No cenário de incerteza económica e empresarial em que vivemos, não só em Portugal como em todo o mundo, temos de desafiar o paradigma da liderança perfeita. Não quero alimentar egos ou propagar o mito de que os líderes são inatingíveis. Estou aqui para dizer, com a minha certeza, que não há lideranças perfeitas. E […]
No cenário de incerteza económica e empresarial em que vivemos, não só em Portugal como em todo o mundo, temos de desafiar o paradigma da liderança perfeita. Não quero alimentar egos ou propagar o mito de que os líderes são inatingíveis. Estou aqui para dizer, com a minha certeza, que não há lideranças perfeitas. E isto tem de ser visto como um facto positivo.
O vício pela perfeição na liderança é, na verdade, um vírus que paralisa o progresso e a inovação. Esperar que os líderes sejam infalíveis é negar a nossa humanidade e resistência à mudança. Muitas organizações cederam à procura descontrolada pela perfeição e ficaram esquecidas nas memórias da história corporativa.
A verdade é que os líderes são, antes de mais nada, seres humanos. E seres humanos cometem erros. Cometem erros nas suas vidas pessoais, nos seus relacionamentos e, claro, no local de trabalho. A liderança não é uma exceção a esta regra. E é exatamente a imperfeição que torna os líderes genuínos e eficazes.
Aqueles que abraçam a imperfeição têm uma capacidade rara e valiosa: a de aprender com os erros. Em vez de esconder ou negar falhas, reconhecem-nas, enfrentam-nas e transformam-nas em oportunidades de crescimento. E isso é algo que os líderes que se consideram “perfeitos” simplesmente não conseguem fazer, porque, para eles, a ideia de cometer um erro é inaceitável.
A liderança autêntica, fundamentada na imperfeição, é poderosa. Encoraja a honestidade, a abertura e a confiança. Quando os líderes partilham as suas próprias lutas e fracassos, criam um ambiente onde os outros se sentem à vontade para fazer o mesmo. Isso é o que gera verdadeira conexão, criatividade e inovação.
Além disso, líderes que aceitam a imperfeição têm uma maior resiliência. Não se deixam ir abaixo quando as coisas correm mal, porque sabem que a vida é repleta de desafios e adversidades. Para eles, as crises são oportunidades para crescer e aprender, não ameaças à perfeição ilusória.
Com isto, não quero dizer que a liderança deve ser negligente ou incompetente. A liderança exige habilidades, visão e ética. No entanto, essas qualidades não precisam de ser perfeitas, apenas autênticas. Líderes devem esforçar-se para melhorar constantemente, mas não à custa da sua humanidade.
Então, em vez de querermos ser líderes “perfeitos”, devemos celebrar as lideranças imperfeitas que desafiam a norma e lideram com autenticidade, coragem e empatia. A revolução que precisamos não é a procura desesperada pela perfeição, mas sim a aceitação da nossa imperfeição humana. A liderança imperfeita é o melhor caminho para um futuro mais positivo para os negócios.


