A política portuguesa lembra por vezes aqueles jogos de futebol cujos participantes estão mais preocupados em não deixar jogar e pedir cartões para o adversário do que em fazer o seu trabalho. Torna-se tão cansativa e maçadora como esses jogos. Para tudo agravar, tanto o futebol como o comentário político têm palco permanente nos canais […]
A política portuguesa lembra por vezes aqueles jogos de futebol cujos participantes estão mais preocupados em não deixar jogar e pedir cartões para o adversário do que em fazer o seu trabalho. Torna-se tão cansativa e maçadora como esses jogos. Para tudo agravar, tanto o futebol como o comentário político têm palco permanente nos canais ditos de informação, cheios de comentadores. O mesmo acontece com os jornais, onde vemos os mesmos atores a dizer as mesmas coisas. Porque é preciso pagar para os ler, também por aí deverá passar a crise da imprensa.
Era bom que os nossos dirigentes percebessem quão cansativas são estas guerras de alecrim e manjerona e se pusessem de acordo em relação a matérias como a saúde, a educação, as greves à sexta-feira e a TAP, entre outras. Já não se aguenta o jogo do faz-desfaz-refaz. Creio que o povo quer um sistema de saúde que funcione e que não nos arruíne; quer uma TAP que voe, que não passe a vida em greves e que, já agora, dê lucro em vez de prejuízo. Se a empresa é pública ou privada é uma questão que interessa pouco à maioria.
Seria bom que em vez de procurarem diferenças em ideologias teóricas, os partidos maiores se entendessem sobre o que interessa na prática. E aí, sim, poderiam dizer que governam para o país e o povo – o de hoje e o de amanhã. Este grão do povo que assina ficaria feliz. E não seria o único, provavelmente. Eis o meu desejo de Ano Novo. Antes disso, bom Natal!

