Sim, aconteceu a 19 de junho de 2020…! A população de animais selvagens diminuiu 68% entre 1970 e 2016 a nível mundial (94% na América do Sul). A desflorestação da Amazónia acontece ao ritmo de três campos de futebol por minuto. Segundo o Banco Mundial, a produção de lixo poderá aumentar 70% até 2050. Segundo […]
Sim, aconteceu a 19 de junho de 2020…! A população de animais selvagens diminuiu 68% entre 1970 e 2016 a nível mundial (94% na América do Sul). A desflorestação da Amazónia acontece ao ritmo de três campos de futebol por minuto. Segundo o Banco Mundial, a produção de lixo poderá aumentar 70% até 2050. Segundo as Nações Unidas, a população mundial aumenta 1,5 milhões de pessoas por semana.
Chega para percebermos a urgência ambiental do Planeta? Chega, claro! No dia e no local onde provavelmente a maior parte de nós está a ler este artigo, já estamos todos despertos para esta urgência. Já reciclamos lixo em casa, procuramos a mobilidade elétrica e ensinamos hábitos de “bom comportamento ambiental” aos nossos filhos. A má notícia é que isso não chega… É preciso uma mobilização global da sociedade e uma transformação profunda dos fundamentos do modelo económico e social que nos trouxe até aqui: o capitalismo ocidental vigente no pós 2.ª Guerra Mundial.
Mas há também boas notícias! Uma boa notícia é que a mudança de comportamento dos consumidores está a colocar uma enorme pressão nos políticos e nas empresas. A incapacidade global dos estados de resolver estes desafios tem gerado uma pressão maior para que as empresas desempenhem um papel cada vez mais relevante na sociedade à sua volta. Inclusão social, ética e moral, responsabilidade ambiental, mobilidade, melhor distribuição de riqueza, educação, assistência à saúde, diversidade cultural. Estas são a exigências do “caderno de encargos” que a sociedade está a entregar às empresas.
E o nosso dia-a-dia atarefado ainda aguenta com mais esta missão? Utilizando uma frase que ficou famosa, “Ai aguenta, aguenta…” Por que não aguentar, se não tivermos um propósito para além dos números, as nossas organizações vão ficar obsoletas. E ninguém quer ser obsoleto, pois não? Porque isso tem um impacto enorme nas nossas vidas, nas dos nossos colaboradores, nas nossas famílias e em toda a rede que tocamos.
Estamos na era das purpose driven organizations, movidas por uma consciência mais global do seu papel no mundo e empurradas pela pressão dos novos consumidores. Organizações em que o triple bottom line (lucro, pessoas e sustentabilidade) passou a ser a sua métrica de sucesso. A outra boa notícia é que há três revoluções a acontecer no mundo: a revolução Digital, a transição Energética e a revolução da Sustentabilidade. Necessidade, engenho e… meios. Tudo junto!
Nunca a Humanidade teve tantas ferramentas à sua disposição para transformar o mundo. Aquilo a que chamamos de economia digital é a maior caixa de ferramentas que já alguma vez tivemos para transformar a nossa relação com o Planeta. Inteligência artificial, IoT, cloud, e-commerce, realidade virtual, 5G (entre outros) têm um potencial inimaginável de aumento da eficiência global, promoção da economia circular e redução da pegada de carbono.
Estamos a chegar ao ponto de viragem em que a Tecnologia nos permite, não só reduzir o impacto ambiental das atividades económicas, como até revertê-lo. E de forma economicamente lucrativa!
A Economia que “cura” o Ambiente é, na minha opinião, a chave para combater a urgência climática. Não é por acaso que o Green Deal Europeu foi apontado como um dos motores da recuperação económica da Europa. Ainda bem que cuidar do Ambiente já é um bom negócio!

Por Pedro Faustino, Managing Director na Axians Portugal


