A entrevista televisiva do primeiro-ministro, esta semana, como de outros primeiros-ministros noutros anos, parece por vezes revelar uma trágica condição portuguesa: o nosso agrilhoamento ao passado. Em Portugal parecemos passar a vida a falar do passado e das suas implicações para o presente. O nosso país, por isso, parece um local sem futuro. Eis alguns […]
A entrevista televisiva do primeiro-ministro, esta semana, como de outros primeiros-ministros noutros anos, parece por vezes revelar uma trágica condição portuguesa: o nosso agrilhoamento ao passado. Em Portugal parecemos passar a vida a falar do passado e das suas implicações para o presente. O nosso país, por isso, parece um local sem futuro.
Eis alguns exemplos de temas recorrentes na atualidade noticiosa: as progressões dos professores; as greves dos transportes públicos que se repetem todos os anos; a falta de médicos e as filas nos hospitais; as casas velhas e o mercado habitacional deficitário; o défice propriamente dito; as forças armadas mal equipadas; o incipiente crescimento económico. E, claro, o aeroporto de Lisboa e a TAP. Mesmo quando um problema público se torna privado, ele acaba por voltar ao público como uma assombração até ao fim dos tempos.
Com tanto passado na agenda, não resta tempo nem energia para pensar e preparar o futuro. E, no entanto, isso é liderança: a capacidade de imaginar e concretizar um desejo de futuro. Em Portugal andamos demasiado ocupados com o passado para pensarmos o futuro. E por isso, como no filme Groundhog day, estamos condenados a viver o mesmo tempo todos os dias, sem nunca passar ao futuro.

