Cinco séculos de atividade de correio. São já 501 anos de uma marca que tem sabido reinventar-se. Nos Correios de Portugal, a Sustentabilidade tem vindo a ser trabalhada ativamente e faz parte das prioridades. Melhor do que ninguém, Miguel Salema Garção, Diretor de Comunicação e Sustentabilidade, sabe que as várias iniciativas de Sustentabilidade dos CTT […]
Cinco séculos de atividade de correio. São já 501 anos de uma marca que tem sabido reinventar-se. Nos Correios de Portugal, a Sustentabilidade tem vindo a ser trabalhada ativamente e faz parte das prioridades.
Melhor do que ninguém, Miguel Salema Garção, Diretor de Comunicação e Sustentabilidade, sabe que as várias iniciativas de Sustentabilidade dos CTT estendem-se para lá da reputação e imagem da companhia. «Uma estratégia de Sustentabilidade integrada no centro das prioridades gera valor para os colaboradores, para os stakeholders e para a sociedade, através, por exemplo, da inovação de produtos e serviços, do investimento em portefólios de negócio sustentáveis, da captura de oportunidades em novos mercados ou segmentos de negócios, da otimização de recursos. Também a exigência dos consumidores no que toca a questões de Sustentabilidade é cada vez maior e dita as tendências».
Miguel cuida desta área há mais de uma década e está convicto de que «a transição para uma economia verde e de baixo carbono é cada vez mais uma certeza no pós-Pandemia e vai implicar profundas mudanças legais, regulatórias, jurídicas, tecnológicas e de mercado às quais as empresas terão, obrigatoriamente, de se adaptar».
Sente que há uma maior pressão, ainda que positiva, por parte dos clientes na procura de soluções menos poluentes e assume que souberam antecipar esta necessidade e estar na linha da frente nestas matérias. Em plena Pandemia lançou, em conjunto com a equipa, o serviço Green Deliveries, garante a neutralidade carbónica das entregas. No final de 2019, assinou a Carta de Compromisso “Business Ambition for 1.5º”, uma iniciativa das Nações Unidas, reafirmando o combate às alterações climáticas através da minimização das emissões carbónicas resultantes da atividade da empresa. E mais: acabou de aderir ao Manifesto “Aproveitar a crise para lançar um novo paradigma de desenvolvimento sustentável”, da BCSD Portugal.
De entre as várias conquistas, os CTT reduziram as emissões carbónicas diretas em 65% desde 2008, superando a meta de redução de 20% até 2020; 98% dos resíduos foram separados para reciclagem, em 2020; e a aquisição de 100% de energia elétrica é proveniente de fontes renováveis desde 2016.
Por isso não é de estranhar, a distinção com o nível mais elevado de Leadership, na vertente Climate Change, nos resultados do rating CDP – Carbon Disclosure Project, o principal rating de Sustentabilidade energética e carbónica a nível mundial.
Uma evolução, sem dúvida, positiva, ainda com um longo caminho pela frente, que Miguel e a sua equipa olham com entusiasmo e expectativa.
Mas nem todos adotam na sua vida medidas para fazer frente a este combate. Como é que conseguimos sacudir consciências coletivas e predispor-nos a fazer alguns sacrifícios no presente a fim de evitar cataclismos naturais?
Todos nós, enquanto indivíduos, mas também as marcas e as empresas, enfrentamos riscos e desafios colocados pelas alterações climáticas e perda da biodiversidade, levando-nos a reforçar a necessidade de repensarmos a forma como qualquer um de nós e como as empresas podem ser catalisadores das mudanças que se impõem. Creio que devemos, em primeira mão, começar em nossa casa, no nosso dia-a-dia a ser exemplo nestas matérias, para os que nos são próximos, sendo a sensibilização e a comunicação cruciais para efeito.
Também em ambiente empresarial devemos dar cada vez mais importância ao tema da sustentabilidade e à adoção de comportamentos mais sustentáveis com resultados positivos para todos nós. É importante aproveitarmos as oportunidades e trabalharmos em conjunto.
Os decisores políticos têm também aqui um papel fulcral, dada a importância do investimento e apoio nestas matérias. A União Europeia está empenhada em reduzir gradualmente as suas emissões de gases com efeito de estufa, e para tal criou uma iniciativa emblemática em matéria de ação climática, o Pacto Ecológico Europeu, que estabelece um objetivo de zero emissões líquidas até 2050. Este Pacto vai permitir o fortalecimento de uma economia circular e eficiente em termos da utilização dos recursos, promover a inovação em tecnologias limpas e criar empregos verdes.
Desta forma, poderemos não só contribuir para um futuro mais sustentável, mas poderemos desenvolver um valor significativo a longo prazo, tanto para os negócios como para a sociedade.

As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas. Qual é o compromisso da sua empresa perante os ODS?
As empresas desempenham um papel crítico para ajudar a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas e estes objetivos são também uma ferramenta de trabalho útil para as empresas, pois funcionam como guias ou diretrizes para as apoiar na definição, implementação e comunicação das suas estratégias e prioridades para 2030.
Nos CTT alinhámos o nosso programa de sustentabilidade com os ODS prioritários para o setor e para a cadeia de valor dos CTT, com vista a promovermos o desenvolvimento do negócio dos CTT de forma mais sustentável, apoiando o combate às alterações climáticas, a prossecução da neutralidade carbónica, a preservação da biodiversidade, o desenvolvimento do capital humano e a promoção da justiça e da inclusão social.
Dos 17 objetivos globais, priorizámos 8 ODS e definimos metas e um plano e ações associadas a cada um, são eles: OD3 Saúde e bem-estar; ODS4 Edução de Qualidade; ODS7 Energias renováveis e acessíveis; ODS8 Trabalho digno e crescimento económico, ODS 11 Cidades e comunidades sustentáveis; ODS 12 Produção e consumo sustentáveis; ODS 13 Ação climática; e ODS 16 Paz, justiça e instituições eficazes. Sabendo que os 17 ODS estão interligados, estamos a trabalhar para contribuir para a consecução destes objetivos globais.
A Ação Climática é assim uma prioridade?
Os CTT consideram o combate às alterações climáticas como um tema de relevância crescente, para a sociedade e para as empresas e têm vindo a percorrer um longo caminho na promoção e apoio à transição energética.
O compromisso dos CTT com o combate às alterações climáticas é visível em toda a organização e tem um impacto contínuo nas operações diárias e no modelo de negócio. Os CTT assinaram, em novembro de 2019, a Carta de Compromisso “Business Ambition for 1.5º”, reafirmando assim publicamente o compromisso no combate às alterações climáticas através da minimização das emissões carbónicas resultantes da atividade da empresa. O Compromisso “Business Ambition for 1.5º” é uma iniciativa das Nações Unidas que procura incentivar as organizações, a nível mundial, a criarem medidas de combate às alterações climáticas, com foco na diminuição das emissões de gases com efeito de estufa e na transição para uma economia de baixo carbono.
Quais são as ambições em concreto? E qual a estratégia para as alcançar?
A estratégia de Sustentabilidade dos CTT está alinhada com a ambição global de limitar o aquecimento global a 1,5ºC até 2030 e também com os interesses e prioridades das nossas partes interessadas em matérias de responsabilidade social e ambiental, como a preservação ambiental, a proteção da biodiversidade e da floresta nacional, ou o apoio ao desenvolvimento de populações carenciadas. A eficiência energética e carbónica é promovida com medidas de racionalização de eletricidade, com a aquisição de energia verde e com a promoção de produtos e serviços ecológicos e/ou carbonicamente neutros. A mobilidade sustentável é também alvo de promoção pelos CTT através da gestão e racionalização dos consumos da frota, da expansão da frota elétrica e da procura de soluções de mobilidade suave. Adicionalmente são complementadas com ações de sensibilização, de cidadania participativa e de formação, reforçando o envolvimento com os colaboradores e com os stakeholders.
Vai ser necessário reinventar modelos de negócios? Quais são as mudanças que terão de ser implementadas?
Ainda que possa ter perdido algum destaque mediático devido ao panorama atual pandémico, é crescente o consenso em torno da ameaça representada pelas alterações climáticas e as suas consequências económicas e geopolíticas. A Pandemia e as medidas de confinamento tiveram como efeito colateral um reforço da consciencialização sobre o impacto dos comportamentos individuais no Planeta, conduzindo a um gradual ajuste nos hábitos de consumo. A transição para uma economia verde e de baixo carbono é cada vez mais uma certeza no pós-Pandemia e vai implicar profundas mudanças legais, regulatórias, jurídicas, tecnológicas e de mercado às quais as empresas terão, obrigatoriamente, de se adaptar.
Que métricas já foram alcançadas?
Os CTT foram distinguidos com o nível mais elevado de Leadership, na vertente Climate Change, com a pontuação A, nos resultados do rating CDP – Carbon Disclosure Project, um índice do mercado de capitais que é o principal rating de Sustentabilidade energética e carbónica a nível mundial. A percentagem de empresas avaliadas que chegaram ao topo representa apenas 5%.
Os CTT obtiveram o 2.º lugar a nível mundial no ranking do programa de Sustentabilidade do IPC, o Sustainability Measurement and Management System (SMMS), entre um total de 19 operadores postais de todo o Mundo. Este ranking reflete o nível de proficiência dos CTT em sete áreas de intervenção em matéria de Sustentabilidade e posicionamo-nos acima da média setorial em todas as áreas de intervenção, reforçando o nosso empenho neste compromisso.
Desde 2008 que os CTT reduziram as emissões carbónicas diretas em 65%, superando consideravelmente a meta de redução de 20% até 2020; 98% dos resíduos foram separados para reciclagem, no ano de 2020; e desde 2016, a aquisição de 100% de energia elétrica é proveniente de fontes renováveis.
Em que ponto está o vosso setor nesta matéria? Que análise faz da sua evolução?
Uma evolução sem dúvida bastante positiva, embora o caminho seja ainda longo. O setor postal executa o seu próprio programa de Sustentabilidade e gestão carbónica desde 2008, promovido pelo IPC – International Post Corporation. O setor atingiu as metas de redução carbónica a que se propôs para 2020 antes do tempo, um resultado muito positivo, reflexo do esforço coletivo que os operadores postais a nível mundial têm vindo a pôr em prática para enfrentar as alterações climáticas e para reduzir as suas emissões carbónicas. Atualmente o grupo de trabalho avançou para um novo programa de sustentabilidade, o SMMS (Sistema de Monitorização e Medição de Sustentabilidade), alinhado com Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas considerados mais relevantes para o setor postal e foca-se agora em sete áreas de intervenção: a saúde e segurança, a aprendizagem e desenvolvimento, a eficiência de recursos, as alterações climáticas, a qualidade do ar, a economia circular e as compras sustentáveis.
De destacar um conjunto de ações que os CTT têm vindo a desenvolver:
Temos uma oferta carbonicamente neutra, nomeadamente o Correio Verde e toda a oferta Expresso CTT, numa área de negócio em expansão e em que apostamos fortemente, sem custos adicionais para os nossos clientes. E temos vindo a expandir gradualmente a nossa frota alternativa de transporte e logística, a maior do País no setor logístico, que conta com cerca de 355 veículos alternativos.
Sendo uma empresa pioneira na incorporação de viaturas elétricas na sua frota automóvel, demos continuidade ao processo eletrificação da frota CTT. No primeiro semestre de 2020, integrámos nove novos veículos elétricos na nossa frota, a maior frota alternativa do País no setor dos transportes e da logística. Estes veículos elétricos não emitem partículas e NOx durante a sua utilização e como os CTT adquiriram 100% da eletricidade de origem renovável o impacto carbónico das viaturas elétricas é nulo, contribuindo para a melhoria da qualidade do ar nas cidades.
Temos vindo a testar novos modelos de veículos a motorização elétrica em várias cidades do litoral português, com resultados bastante positivos no que respeita a uma maior capacidade de carga, à segurança e ergonomia na condução e à autonomia, além, logicamente, dos benefícios ambientais associados. Neste âmbito, fomos a primeira empresa portuguesa a testar o veículo Nissan e-NV200 XL, para distribuição (last-mile), um veículo de motorização elétrica, com maior capacidade de carga e autonomia, que foi transformado à medida do setor postal e que não existe atualmente em Portugal.
Lançámos pelo sétimo ano consecutivo a campanha “Uma Árvore pela Floresta”, em parceria com a Quercus, que visa apoiar a florestação de áreas protegidas e zonas afetadas pelos incêndios com espécies autóctones, que são mais resistentes aos fogos. Fazendo uso da forte capilaridade da rede dos CTT e da proximidade aos portugueses para ajudar à reflorestação das zonas afetadas pelos incêndios em Portugal.
Produzimos anualmente emissões filatélicas dedicadas aos temas da biodiversidade e de espécies ameaçadas. A filatelia ambiental e já uma longa tradição dos CTT e reconhecida em todo mundo. A primeira série filatélica relacionada com a biodiversidade remonta a 1971 e foi intitulada de “Proteção da Natureza”. Este ano 2020, temos, por exemplo, uma emissão filatélica alusiva a Raças Autóctones de Portugal e outra dedicada ao Ano Internacional da Sanidade Vegetal, que contaram com um total de 1,03 milhões de unidades filatélicas produzidas.

Como surge esta necessidade de colocar a Sustentabilidade no centro das prioridades da empresa?
O tema da Sustentabilidade e em particular das alterações climáticas ocupa a agenda europeia e internacional já há algumas décadas e é atualmente conhecido do público.
Temos vindo a trabalhar este tema ativamente há já algum tempo e a sustentabilidade faz hoje parte das prioridades dos CTT.
As várias iniciativas de sustentabilidade dos CTT têm um impacto positivo para a empresa e para a sociedade. Os benefícios obtidos estendem-se para lá da reputação e imagem dos CTT. Uma estratégia de sustentabilidade integrada no centro das prioridades da empresa gera valor para os colaboradores, para os stakeholders e para sociedade, através, por exemplo, da inovação de produtos e serviços, do investimento em portefólios de negócio sustentáveis, da captura de oportunidades em novos mercados ou segmentos de negócios, da otimização de recursos, etc. Também a exigência dos consumidores no que toca a questões de sustentabilidade é cada vez maior e dita as tendências.
Como é vista a empresa em Portugal dentro do Grupo à luz da Sustentabilidade?
Pretendemos continuar a ser um operador líder no setor de logística a nível global e também no cenário empresarial português. Tendo já atingido uma redução expressiva das emissões de carbono diretas e indiretas entre 2013 e 2020, precisamos de continuar a implementar uma estratégia de gestão de emissões de carbono no sentido de melhorar ainda mais o nosso desempenho.
De referir que a convite do BCSD Portugal aderimos ao manifesto “Aproveitar a crise para lançar um novo paradigma de desenvolvimento sustentável”, com o objetivo de contribuir para a construção de um modelo de desenvolvimento baseado em cinco princípios fundamentais: promoção do desenvolvimento sustentável e inclusivo, promoção do crescimento, busca da eficiência, reforço da resiliência e reforço da cidadania corporativa.
Foi criado algum departamento ou grupo de trabalho que se dedique à Sustentabilidade?
Sim, os CTT têm uma equipa de colaboradores que se dedica aos temas da Sustentabilidade e Ambiente, inserida na direção de Comunicação, mas este é um trabalho transversal com a participação de todas as áreas da empresa.
A equipa de Sustentabilidade e Ambiente é composta por 5 elementos e liderada pelo Diretor de Comunicação e Sustentabilidade, em Portugal, que trabalham em estreita colaboração com dezenas de interlocutores das mais diversas áreas da empresa que contribuem ativamente e de forma positiva para o desenvolvimento do programa de sustentabilidade CTT.
Quais são agora os próximos passos?
Ainda temos um longo caminho a percorrer, mas tem sido notório o esforço de cada vez mais empresas em assumirem programas de sustentabilidade e responsabilidade social.
Um grande desafio e em simultâneo uma grande oportunidade para o setor da logística e distribuição, é sem dúvida a eficiência e transição energética: eficiência ao nível do consumo de combustíveis fósseis e transição para uma adoção sustentada e cada vez maior de veículos elétricos e/ou movidos com combustíveis alternativos, e para um consumo e/ou produção de eletricidade a partir de fontes renováveis, tirando partido da expectável baixa de custo deste tipo de energia nos próximos anos. Os CTT já iniciaram este percurso, olhando para os próximos 10 anos com muito entusiasmo e expectativa.
Acreditamos que podemos influenciar positivamente aqueles colaboram connosco e com quem interagimos na nossa cadeia de valor. Para além disso partilhamos algo essencial com as populações que é a proximidade.
E quais as prioridades desta área?
As prioridades passam por assegurar o envolvimento e comunicação com as nossas partes interessadas nas dimensões ambiental, social e de governação, promover uma maior proximidade com as mesmas e reforçar o posicionamento dos CTT face aos desafios da sociedade. Esta estratégia concretiza-se através de um programa de sustentabilidade que envolve iniciativas em quatro vertentes: societal, ambiental, de cidadania participativa e de comunicação, iniciativas estas que criam valor para a empresa e para os stakeholders, promovem o envolvimento com a comunidade e os valores de responsabilidade individual e social.
Quais têm sido as vossas contribuições para o progresso dos clientes nesta matéria?
Sentimos nos CTT que há uma maior pressão (positiva) por parte dos nossos clientes na procura de soluções menos poluentes e carbonicamente neutras e, felizmente, nos CTT, antecipámos esta necessidade, o que nos permite estar na linha da frente neste âmbito.
Por exemplo, em plena pandemia lançámos o ano passado, o serviço Green Deliveries, disponível para clientes empresariais, que permite que todas as entregas nos locais contratados sejam feitas exclusivamente com veículos elétricos CTT.
De referir ainda que os CTT oferecem produtos e serviços ecológicos e/ou carbonicamente neutros, como é o caso do Correio Verde, uma oferta 100% ecológica que aposta na componente ambiental e garante a neutralidade carbónica dos seus produtos, sem custos adicionais para os clientes. Desde o seu lançamento em 2010 temos vindo a constatar uma adesão continuada por parte dos nossos clientes a esta oferta, com resultados económicos muito positivos.

