No escritório, gestores de projetos tentam acompanhar a avalanche de novas ferramentas que prometem agilizar o trabalho, mas que acabam por criar mais complexidade. Nos departamentos de marketing, analistas sentem-se pressionados a interpretar relatórios gerados por algoritmos que mudam constantemente, sem formação adequada. E na saúde, profissionais tentam integrar sistemas inteligentes que sugerem diagnósticos ou decisões de tratamento, ao mesmo tempo que mantêm contacto humano com os pacientes
Em 2025, a inteligência artificial deixou de ser uma realidade distante e entrou, invariavelmente, no quotidiano de milhões de pessoas. Dois terços da população já a utiliza regularmente, segundo a KPMG. Contudo, esta revolução silenciosa traz um peso invisível: o desgaste mental.
No trabalho, o stress cresce a cada atualização
Os relatórios da KPMG e da EY revelam que, longe de simplificar a vida profissional, a IA a tornou mais complexa. No ambiente laboral, 64% dos colaboradores sentem-se sobrecarregados com o fluxo incessante de novas ferramentas. Ao invés de aliviar, a tecnologia multiplicou tarefas e exigências. Apenas metade dos trabalhadores recebeu formação adequada ou dispõe de políticas internas claras sobre o uso da IA.
«Não se trata apenas de aprender uma ferramenta nova, mas de viver num estado constante de adaptação», explica a Dra. Hannah Nearney, psiquiatra clínica e diretora médica no Reino Unido da Flow Neuroscience, empresa especializada em tratamentos de estimulação cerebral para depressão. «Quando o cérebro é continuamente pressionado a processar sistemas novos e a corresponder a expectativas crescentes sem regras claras, o stress torna-se crónico. Sem regulamentação, o burnout, a ansiedade e até a depressão surgem quase inevitavelmente.»
A incerteza económica intensifica a pressão. Mais de metade dos trabalhadores teme pela sua segurança profissional e receia que a IA venha a substituir totalmente as suas funções. «Quando se vive com a sensação de que as próprias competências se tornam obsoletas, cada nova atualização de IA transforma-se numa ameaça», acrescenta o Dr. Kultar Singh Garcha, médico do NHS e diretor clínico da Flow Neuroscience. «Esta ansiedade ativa um modo de sobrevivência cerebral que consome energia mental. Repetido no tempo, o efeito é devastador.»
A desconexão humana e o vazio da informação
A falta de regulamentação também alimenta receios sobre a privacidade e segurança dos dados pessoais. A KPMG mostra que 70% da população considera necessária legislação específica, mas menos de metade acredita que as leis atuais sejam suficientes. Entre as preocupações mais frequentes está a perda da conexão humana: muitos recorrem a chatbots para decidir o que sentir ou como agir, esquecendo-se de ouvir as próprias emoções ou de procurar o contacto com outro ser humano.
O impacto da IA é particularmente sentido pelas gerações Millennials e Gen Z, que interagem mais com estas tecnologias. Segundo o relatório Future of Wellness 2025, estas gerações mostram-se mais proativas na gestão do stress, conscientes da necessidade de medidas preventivas antes que a pressão evolua para ansiedade ou depressão.
A Flow Neuroscience tem vindo a responder a estas necessidades com dispositivos de estimulação cerebral não invasiva (tDCS) que ajudam a regular o humor e a reduzir a ansiedade. Desde o lançamento na Suécia, em 2019, o equipamento recebeu aprovação regulatória na União Europeia, Reino Unido e Austrália. Estudos clínicos publicados na Nature Medicine mostram que a técnica reduziu sintomas depressivos em mais de 70% dos pacientes.
«Existem muitas ferramentas para aliviar o stress provocado pela IA: meditação, mindfulness, terapias digitais e psicoterapia. Sono adequado e exercício físico também são cruciais», sublinha a Dra. Nearney. «Mas o esforço individual não chega. À medida que a IA avança, o stress que provoca não desaparece. Precisamos de formação adequada, regras claras no trabalho e legislação nacional que coloque o bem-estar das pessoas no centro. No fim, a IA foi criada para facilitar a vida, não para complicá-la.»


