Trump está de volta. Para fazer a América grande outra vez. Há boas razões para detestar o homem, mas o povo escolheu. Agora que a realidade se consuma, apoio-me nas ideias de dois dos meus colunistas favoritos, Gillian Tett e Gideon Rachman, ambos do Financial Times, para expressar um par de desejos. Primeiro, que a […]
Trump está de volta. Para fazer a América grande outra vez. Há boas razões para detestar o homem, mas o povo escolheu. Agora que a realidade se consuma, apoio-me nas ideias de dois dos meus colunistas favoritos, Gillian Tett e Gideon Rachman, ambos do Financial Times, para expressar um par de desejos.
Primeiro, que a Constituição prevaleça. Trump espera lealdade a si mesmo mais do que à Constituição. Trata-se de uma ideia perigosa. A fidelidade canina ao líder é uma ideia de autocratas. Importa por isso que Trump se eleve acima do seu narcisismo e perceba que lhe compete governar o país e não os seus apaniguados. Importa que os que o detestam percebam porque e onde falharam. E importa que a imprensa, lá como cá, saia da trincheira e procure descodificar o mundo na sua complexidade em vez de defender as causas em que acredita. Uma imprensa de causas não melhora o mundo.
Segundo, importa que Trump não vá vingar-se das instituições em que se baseia a grandeza dos EUA. Citando Rachman: as suas grandes universidades, as forças armadas, a Reserva Federal, a imprensa livre, o establishment científico. Sem elas a América não seria a América.
Importa em suma – e agora socorro-me de Tett – que o presidente recorde Adam Smith, o intelectual escocês do século XVIII que defendeu o mercado livre baseado em sentimentos morais – a confiança e o estado de direito. Sem estes, restam os sentimentos imorais. Aguardemos, mas sem grandes expectativas.

