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Denise Calado

Uma saída natural para a guerra

29 Março, 2022 by Denise Calado

Fazer passeios turísticos, visitas guiadas pode ser um verdadeiro embuste, tempo perdido, ir ao engano. Mas há também verdadeiros milagres que acontecem onde menos os esperamos. Fui visitar Vidago e fiquei onde já há muitos anos queria ficar, no Palácio Vidago, inaugurado no dia seis de outubro de 1910, já em tempo republicano, sendo ainda tudo nele de pendor monárquico. Um edifício histórico que nasce na confluência da Monarquia com a República, um edifício fronteira instalado numa região onde a Natureza é quem manda, quem põe e dispõe.

A Natureza a mandar em Trás-os-Montes e na Ucrânia a soarem as sirenes que empurram homens, mulheres, crianças e os mais velhos para bunkers improvisados onde a cidade os permite. Recebo uma mensagem de uma mulher ucraniana que me diz que a cidade está tomada pelos russos, mas os pais estão em segurança, na cave da casa.

O Daniel, o nosso guia, conduz o seu carro pacificamente, como se não pretendesse incomodar as árvores, as ervas rasteiras, as flores amarelas que cheiram a Carnaval. Vai contando histórias e rindo. As ovelhas não se compram ao quilo, o melhor vinho é o que tem maior grau alcoólico, as pessoas tratam melhor os visitantes do que os seus vizinhos.

Mais uma notificação, desta vez a CNN diz-nos que a cidade vizinha de Kiev está a ser severamente bombardeada pelos russos, os ucranianos resistem.

Retomo a viagem e já estamos a caminho de Cubas para ir ver os dois únicos habitantes desta aldeia que tem, apesar de tudo, boa Internet. O casal de idosos não tem nada a temer. O cavalo de trabalho que pasta no terreno contíguo à sua casa tem fortes músculos, não serve para montar, é um bicho de trabalho – ajuda os dois habitantes daquela aldeia.

Seguimos caminho e volto ao telemóvel. Parece que há abertura para a Ucrânia e a Rússia negociarem, mas os bombardeamentos não cessam, a guerra engrenou e não parece saber parar. Há muitas fragilidades, muitas vulnerabilidades nestas negociações.

Saídos de Cubas, o Daniel insiste em mostrar-nos uma proeza da Natureza, um cavalo gigante. Andamos mais alguns quilómetros, várias curvas, subidas e descidas e lá chegámos. Tivemos sorte, ele estava a pastar a uma boa distância, a que nos permitia ver a sua pujante envergadura muscular, a sua crina sumptuosa e até uma réstia de baba pegajosa e grossa que lhe escorria da boca. Uma baba enorme e bamboleante que se confundia com uma corrente de aço. O cavalo era mesmo um achado. Ficámos ali a ouvir os melros e a ver o cavalo. Depois retomámos o caminho de regresso ao hotel, agora com o coração apertado pela ameaça nuclear de Moscovo. Putin largou a bomba da intimidação, do bullying ao mais alto nível. O Mundo passa agora a temer um confronto nuclear.

Com este aperto, sigo o Daniel que nos vai mostrar uma coisa que diz ser outro milagre da Natureza, uma coisa que nunca vimos, que nos vai espantar para sempre. Intimidada pela ameaça nuclear, e curiosa pelo milagre a que ia assistir, segui o Daniel até ao local onde uma árvore tinha deglutido um sinal de trânsito. O milagre tinha acontecido, a Natureza tomou de assalto a obra humana que sinalizava o perigo de passagem de gado. A Natureza não se engana e engole a obra humana se esta lhe atrapalha o seu doce fluir. A luta do Homem contra a Natureza é, por isso mesmo, quase sempre inglória. Na vã gloria de mandar, o Homem, em alternativa, empreende a luta homem a homem, ou, na mais hipócrita e vil versão, a luta com recurso a armas e apetrechos que lhe permitem a observação cobarde da destruição perpetrada à distância.

Um dia a Natureza também engolirá Putin e todos os que creem na sua superioridade ideológica. O núcleo da questão não está no núcleo da Terra, na energia nuclear, mas na mais funda e poderosa energia humana que resulta da sublime relação entre o Homem e a Natureza. O Daniel guiou-nos no sentido dessa relação e apontou-nos a única saída possível para a guerra.

Este artigo foi publicado na edição de primavera da revista Líder

Tenha acesso ao dossier Guerra na Ucrânia – Act now for peace aqui.
Subscreva a Líder AQUI.

Arquivado em:Opinião

O poder do CAOS

28 Março, 2022 by Denise Calado

Há algumas semanas que a Líder deu o briefing para os conteúdos desta edição. O tom do texto que enviou aos colunistas soava a futuro, a temas importantes e muito relevantes. À volta da sustentabilidade, claro, que é o tema que o Mundo deve trabalhar – todos os dias e em todas as decisões – para conseguirmos continuar a ter um Planeta em que se consiga viver.

Ao mesmo tempo que escrevo estas linhas, o caos que acontece a 4000 km de Portugal para leste, ocupa-me a mente. O caos tem este poder de chamar à atenção sobre si, levando-nos todos a passar para segundo plano aquilo que vai continuar a ser relevante quando ele mesmo estiver controlado, ou resolvido. É como funcionamos.

Não somos autómatos programáveis capazes de desligar quando decidimos, mas somos seres emocionais que rapidamente hipervalorizam o caos. Confesso, que refletir sobre este poder – que preferia que o caos não tivesse – é o que me apetece fazer nestas linhas. É mais ou menos isto:

  1. O caos apodera-se da nossa mente. A ocupação da nossa mente com apenas um tema, retira-nos amplitude de pensamento. Ligamo-nos totalmente a um só assunto e todos os temas importantes passam para segundo plano. Veja-se o que se passou durante a Pandemia: o número de casos clínicos adiados – doenças graves não diagnosticadas, por se ter dado atenção exclusiva à COVID-19 – foi motivo para que casos oncológicos não tenham sido devidamente tratados em tempo útil. Decisores e sociedade colocaram toda a atenção em quase um único ponto de caos: a COVID.
  2. O caos mobiliza-nos para ele. Um tema emocionalmente muito forte condiciona as conversas no momento do café, os momentos em família, as conversas de almoço, as reflexões entre amigos, e naturalmente os media que têm um enorme impacto sobre a perceção que vamos construindo sobre esse mesmo caos. Recordo-me, como se fosse hoje, do momento do choque com as Twin Towers – 11 de setembro. Por várias semanas, meses, anos, várias transformações foram colocadas em prática em matéria de segurança aeroportuária. Nunca mais viajar de avião foi a mesma coisa
  3. O caos atrasa o regresso dos assuntos importantes. Nas organizações e na nossa vida, existem os temas importantes, e os temas urgentes. O caos – urgente – ocupa todo o espaço da agenda importante. Condiciona o tempo que dedicamos à reflexão e ao debate. Atrasa o arranque de temas que já vinham bastante amadurecidos, e distrai-nos de acompanhar com mais proximidade aqueles que já estavam em velocidade de cruzeiro. Nem é preciso uma guerra ou uma pandemia: às vezes basta um projeto que corra muito mal, para condicionar completamente a agenda importante, pela prioridade dada à agenda urgente.
  4. O caos chega-nos em tempo real. As más notícias chegam-nos rapidamente e em grande volume. A nossa capacidade de processar tudo o que nos chega por vários canais é um processo complexo. Ao mesmo tempo que é nosso dever mantermo-nos informados dos acontecimentos, especialmente os líderes das organizações têm de fazer tudo para manter a tranquilidade necessária à gestão em tempos conturbados. Se por um lado, a multiplicidade de fontes de informação nos ajuda a manter a coerência e até a independência com diversos pontos de vista, a nossa capacidade de síntese e análise para reter o que de facto é relevante para a nossa ação é determinante. Existe aqui uma responsabilidade acrescida para os agentes de comunicação profissionais – os media assumem esse papel – que é o de garantir que o correto filtro, assegurando que a informação se baseia em factos e dados. Mas ao mesmo tempo, é importante que o maior número de factos e dados cheguem às pessoas, tentando manter a sociedade corretamente informada. Tomamos micro e macro decisões baseadas, em grande parte, no que nos chega por esses canais. Vejam-se as recentes decisões em tempo real que tiveram de ser tomadas, adaptadas, alteradas às vezes a 180º, durante toda a Pandemia.
  5. Os decisores são condicionados pela opinião pública. Há decisões que precisam da devida ponderação e tranquilidade, fora dos holofotes mediáticos. Quando um ponto de caos é criado, a opinião pública vai-se imediatamente formando, e a preocupação única com o que a maioria pensa – ou é levada a pensar – pode pôr em risco as decisões certas para lidar com o caos, ou com os problemas por ele gerados. O correto equilíbrio de manter as pessoas informadas, ao mesmo tempo que se dá o devido tempo para amadurecer as conclusões sobre factos e dados, é o ponto-chave para uma boa gestão de crise provada pelo caos. À volta de uma “distante” crise financeira, de uma pandemia, de um estado de guerra, de uma catástrofe natural, existem inúmeras consequências imprevisíveis para o Mundo, mas também para o nosso País ou para a organização em que trabalhamos. Saber filtrar o que decidir, quando decidir e como comunicar, é o trabalho-chave dos “crisis offices” próximos das lideranças empresariais, e que condicionam tanto o resultado final – trabalhar pelo melhor bem-estar possível das pessoas e a melhor sustentabilidade possível das organizações – como a recuperação pós-caos.
  6. Manter na agenda os assuntos importantes implica disciplina de gestão. Cabe às lideranças assegurarem a devida alocação de tempo, agenda e budget, às iniciativas que não devem parar nas organizações. As solicitações são imensas, de várias origens, e e com alto nível de urgência, desviando a atenção para esses pontos. Ter o máximo de informação possível do contexto, para poder decidir melhor quando atrasar ou adiantar uma ação específica, é um trabalho difícil que requer abrangência de de conhecimento, por um lado, e foco da ação em detalhe, por outro. Reunir ambos parece paradoxal, mas é imperativo num contexto incerto. Explicar o propósito da nossa ação às equipas é por isso imprescindível e, ao mesmo tempo, a chave para uma equipa alinhada no mesmo comprimento de onda. Ficará também mais fácil de manter a necessária disciplina de gestão, que levará por diante a consistência de uma organização no terreno.

 

O Mundo muda tão rápido que a nossa capacidade de o interpretar é falível. É de repente. É inesperado. Uma crise financeira, uma pandemia, uma guerra… qual será o próximo ponto de caos? O que sabemos é que num contexto de longo prazo – queremos isso – vamos cá estar para contar a história, e a prova disso é que há organizações que passaram por guerras mundiais, catástrofes naturais, pandemias, e outros caos. O nosso cuidado – ao gerirmos todo este processo de caos – é determinante para mantermos a disciplina de gestão necessária para assegurar que nos mantemos saudáveis – o mais possível – no longo prazo e a todos os níveis: ético, financeiro, ecológico, solidário. Trazer a visão para a ação “apenas” na gestão do caos, reduz a nossa capacidade ao curto prazo, e atrasa-nos nas transições pós-caos.

 

Esta é a diferença entre gerirmos, ou sermos geridos pelo poder do caos!

Arquivado em:Opinião

Líder, que marca quer deixar no mundo?

25 Março, 2022 by Denise Calado

Mais do que um simples slogan, a marca pessoal representa todos os seus valores enquanto líder, que o irão diferenciar de muitos outros. Tem de ter em mente o que o incentivou a seguir o seu caminho e ser fiel a si próprio. A Entrepreneur apontou cinco regras essenciais a não perder de vista:

Seja claro

Se quer ser reconhecido e reconhecível, foque-se nos objetivos que tem em mente e no que o torna único. Boas marcas criam bons relacionamentos até no ambiente de trabalho, entre chefes e colaboradores, o que irá transpor para o exterior. Focar-se no seu público alvo é importante para perceber que caminho tem de seguir e metas tem de alcançar.

As histórias conectam as pessoas

Ter noção de quem é e qual o seu propósito no mundo move as pessoas à sua volta. Partilhar histórias e emoções é uma forma de conexão, se não houver este toque pessoal, é meio caminho andado para que potenciais clientes percam o interesse. A sua marca é também a autenticidade da ideia, da missão de que tem para se tornar a si, e ao mundo, melhores.

Existem sempre desvantagens

As melhores marcas pessoais são aquelas que não desistiram após várias tentativas erro. A perfeição é um mito. Aprender com os fracassos ao longo da jornada é o que o eleva acima de tudo o resto.

A sua marca é o seu estilo de vida

Quando é autêntico, não existe a dúvida se está ou não a tomar a decisão “certa”. Lembre-se, não precisa de ser um especialista, ou explicar tudo. Siga a vida com confiança, aceitando quem é no momento e no que acredita.

Deixe um legado

A marca pessoal vai além de construir uma reputação na comunidade. É o causar um impacto pelo qual irá ser relembrado, mesmo após partir. O que quer deixar neste mundo, e de que forma quer ser lembrado?

Desenvolver a sua marca pessoal é uma necessidade. Independentemente de desejar criar impacto à escala global ou fazer pequenas, mas grandes, diferenças dentro da sua comunidade, aprender a usar a sua marca pessoal irá ajudá-lo a concretizar esse objetivo, e aumentar a sua reputação e presença profissional.

Arquivado em:Artigos, Leadership

Escolhas de Miguel Pina e Cunha // Livros

25 Março, 2022 by Denise Calado

O primeiro trimestre trouxe uma boa colheita de livros. Na área da liderança e gestão, dois lançamentos sobressaem. Por um lado, Unicórnios Portugueses, de Ana Pimentel (Lua de Papel). Estas empresas, ditas unicórnios, são fundamentais para rejuvenescer a economia portuguesa. Ana Pimentel ajuda a compreender a emergência de empresas como a Feedzai, Farfetch, Talkdesk e OutSystems. O livro é um manual de inspiração para quem está habituado a ler sobre empresas de outras partes do mundo. Aguardamos uma segunda edição com estes e novos casos.

De Anders Ericsson e Robert Pool foi, entretanto, lançado Peak: Como se tornar o melhor na sua área (Lua de Papel). Peak é boa tradução popular de ciência. Deixa pistas importantes para cada um de nós. Por exemplo: um dom é aquilo que fazemos com os dons que temos. Boa difusão de ciência encontra-se também em Incógnito, de David Eagleman (Lua de Papel). O livro aborda um tema fascinante: o modo como o inconsciente molda a vida. O autor publica nas melhores revistas científicas e apresenta uma oportunidade para revisitar a velha ideia freudiana à luz da melhor ciência contemporânea.

Na Harvard Business Review Press, Marcus Buckingham publica, este abril, Love + Work: How to find what you love, love what you do, and do it for the rest of your life. Buckingham é um autor de best sellers que se assume como um psicométrico apaixonado por factos. Aqui, todavia, enceta uma viagem pessoal e qualitativa pelo domínio do uso das forças pessoais que promovem o propósito e a excelência. Como ele refere, a excelência sustentada é impossível na ausência de loveless jobs. Na mesma editora dois outros destaques.

The Upside of Uncertainty, de Nathan Furr e Susannah Harmon Furr. Num Mundo marcado pelo crescendo de incerteza (Trump, Brexit, COVID, Putin), os autores apresentam inúmeras ideias para abraçar a incerteza em vez de ficar tolhido pela mesma. Rico em listas para pensar e fazer, o volume funciona como um mapa das estradas da incerteza.

A capacidade de nos colocar a pensar é também algo que tenho encontrado, ao longo dos anos, em Roger Martin.

No novo A New Way to Think, que resume vários textos do autor, encontramos alguns dos desafios e comparações entre algum modelo dominante e inadequado e uma melhor opção defendida pelo autor. Eis a questão: estaremos a repetir práticas erradas apenas por uma questão de trabalhosa inércia?

Noutros domínios, nomeadamente o da grande literatura, merecem destaque um trio de clássicos. Para começar os Contos de Cantuária, de Geoffrey Chaucer (E-primatur). Escrito entre 1387 e 1400, este é um dos grandes clássicos, um livro canónico. Merece destaque a beleza da edição, traduzida pelo poeta Daniel Jonas. O livro contém magníficas ilustrações (visíveis, desde logo, na capa) e uma útil cronologia. Trata-se de uma peça de joalharia editorial. Da mesma casa saiu no final do ano passado a Ficção, de António Ferro (E-primatur). Descrito pelo editor Hugo Xavier como “o mais abrangente de todos os modernistas”, Ferro leva-nos a revisitar um país e uma Lisboa passados, e a tropeçar em pensamentos breves, tais como “A música de Bach é o eco do Mundo no infinito…” ou “A Superioridade, muitas vezes, não passa duma atitude”. Na Bookbuilders, outro selo dos mesmos cuidadosos artífices, chega Cidadãos: Uma crónica da revolução francesa, de Simon Schama. O autor percorre com detalhe esse processo complexo a que chamamos Revolução Francesa; explica como este breve descritivo apresenta na realidade uma série de revoluções que marcaram o Mundo, um acontecimento definidor. O livro contém um prefácio especial do autor para a edição portuguesa.

 

 

Finalmente, fast forward para a atualidade. Paulo Nogueira, um jornalista e romancista que comecei a apreciar nos tempos do Independente, regressa com Todos os Lugares são de Fala (Guerra e Paz). Recuperando o tempo em que a imprensa tinha menos causas e mais irreverência, Nogueira explica os perigos desse conceito fascistoide que é o lugar da fala e seus derivados. A coberto da necessidade de progresso, regride a nossa liberdade. Serviço público, é o que este livro é.

Arquivado em:Livros e Revistas

É mesmo verdade, já se pode dormir em Versalhes

25 Março, 2022 by Denise Calado

Se quer ter a sua experiência real, pelo menos uma vez na vida, poder sentir-se rei ou rainha, experimente ir ao mais recente hotel no Palácio de Versalhes. Le Grand Contrôle (edifício que dá o nome ao hotel) foi contruído em 1681 por Jules Hardouin-Mansart, o arquiteto favorito de Luís XIV. Acolheu a elite política europeia, embaixadores e artistas, escritores e cientistas do século das Luzes. Foi restaurado há seis anos, para se transformar num hotel único e oferecer aos seus hóspedes uma verdadeira experiência real.

Tem 14 quartos e suites com mobiliário e objetos de época, oferecendo todo o conforto da modernidade. Está integrado nos mais de mil hectares de jardins de Versalhes com paisagens únicas e de cortar o fôlego. O hotel inspira-se no esplendor do século XVIII, desde os objetos até às fardas dos empregados, que reproduzem integralmente o vestuário da época.

Aberto ao público há quatro anos, foi reconstruído com o rigor arquitetónico garantido pela marca Airelles, que trabalhou a restauração integrando nas suas equipas historiadores que ajudaram a respeitar o espírito do seculo XVIII. O arquiteto, Christophe Tollemer, inspirou-se no Petit Trianon e no estilo pessoal de Luís XVI. Uma das suites mais icónicas é a Madame de Fouquet, inspirada na vida extraordinária da célebre mulher do Marquês de Fouquet, herói da guerra da independência americana.

O hotel tem serviço de mordomo dedicado e ainda conta com uma sala de refeições orientada pelo tão afamado chefe Alain Ducasse, onde se pode tomar pequeno-almoço, almoço, chá e jantares de época. A ementa privilegia produtos naturais e tradicionais, e as receitas que a história de Versalhes foi deixando nos cardápios mais requintados.

O serviço não se fica por aqui, o Le Grand Contrôle conta com o SPA Valmont onde se pode experimentar não só uma piscina interior iluminada com velas e lustres de época, como também massagens e tratamentos da prodigiosa Maison Caulières et Valmont, inspirados nos tratamentos de beleza de Marie-Antoinette.

Se tiver oportunidade de ir até Versalhes, não deixe de fazer esta experiência real e deixar-se acordar pelo mordomo que lhe vai abrir as janelas e preparar o banho, leva-lhe leite de amêndoa e música para que o dia comece realmente.

 

Airelles Château de Versailles, Le Grand Contrôle

12 Rue de l’Indépendance Américaine,

78000 Versailles, França

+33 1 85 36 05 50

Diárias a partir de 1700 euros

Arquivado em:Artigos, Leading Life

Tendências de sustentabilidade para as marcas

24 Março, 2022 by Denise Calado

Como pode a comunicação ajudar a mudança de comportamentos de um modelo de consumo desenfreado, para um consumo sustentável?

Nos dias que correm, a sustentabilidade ambiental passou de um tema marginal a uma necessidade, que nos apela à mudança urgente de hábitos. Para os maiores resistentes à mudança, o segredo está na alteração de pequenos hábitos quotidianos, com vista a uma diminuição progressiva da pegada ecológica. Para as empresas, onde a resistência a esta mudança não é uma opção, a responsabilidade acresce não só a nível de hábitos, mas também ao nível da forma de comunicar e servir os seus clientes.

As exigências ambientais obrigam as marcas a um exercício de introspeção que pode abanar os pilares que antes se pensavam estáveis. Algo tão simples como rever a missão e valores que pautam a empresa, até ao tom de comunicação e posicionamento da marca perante notícias ou acontecimentos do âmbito ambiental.

É parte da nossa missão a preservação ambiental? Temos algum compromisso onde interna e/ou publicamente assumimos o nosso compromisso de sustentabilidade. Aqui, a área de Responsabilidade Social Corporativa é de alta importância. Não devemos hesitar na hora de partilhar com os consumidores as parcerias e metas ambientais da empresa.

É na cadeia de produção que estes compromissos poderão ser primeiramente postos em prática. Desde os meios de transporte utilizados, às soluções de packaging e matérias-primas utilizadas, é todo um processo onde as empresas fazem a diferença. A Digitalização é a palavra de ordem; que vem no sentido de reduzir um dos recursos mais desperdiçados em contexto de escritório e no setor terciário no geral: o papel.

Do lado da comunicação de produtos ou serviços, é essencial colocar a questão: como pode a minha oferta inserir-se no dia-a-dia do meu público-alvo de forma natural e não invasiva? Estou efetivamente a acrescentar valor aos hábitos de consumo? Hoje em dia não basta criar uma necessidade e agregar-lhe um produto ou serviço. A conceção de uma oferta para um mercado tornou-se mais exigente, pois o consumidor tornou-se também ele mais exigente. A inovação da área do Desenvolvimento de Produto não vai a lado nenhum, o consumidor apenas não espera mais um produto para consumir por que sim, mas uma alternativa aos seus hábitos que não comprometam os recursos do Planeta.

É neste sentido que entram negócios como o das reparações, numa lógica que remonta a outros tempos. Para o bem do planeta, o paradigma deverá passar pela reparação ou melhoramento do que já faz parte da rotina do consumidor. Em setores como a Moda, a Slow Fashion ergue-se perante um dos setores responsável por uma das maiores fatias da poluição. Na área da tecnologia, a reparação de equipamentos ou recondicionados Apple e Samsung multiplica-se entre as opções disponíveis ao cliente. É por isso que empresas como a iServices se orgulham de fazer parte deste movimento que, perante as consequências cada vez mais percetíveis do Aquecimento Global, oferecem soluções de combate ao consumo desenfreado, e concebem uma noção de produto mais durável e a par com as exigências do público.

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