Por estes dias tem havido vagas de indignação sobre a intervenção da PSP no Martim Moniz. Mesmo os que reclamavam a intervenção da polícia vieram queixar-se da mesma. A polícia é frequentemente presa por ter cão e por não ter. É claro que ver pessoas encostadas à parede nos dá arrepios numa sociedade democrática, como […]
Por estes dias tem havido vagas de indignação sobre a intervenção da PSP no Martim Moniz. Mesmo os que reclamavam a intervenção da polícia vieram queixar-se da mesma. A polícia é frequentemente presa por ter cão e por não ter. É claro que ver pessoas encostadas à parede nos dá arrepios numa sociedade democrática, como também é claro que alguns agentes abusam do seu pequeno poder. Ainda há dias vi um agente “crescer” para um teenager quando este atravessava a rua à saída de um jogo de futebol. Mas como ambos eram brancos foi apenas um pequeno abuso que passou com uns comentários dirigidos pela multidão ao “agente da autoridade”.
Mas há aqui dois temas que merecem atenção. Primeiro a imigração. Para as almas piedosas da esquerda todos os imigrantes são bons, uns quase-santos. Isto provavelmente inclui os membros do PCC que por cá já andam. Para as almas piedosas da direita há que proteger a cultura cristã destes estranhos com estranhos hábitos. A verdade é que precisamos de um ponto de equilíbrio. Este dezembro passei dois dias em trabalho em Edimburgo. No táxi do aeroporto para a cidade o motorista perguntou-me de onde eu era. Quando respondi mostrou, para minha surpresa, muito interesse pelo nosso país. As pessoas do Paquistão, de onde ele vinha, tinham muito interesse por Portugal, explicou-me, por ser aquele país onde era mais fácil obter entrada na Europa – para depois ir para a Europa que interessa. Não sei se é verdade, mas foi o que ele disse. Mais uma vez socorramo-nos de António Barreto: “Ter medo da imigração é ter medo da liberdade. Deixar correr as migrações é destruir a liberdade”. É assim tão difícil de perceber? Como explicou o meu colega José Ferreira Machado, a imigração económica não é um problema moral.
Segundo ponto: a ação da polícia tem sido instrumentalizada por todos os quadrantes políticos. De repente apareceram especialistas na matéria em todos os canais. Francamente, não sei como se desenha uma operação policial e fico espantado com tanto conhecimento que aí estava por revelar. Como diria o outro, deixem a polícia trabalhar. Se houver abusos haverá, espero, quem os possa escrutinar. Também me parece que este comentariado que por tudo se indigna também fragiliza as instituições, nomeadamente as polícias.
O meu top 2024 parte 2: livros
- Autocracia Inc, de Anne Applebaum (Dom Quixote)
- Um copo de vinho no exílio, Li Po (Licorne)
- O manifesto capitalista, de Johan Norberg (Guerra e Paz)
- Como ler as pessoas, de David Brooks (Desassossego)
- The corporation in the 21st century, de John Kay (Profile)
- Como saciar um ditador, de Witold Szablowski (Zigurate)
- Tal como és, de Ryokan (Assírio & Alvim)
- M, Mussolini, vol.4, de Antonio Scurati (Asa)
- Dobra, de Adília Lopes (Assírio & Alvim), in memoriam
