De que forma os dados se ligam com os Media? E como se pode assegurar que a informação que a sociedade produz e consome é verdadeira? Vivemos o tempo de conectar os dados e construir as pontes entre o abstrato e o Mundo real, para a construção de uma sociedade assente na verdade. Para Miguel […]
De que forma os dados se ligam com os Media? E como se pode assegurar que a informação que a sociedade produz e consome é verdadeira? Vivemos o tempo de conectar os dados e construir as pontes entre o abstrato e o Mundo real, para a construção de uma sociedade assente na verdade.
Para Miguel de Castro Neto, Dean da NOVA IMS, o valor dos dados é hoje inquestionável e o papel da Academia e investigação é «pegar em dados, que é algo abstrato, como zeros e uns, e conseguir transformá-los em objetos que suportam a tomada de decisão».
Na última década, e cada vez mais, se assiste a uma «crescente capacidade de recolha e armazenamento de dados» cuja potencialidade de processamento e analise foi agora «extraordinariamente potenciada pela Inteligência Artificial, particularmente a Generativa», acrescenta.

O valor dos dados e a ligação com os Media, serviu de mote a uma conversa entre Miguel Neto e Francisco Pedro Balsemão, CEO do grupo Impresa, com a moderação de Rita Neves, jornalista da Sic. O momento teve lugar na segunda edição do Data with Purpose Summit, evento que aconteceu na reitoria da NOVA Information Management School (IMS), em maio, sob o tema Time to Reconnect.
Os dados como uma valiosa fonte de informação
No meio jornalístico, os dados são essenciais e é crucial assegurar que a informação que se divulga é verdadeira. Como se faz isso?
«É preciso haver uma cultura dentro de cada empresa a esse nível, e cada organização tem a sua forma de fazer, não há uma fórmula única», partilha Francisco Pedro Balsemão. Para o gestor, «os dados são, cada vez mais, uma golden source of truth», e por isso, melhorar a sua arquitetura de armazenamento é uma prioridade do Grupo Impresa.

O foco está em centralizar os dados e torná-los confiáveis para todos. «A parte da confiança é a mais importante, e ao darmos o exemplo internamente, para todo o Grupo, ajuda a que os dados sejam usados de uma forma mais proveitosa», o que se reflete até no trabalho da redação quando define um plano de conteúdos.
Na perspectiva de Miguel Neto, os Media têm hoje de conseguir «navegar num crescente mundo de dados e produzir informação que transmita autoridade e fiabilidade». O desafio da governação dos dados é tornar possível «navegar num mundo em que se consiga distinguir o que é verdadeiro e falso, aproximar as pessoas e usar argumentos validos e sólidos para discutir e construir uma sociedade em comum», refere.
O papel dos dados no apoio ao sistema de tomada de decisão, e no «desafio analítico de descrever o passado e prever o futuro», não está apenas direcionado para a «criação e valor», mas para «ter impacto e transformar a vida e a sociedade».

E acrescenta: «Em vez de petróleo, eu considero os dados como o sol o século 21. Os dados têm a vantagem de não ser um combustível fóssil, não os gastamos quando os usamos, e estando bem governados, podemos usá-los vezes sem conta».
Quanto às ameaças, Francisco Pedro Balsemão refere o perigo da desinformação e dos deepfake como uma realidade, não só nos meios de comunicação, mas também nas empresas. Grupos de media e jornalistas devem «saber como usar a Inteligência Artificial e a Generative AI», sem «nunca se substituir aos jornalistas».
Realça também a necessidade de uma «maior literacia mediática», no consumo de conteúdos e notícias. As notícias correm a uma «velocidade muito rápida», e as pessoas devem distinguir a origem das informações, sob a pena de estar a contribuir para uma «das coisas mais perigosas da sociedade portuguesa».
Para Miguel Neto, acrescendo aos cuidados na recolha e uso dos dados, e as questões de cibersegurança, ética, privacidade e propósito, no uso de modelos de IA, é imperativo que o cumprimento destes princípios «não seja bloqueador da inovação».
«Neste momento, a Europa tem um grande desafio que é recuperar a sua competitividade nesta área, na medida em que há outros blocos económicos que nos estão a colocar um pouco atrás. O desafio mais importante é garantir que respeitamos estas preocupações, e ao mesmo tempo conseguir inovar, ser competitivos e liderar à escala global este setor», conclui.

O final da conversa foi marcado pela assinatura de um protocolo de parceria entre o Grupo Impresa e a Nova IMS para criação do Media& Analytics Lab, nas instalações da Impresa. Será o primeiro Laboratório da NOVA IMS a funcionar fora de portas, dedicado à inovação e aplicação da Ciência de Dados no jornalismo e na comunicação social. A cooperação considera ainda a criação do primeiro curso de Data Journalism (jornalismo de dados), em Portugal.
Assista ao debate completo aqui:
Miguel de Castro Neto, Francisco Pedro Balsemão, Rita Neves – Welcome Talk
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