Foi no dia 28 de maio que Portugal atingiu o Dia da Sobrecarga da Terra, o que significa que o país já está, desde então, a utilizar os recursos naturais previstos para 2025. Esta data é um alarme para a necessidade de repensar o nosso consumo e gestão de recursos. Os cálculos da Global Footprint […]
Foi no dia 28 de maio que Portugal atingiu o Dia da Sobrecarga da Terra, o que significa que o país já está, desde então, a utilizar os recursos naturais previstos para 2025. Esta data é um alarme para a necessidade de repensar o nosso consumo e gestão de recursos.
Os cálculos da Global Footprint Network também informam que os recursos naturais do Planeta vão esgotar-se no dia um de agosto, um dia mais cedo do que em 2023. De acordo com a organização, a Humanidade vai usar em sete meses o que a Terra demora 12 meses a regenerar.
Um fator significativo neste contexto é o desperdício alimentar, dado que a produção de alimentos exige uma quantidade considerável de recursos naturais, tais como água, solo e energia. Em Portugal, desperdiçam-se anualmente 1,8 milhões de toneladas de alimentos e o consumo de alimentos contribui significativamente para a pegada ecológica, representando cerca de 30% do total.
O verdadeiro impacto ambiental da produção e desperdício alimentar depende dos recursos utilizados e das emissões de CO2 geradas ao longo do ciclo de vida dos alimentos. De acordo com a World Wide Fund for Nature (WWF), 40% de toda a comida produzida no Mundo é desperdiçada, o equivalente a cerca de 2.5 mil milhões de toneladas por ano.
Este desperdício contribui significativamente para as emissões globais de gases de estufa, representando 10% do total. Além disso, a produção de alimentos que acabam por ser desperdiçados consome mais de um quarto da água doce disponível anualmente e ocupa uma área de terra maior que a da China.
O peso da indústria alimentar no ambiente é maior do que se possa pensar
Conforme demonstrado numa investigação conduzida pela Global Footprint Network, 72% da população mundial vive em países que enfrentam um duplo desafio em termos de recursos. Estes países têm um défice de recursos biológicos (em que a procura de recursos biológicos excede a regeneração) e geram rendimentos inferiores à média mundial, o que limita a sua capacidade de adquirir recursos adicionais nos mercados globais.
Na União Europeia, a forma como os alimentos são fornecidos e consumidos representa a maior parte da sua pegada ecológica, com cerca de 30%. O estudo aponta para a necessidade de conceber, aplicar e fazer cumprir políticas em cada fase da cadeia de abastecimento alimentar para avançar no sentido do Pacto Ecológico Europeu e da estratégia “do prado ao prato”.
O impacto ambiental da produção de alimentos também varia significativamente de acordo com o tipo de alimento. Por exemplo, a carne de vaca tem uma pegada de carbono particularmente alta, emitindo aproximadamente 27 kg de CO2 por kg de carne e requer cerca de 15.415 litros de água por kg (Food Unfolded/CAG).
Da mesma forma, o queijo também tem uma pegada de carbono considerável, emitindo cerca de 13,5 kg de CO2 por kg (Better Meets Reality) e utilizando aproximadamente 3.178 litros de água por kg (Food Unfolded/CAG).


