A morte de Odair Moniz é um tema importante por razões óbvias: a polícia serve para proteger os cidadãos e não para os matar. Recordemos, no entanto, que nos Estados de direito, é do Estado o monopólio da violência. Esse monopólio implica um inexcedível sentido de responsabilidade. Sabe-se que as forças policiais portuguesas nem sempre […]
A morte de Odair Moniz é um tema importante por razões óbvias: a polícia serve para proteger os cidadãos e não para os matar. Recordemos, no entanto, que nos Estados de direito, é do Estado o monopólio da violência. Esse monopólio implica um inexcedível sentido de responsabilidade. Sabe-se que as forças policiais portuguesas nem sempre têm sido impecáveis na matéria. Devemos exigir que sejam.
Por isso e para isso, quando há abusos, compete às instituições julgar os desvios e atuar. É isso que agora se exige. A proteção da honra e do bom nome das polícias é um bem. Exige uma atuação rigorosa e sem corporativismos. Uma pessoa morreu: é isso que está em causa. O que se viu até agora sugere, todavia, que a pressão sobre as instituições não tem necessariamente o objetivo de as melhorar e de exigir que as polícias façam bem o seu trabalho. Os aproveitamentos têm sido descarados: da tese do bandido à do homem bom cada um escolhe o fato narrativo que melhor serve os seus interesses. Os partidos que tiram partido destas desgraças prestam um mau serviço à democracia e à saúde das instituições. Compete-lhes fazer o seu trabalho em vez de acirrar os ânimos com intuitos eleitoralistas.
De resto, este é tempo de justiça para todos os envolvidos: a família da vítima, os agentes envolvidos, os desordeiros e as vítimas dos seus estragos, os pobres dos bairros que veem as suas vidas alteradas pela violência, bem como a própria comunidade nacional. Convinha que, por uma vez, a justiça fosse célere e clara. Será pedir muito?
P.S. Para proteção de todos, incluindo dos agentes, dotar as forças policiais das tecnologias apropriadas, como tasers e bodycams é algo que merece ser discutido

