O coaching na era digital

O empurrão digital, em consequência da pandemia, normalizou o coaching à distância, em Portugal. O aparecimento de plataformas internacionais de coaching digital deu-se antes da pandemia, tendo tido um contributo relevante para a democratização e venda massiva de serviços de coaching.

O coaching chegará a cada vez mais pessoas, que poderão assim beneficiar também da sua eficácia e resultados.

Pressionará o reconhecimento da profissão e a exigência de qualificações profissionais, a subscrição de um código de ética e a respetiva credenciação por uma entidade isenta, papel que tem vindo a ser desempenhado sobretudo pela ICF, International Coach Federation.

O recurso ao digital abre um mundo de possibilidades com potencial para aumentar o recurso ao coaching, num movimento equivalente ao que ocorreu com a formação profissional presencial, o e-learning e o b-learning.

O coaching coexistirá nos seus diferentes formatos: em canal presencial, digital e blended. O conceito de coaching assíncrono, baseado na troca de mensagens e e-mails, é já uma realidade, quer como complemento ao coaching síncrono, quer como um serviço autónomo e diferenciado. O caminho das abordagens transacionais em coaching estará cada vez mais facilitado pela tecnologia.

A disponibilização de serviços de coaching em larga escala, tenderá a reduzir cada vez mais o envolvimento humano, oferecendo pacotes mais económicos à medida que a tecnologia se tornar uma commodity. A exploração da aplicação de tecnologias como avatars, realidade virtual, emotional artificial intelligence, gamification, bots, maching de perfis, entre outras, será crescente, acompanhando o seu desenvolvimento noutras indústrias.

Haverá, tal como em todos os produtos e serviços, clientes para serviços de coaching mais exclusivos e personalizados, em interação com um coach, em presença, em videoconferência ou em holograma, e clientes para serviços de coaching mais globais.

Programas que integram o coaching – digital, presencial ou blended – como parte de uma estratégia de desenvolvimento vertical de líderes e que ofereçam uma experiência integrada com outras componentes de apoio e desafio, serão cada vez mais procurados.

A tecnologia permite já proporcionar experiências que aceleram a evolução das mentalidades e o alinhamento com um quadro de referência baseado nas melhores práticas de liderança a nível mundial.

Acreditamos que a utilização da tecnologia poderá contribuir de forma relevante para a criação de uma consciência mais elevada, onde os temas da responsabilidade social, diversidade, ecologia e o bem comum estejam cada vez mais na ordem do dia das empresas, a par com objetivos de negócio e com o bem- -estar das pessoas que nelas trabalham.

Os programas de desenvolvimento vertical, onde o coaching tem um papel muito relevante, com a inclusão de vertentes cada vez mais avançadas tecnologicamente, contribuirão para essa evolução, ao criar condições e estímulos para uma progressão acelerada nos estágios de maturidade de qualquer adulto.

Essa evolução abrangerá progressivamente uma consciência mais vasta do coletivo e do papel de cada sistema individual e coletivo.

Até ter clareza do seu propósito mais elevado e do contributo das empresas e instituições para o bem comum e para a sustentabilidade do Planeta.

Artigo publicado na edição de verão da revista Líder.

Por Aida Chamiça, Co-Founder da Break Heaven e Vítor Figueiredo Marques, Co-Founder da Break Heaven

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