O tempo de Pandemia fez tornar crucial a capacidade de pensamento estratégico a curto prazo, mas é necessário equilibrar com a reflexão e planeamento de longo prazo. É este o conselho de Dorie Clark, autora e professora, no seu Livro “The Long Game – How to be a long-term thinker in a short-term world”, em […]
O tempo de Pandemia fez tornar crucial a capacidade de pensamento estratégico a curto prazo, mas é necessário equilibrar com a reflexão e planeamento de longo prazo. É este o conselho de Dorie Clark, autora e professora, no seu Livro “The Long Game – How to be a long-term thinker in a short-term world”, em que procura quebrar o ciclo interminável o planeamento tarefa a tarefa, e reformular hábitos de pensamento. Em entrevista à Reuters, publicada pelo World Economic Forum (WEF), a autora aborda como, pessoas e organizações, devem pensar no que está para vir dentro de cinco a dez anos, e com isso alcançar o sucesso.
Por que sentiu que este livro precisava ser escrito?
Qualquer um que observe o cenário de negócios conhece as pressões dos lucros trimestrais e como estas conduzem a tomar decisões erradas. Muitos executivos estão cientes do preço das ações e são incentivados com base nisso. O pensamento de curto prazo é uma consequência natural, mas muitas vezes não são essas as decisões certas a longo termo. O mesmo é verdade nas nossas vidas. É natureza humana estarmos programados para a gratificação instantânea, e, a maior parte do tempo, temos de estar conscientemente a ignorar isso.
De que maneira o COVID afetou a sua premissa?
Quando o COVID surgiu, o pensamento de curto prazo era tudo o que podíamos fazer. E tem certamente um lugar – nós precisávamos de ser ágeis, responder e gerir conforme necessário. Mas também é verdade que nós não podemos estar sempre no modo de curto prazo. Este é o momento de estabelecer limites e fazer um esforço para recuperar o pensamento de longo prazo.
Pode dar um exemplo de como o pensamento de longo prazo pode levar à inovação?
Jeff Bezos disse que o segredo do sucesso (da Amazon) era que estavam dispostos a investir num horizonte a sete anos, enquanto a maioria das empresas investe num horizonte de três anos. Assim, podiam enveredar em projetos grandes e ambiciosos que poderiam não ter lucro por vários anos. No início, esses projetos podem parecer fracassados. Mas quando se está disposto a persistir no período anterior ao dos resultados, é isso que permite construir algo duradouro
A maioria das pessoas sente que não tem tempo para um pensamento estratégico a longo prazo. O que lhes diria?
Faz sentido sentir-se dessa maneira. Mas um dos princípios-chave é fazer pequenos esforços que o sustentam. Há um ditado que diz sobrestimarmos o que podemos fazer num dia, mas subestimarmos o que podemos fazer num ano. É exponencialmente verdadeiro se estivermos a falar num horizonte de tempo de 10 anos ou mais.
Como podemos criar esse espaço nas nossas vidas, para planearmos daqui a dez ou 20 anos?
Por mais que se queira, não irá acontecer se não se criar o espaço mental e a largura de banda (bandwidth) (capacidade cognitiva e controlo executivo) para se envolver totalmente. Não se trata necessariamente de reservar grandes períodos de tempo, mas de criar espaço suficiente para que não fique a correr como uma galinha com a cabeça cortada. Há uma estratégia famosa no Google chamada ‘20% time’, em que os funcionários são convidados a passar 20 por cento do seu dia em projetos experimentais, fora do seu trabalho regular. Eu diria que todos devemos adotar esta estratégia para nós próprios. Esteja vigilante ao priorizá-la e encontre tempo de forma consistente, e fará sentido. Mesmo que seja um fracasso, não é o fim do mundo. Invista tempo e esforço, e talvez se possa transformar em algo bom.
O que diz a quem não sabe por onde começar?
Se não está habituado ao pensamento estratégico na sua própria vida, por que passa muito tempo em modo cabisbaixo (heads-down mode), pode nem ter noção para onde quer ir. Gosto de aconselhar as pessoas a baixar as expectativas e a ser gentis com elas próprias. Não é preciso saber as respostas para as grandes questões existenciais da vida. O que sugiro como alternativa é: ‘O que considero interessante?’ É muito mais fácil de responder. Olhe para o horizonte, veja onde está o seu interesse e aprofunde-o. É assim que aprende mais sobre si próprio e reúne os dados para descobri onde deseja ir.

