnas, reforçando a importância do voto e apelando à mobilização. Nas ruas, o ambiente foi contido. Sem euforias visíveis, sem grandes manifestações espontâneas. Apenas o passo arrastado de um país habituado a votar entre o cansaço e a expectativa.
Fotografia: Governo de Portugal


