O fim do ano é uma época que evoca reflexão e autoavaliação. Para as empresas, isso traduz-se em relatórios, contas fechadas e planos que ganham forma para o ciclo seguinte. Num mercado em transformação acelerada, os estudos mais recentes mostram que o futuro das marcas já não se constrói apenas com campanhas: depende de confiança, criatividade humana, uso responsável de dados e relações autênticas com os consumidores. Para os líderes, isto implica rever prioridades, reconfigurar investimentos e adotar uma nova mentalidade sobre o que realmente gera valor.
O marketing de 2026 será moldado por três pilares: tecnologia (IA e dados), humanidade (propósito e autenticidade) e agilidade estratégica. As marcas que conseguirem integrar estes três eixos – simplificando processos, criando experiências relevantes e comunicando com transparência – estarão mais bem posicionadas para crescer num mercado em rápida transformação.
1. IA e dados responsáveis no centro da estratégia
A Inteligência Artificial deixa de ser um recurso experimental para se tornar estrutural nas operações das marcas. O relatório Marketing Trends 2026 da Kantar destaca temas como AI-native decision-making e uso de synthetic data, reforçando a necessidade de dados de qualidade e transparência.
Segundo o estudo Voice of a CMO, 99% dos diretores de marketing já utilizam IA e 89% recorrem a IA generativa em conteúdos e publicidade. Esta tendência reforça o papel da governança de dados.
2. Autenticidade e propósito como diferenciação
Com a fadiga digital e a saturação de conteúdos, o marketing está de volta ao essencial: confiança, consistência e relevância. Existe um movimento crescente de ‘desautomatização’ do marketing, defendendo uma divisão equilibrada de 60% para marca / 40% para performance, de acordo com a Forbes. O foco passa por narrativas duradouras, presença consistente e mensagens alinhadas com valores verificáveis.
Na parte emocional e humana, encontraremos, cada vez mais, nos produtos digitais, interfaces simples, mais ‘quentes’ e imperfeitas.
3. Experiências imersivas e omnicanal
A integração entre o físico e o digital vai continuar a acelerar, com tecnologias como realidade aumentada e virtual a tornarem-se parte natural das experiências de compra e de relacionamento. Segundo a consultora Rizco, campanhas que utilizam três ou mais canais têm quase quatro vezes mais engagement do que estratégias numa única plataforma. Esta é a era do phygital.
4. Agilidade estratégica e aprendizagem contínua
O marketing deixa de funcionar em ciclos anuais e passa a estruturar-se em modelos de experimentação contínua: test-learn-optimize. A Content Marketing Institute mostra que os líderes de marketing mais eficazes criam fundamentos claros com IA como suporte, e não como substituto da criatividade humana. A capacidade de adaptação rápida será determinante num ambiente cada vez mais volátil.
5. Sustentabilidade e ética como critérios de escolha
Os consumidores estão mais atentos ao impacto ambiental e social das marcas, valorizando transparência, práticas responsáveis e autenticidade. A tendência não é apenas reputacional – influencia a decisão de compra e a relação a longo prazo entre marca e consumidor.
Este artigo foi publicado na edição nº 32 da revista Líder, cujo tema é ‘Simplificar’. Subscreva a Revista Líder aqui.

