Uma empresa só pode dizer-se responsável e boa cidadã se criar valor ambiental e social, além do financeiro. É este o caso. As marcas da Jerónimo Martins demonstram ter consciência ambiental e social. Sendo um negócio essencialmente alimentar e dependente da natureza e do clima, a retalhista portuguesa sabe bem o quanto a sustentabilidade da […]
Uma empresa só pode dizer-se responsável e boa cidadã se criar valor ambiental e social, além do financeiro. É este o caso.
As marcas da Jerónimo Martins demonstram ter consciência ambiental e social. Sendo um negócio essencialmente alimentar e dependente da natureza e do clima, a retalhista portuguesa sabe bem o quanto a sustentabilidade da sua atividade é influenciada pela Sustentabilidade Social e Ambiental.
Por isso, a estratégia de Responsabilidade Corporativa é transversal a todas as companhias e as suas inúmeras ações são regidas escrupulosamente por cinco pilares: promover a saúde pela alimentação; respeitar o ambiente; comprar com responsabilidade; apoiar as comunidades envolventes; e ser um empregador de referência.
«Todos pertencemos a uma mesma família humana (…), e precisamos de repensar a nossa relação com a Natureza, com o ambiente, com a nossa própria alimentação e estilo de vida se quisermos sobreviver enquanto espécie», observa Sara Miranda, a Diretora de Comunicação e Responsabilidade Corporativas do Grupo Jerónimo Martins, ciente de que estas matérias se tornam hoje ainda mais prementes.
Neste domínio, a JM tem métricas bem delineadas e conducentes a uma atuação sincronizada e que tem tido consequências positivas para o equilíbrio entre a prosperidade económica, a preservação ambiental e o respeito por colaboradores, clientes e comunidades nos três países onde tem operações: Portugal, Polónia e Colômbia. «Este rigor e esta transparência com que comunicamos objetivos e o progresso que fazemos na sua concretização têm certamente contribuído de forma decisiva para a inclusão de Jerónimo Martins nos mais relevantes índices de ESG do mundo», explica-nos Sara Miranda.
E não é para menos, com quase 230 anos de existência, há muito que a JM sabe o que anda a fazer. Em conversa com a Líder, Sara partilha ainda que todas as prioridades nesta década estarão centradas na concretização da estratégia europeia “Do prado ao prato” e em dar passos decisivos para tornar realidade a visão de uma Europa neutra em carbono em 2050.
Como é que conseguimos sacudir consciências coletivas e predispor-nos a fazer alguns sacrifícios no presente a fim de evitar cataclismos naturais?
Essa questão torna-se ainda mais premente no momento que vivemos. Esta crise pandémica tornou evidente que todos pertencemos a uma mesma família humana, que nada pode ser dado como adquirido, e que precisamos de repensar a nossa relação com a Natureza, com o ambiente, com a nossa própria alimentação e estilo de vida se quisermos sobreviver enquanto espécie.
Estamos perante uma oportunidade única de tentar fazer as coisas de forma diferente, de procurar reduzir a nossa pegada, de preferir marcas e produtos que demonstrem ter consciência ambiental e social, de exercer o nosso poder enquanto consumidores, de sermos cidadãos mais ativos e de influenciarmos os que nos estão próximos. Isso passa por promovermos, por exemplo, o aumento da produção nacional e das compras de produtos locais, por incentivarmos a agricultura sustentável, por aumentarmos a reutilização e a reciclagem, por combatermos o desperdício alimentar ou por adotarmos dietas e hábitos de vida mais saudáveis, como a Dieta Mediterrânica, que é anti-inflamatória.
Ao mesmo tempo, temos todos que agir perante enormes desafios, como a proteção da água e da qualidade do ar enquanto os nossos recursos mais estratégicos; a luta contra a desflorestação e a poluição por plástico, entre tantos outros. Concretizar a visão de uma economia neutra em carbono é extremamente exigente. Se, em face desta Pandemia que ataca as vias respiratórias, não formos capazes de compreender a importância crucial de termos um ar limpo e respirável – e como isso depende de florestas sustentáveis e de oceanos com biodiversidade – então teremos perdido a oportunidade de nos salvarmos no longo prazo.
As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Qual é o compromisso da sua empresa perante os ODS?
Somos uma empresa que conta quase 230 anos de existência, o que, por si só, é bem demonstrativo da nossa preocupação ao longo de décadas em equilibrar a obtenção de resultados no curto prazo com a salvaguarda da capacidade de continuar a operar e a gerar valor no longo prazo.
Estamos comprometidos com a visão partilhada para a Humanidade que os ODS, definidos pelas Nações Unidas, consubstanciam e procuramos contribuir para a sua concretização através da implementação da nossa estratégia de Responsabilidade Corporativa, transversal a todas as Companhias do Grupo e estruturada em torno de cinco pilares de atuação: Promover a Saúde pela Alimentação; Respeitar o Ambiente; Comprar com Responsabilidade; Apoiar as Comunidades Envolventes; e Ser um Empregador de Referência.
Sendo um negócio essencialmente alimentar e, por isso mesmo, bastante dependente da Natureza e do Clima, sabemos bem o quanto a Sustentabilidade da nossa atividade é influenciada pela Sustentabilidade Social e Ambiental. Por outro lado, mantemos um diálogo muito ativo e regular com todas as partes interessadas na nossa atividade e procuramos refletir nas nossas escolhas e definição de prioridades também as necessidades e expectativas dos nossos stakeholders internos e externos.
A Ação Climática é assim uma prioridade?
Absolutamente. De acordo com o Score Report do CDP Climate Change 2020, obtivemos o nível A – (Liderança), o que é mais elevado do que a média regional da Europa de C, e mais elevado do que a média do setor do Retalho de conveniência de C. No âmbito do compromisso de Respeitar o Ambiente, temos identificadas três áreas de atuação prioritárias: combater as alterações climáticas, preservar a biodiversidade (na terra e no mar) e gerir os resíduos de forma responsável.
A ação climática implica esforços multidimensionais, passando, desde logo, pelo tema energético – em Portugal, todas as nossas companhias consomem apenas energia de fontes renováveis -, pelo tipo de gases de refrigeração que utilizamos nas nossas cadeias de frio, pelo transporte de mercadorias, pelo combate à desflorestação – Jerónimo Martins é o único retalhista alimentar no mundo reconhecido pelo CDP como estando no patamar de liderança na gestão de todas as commodities relacionadas com o risco de desflorestação (óleo de palma, soja, carne bovina e madeira ) – e pela defesa dos oceanos, designadamente combatendo a poluição por plástico. Também quando combatemos o desperdício alimentar, quando promovemos a utilização racional e eficiência de materiais, privilegiando os que são recicláveis, ou quando nos esforçamos por encaminhar os resíduos para valorização em vez de os enviar para aterro, por exemplo, estamos a agir climaticamente.
Quais são as ambições em concreto? E qual a estratégia para as alcançar?
Em cada um dos cinco pilares de Responsabilidade Corporativa, temos identificados objetivos concretos com métricas bem definidas. Estes objetivos são públicos, podem ser consultados no website corporativo a qualquer momento e conduzem a nossa atuação em períodos de três anos. Este rigor e esta transparência com que comunicamos objetivos e o progresso que fazemos na sua concretização têm certamente contribuído de forma decisiva para a inclusão de Jerónimo Martins nos mais relevantes índices de ESG do mundo. A estratégia do Grupo para alcançar os objetivos identificados passa pela atuação consistente das suas várias companhias nos cinco pilares de atuação, seguindo boas práticas de gestão, que têm tido consequências positivas para o equilíbrio desejável e necessário entre a prosperidade económica, a preservação ambiental e o respeito por colaboradores, clientes e comunidades. Acima de tudo, trata-se de uma filosofia de gestão e de decisões que são tomadas pelos negócios no dia-a-dia, ao longo de toda a cadeia de valor, e que têm vindo a ser reconhecidas internacionalmente com a inclusão em mais de 90 índices de Sustentabilidade (incluindo os específicos), entre os quais o Eurozone 120 e Europe 120, ambos da Euronext Vigeo-Eiris, ou os FTSE4Good Global e Europe Indexes. Foi com imensa satisfação que vimos este último colocar-nos no percentil 98, em dezembro de 2020. Em janeiro, foram publicados os resultados da avaliação do Carbon Disclosure Project (CDP) 2020 que consolidam a posição de Jerónimo Martins num patamar de liderança do setor do Retalho Alimentar no combate às alterações climáticas e à desflorestação. De acordo com estes resultados, o Grupo mantém-se como o único retalhista alimentar a nível mundial a obter um nível de liderança (A-) em todas as commodities associadas ao risco de desflorestação (óleo de palma, papel e madeira, carne de bovino e soja).
Estes índices identificam as empresas que melhor gerem os riscos ESG e são utilizados, por exemplo, em produtos de investimento estruturados e como benchmark. Estas inclusões resultam do reconhecimento dos compromissos, ações e resultados do Grupo na condução responsável e sustentável dos seus negócios.
Vai ser necessário reinventar modelos de negócios?
No caso do Grupo Jerónimo Martins, temos procurado ao longo dos anos ir orientando a nossa atuação por valores fundamentais, entre os quais o respeito pelas pessoas e pelo Planeta assumem lugar de destaque. É neste âmbito que há mais de uma década iniciámos, por exemplo, o projeto de eco-design de embalagens para melhorar o perfil de eco-eficiência do packaging. Através deste programa, estamos permanentemente a intervir sobre o packaging dos produtos de Marca Própria no sentido de reduzir a utilização de materiais, aumentar a sua reciclabilidade, incorporar materiais reciclados. Outro exemplo que posso dar é o nosso programa de reformulações nutricionais que, desde há mais de 10 anos, vai retirando das fórmulas dos produtos de Marca Própria os ingredientes associados ao desenvolvimento de doenças (sal, gordura e açúcar). É verdade que a exigência dos desafios que se nos colocam obriga a que haja sempre novas alterações a fazer, mas, mais do que em revoluções ou disrupções, acreditamos na evolução e no autoaperfeiçoamento contínuos.
Que métricas já foram alcançadas?
São muitas. Dou dois exemplos de métricas e da importância que damos à avaliação do impacto das nossas iniciativas, em duas áreas que nos dizem muito, pela natureza do nosso negócio, e nas quais temos estado sempre na dianteira, tanto a nível nacional como global: o desperdício alimentar e a redução do uso de plástico.
Fomos o primeiro retalhista alimentar em Portugal a calcular, divulgar e certificar de forma independente a pegada de desperdício alimentar. Em linha com o objetivo 12.3 dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, temos a meta de alcançar até 2030 a redução para metade do desperdício alimentar que geramos. Entre 2015 e 2020, nos três países em que estamos presentes (Portugal, Polónia e Colômbia), doámos cerca de 77 mil toneladas de alimentos que chegaram a milhares de pessoas carenciadas e aproveitámos mais de 102 mil toneladas de fruta e vegetais “feios” para as sopas produzidas nas nossas cozinhas, para os produtos de 4ª gama (embalagens de lavados e preparados para sopas e saldas), e também, para outros produtos destinados ao canal Horeca (através da nossa cadeia grossista Recheio).
Fomos, igualmente, o primeiro retalhista em Portugal – e dos primeiros à escala global – a quantificar, verificar externamente e divulgar a pegada de plástico em embalagens de marca própria e noutros plásticos de utilização única. Entre 2011 e 2020, o nosso programa de ecodesign já tinha permitido evitar a utilização de cerca de 27 500 toneladas de materiais.
Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
Resulta de acreditarmos firmemente que as responsabilidades dos negócios não se esgotam na sua própria prosperidade e na produção de lucros, e que uma empresa só pode dizer-se responsável e boa cidadã se, para além de valor financeiro, criar também valor ambiental e social, no curto, no médio e no longo prazos. Só com esta atuação é que uma marca pode ambicionar viver 229 anos, como é o caso de Jerónimo Martins.
Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
A Direcção de Comunicação e Responsabilidade Corporativas integra equipas dedicadas à coordenação das políticas e práticas de sustentabilidade e ao ambiente nos três países onde temos operações. As companhias têm também equipas operacionais que acompanham a implementação das medidas que se inscrevem nos cinco pilares de Responsabilidade Corporativa. Em rigor, todas as áreas contribuem para os resultados do nosso desempenho em Sustentabilidade: da área Comercial à de Qualidade, das Operações ao Marketing, passando pelos Recursos Humanos, o Ambiente, a Comunicação.
E quais são as prioridades desta área?
Dada a natureza alimentar da nossa atividade e o facto de os nossos dois principais palcos de operações se situarem em território europeu, todas as nossas prioridades nesta década que agora começou estarão centradas na concretização da estratégia europeia “Do prado ao prato” e em dar passos decisivos com vista a contribuir para tornar realidade a visão de a Europa ser o primeiro continente neutro em carbono em 2050.
Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso dos clientes nesta matéria?
Desde há muitos anos que procuramos promover a alimentação saudável daqueles que escolhem as nossas lojas para fazer as suas compras. Desde logo cuidando da integridade e qualidade dos ingredientes que utilizamos no fabrico dos nossos produtos, assim como dos processos, e também educando para escolhas mais informadas, o que passa pelos esforços que colocamos na rotulagem correta e completa dos produtos de marca própria e pela tradição de partilha de receitas, que é um património inquestionável do Pingo Doce.
Além disso, através de programas como o “Amar o Mar”, promovemos a limpeza das praias e o combate à poluição por plástico, da mesma forma que orientamos ações de marketing para a sensibilização, nomeadamente das crianças, para a preservação do Ambiente. As campanhas dos Super Animais e do Bando do Bosque são apenas dois exemplos do que o Pingo Doce – que é o Patrocinador Oficial do Oceanário desde a criação deste – tem feito nesta área, a que juntaria ainda o facto de Jerónimo Martins ser Parceiro de Sustentabilidade da Liga Meo Surf.
Destaco ainda o investimento que temos realizado na divulgação de conhecimento e informação sobre sustentabilidade nos canais de comunicação tradicionais e também nas principais redes sociais onde as nossas companhias têm presença.
Há um pouco mais de um ano, lançámos também o Be The Story, um site de storytelling focado em temas de sustentabilidade.
Pode partilhar algumas recomendações para tornar as empresas e os negócios sustentáveis?
É importante ter presente que a reputação e a sobrevivência das empresas no século XXI não são apenas determinadas por uma lógica de mercado, mas também pela aceitação social que conseguem merecer. Num mundo cada vez mais globalizado, ninguém – sejam governos, empresas ou cidadãos – está dispensado de contribuir para o desenvolvimento do Bem Comum e para os combates que nos convocam a todos.
A definição de objetivos claros, mensuráveis e ambiciosos, que estejam intimamente ligados à natureza do negócio, é fundamental para que as empresas consigam melhorar as suas práticas, mitigar os impactos negativos das suas atividades e alcançar as metas a que se propõem nas diversas dimensões. O importante é começar e nunca desistir de avançar no caminho.
Por TitiAna Amorim Barroso

