Os contextos dos últimos dois anos levaram a um aceleramento em grande escala na digitalização dos negócios, realidade que deverá fortificar-se ainda este ano. Recentemente, a Universidade NOVA SBE e a empresa de consultoria LLYC lançaram o evento “Transformação digital – as hot trends que vão marcar 2022 by LLYC & Nova SBE”, onde foram apresentadas as dez tendências que irão marcar a transformação digital, e contou com a presença de Rui Coutinho, Diretor Executivo da Nova SBE Innovation Ecosystem, e Marlene Gaspar, Diretora Sénior de Deep Digital Business e Engagement da LLYC em Portugal.
Marlene Gaspar avança que ainda existe um longo caminho a percorrer e a decifrar para se chegar à transformação, mas que já se evidencia uma cultura data driven, e que tanto empresas e pessoas que trabalhem em comunicação, marketing e outros serviços têm um “superpoder”: o data, revelando que, embora não seja tema recente, ele ganhou uma nova vertente de não apenas explorar o que aconteceu, mas também ajudar a prever o que vai acontecer, identificando padrões que irão permitir um maior conhecimento e capacidade de saber onde e como agir. “Este superpoder, como nós dizemos na equipa de digital business, acaba por ser muito inspirado no Peter Parker, ‘com grandes poderes vêm grandes responsabilidades’”, cita.
Desta forma vem revelar que o data ajuda a dar certezas num contexto de incertezas. Mas, quais são as macrotendências que nos reservam e irão marcar a inovação digital? Venha conhecê-las:
Inteligência Artificial
Frequentemente mencionada, a inteligência artificial “permite-nos dar conhecimento de muito mais insights dos nossos consumidores e dos nossos stakeholders”, revelou Marlene Gaspar, e como esta pode ser usada em benefício.
Democratização dos dados
A abundância de informação e incerteza de como a manusear e trabalhar os dados de forma a extrair o crucial leva a muitos receios. É possível que não existe falta de dados, o que não existe é “cultura data driven instalada”, sendo que deve chegar a quem precisa de tomar as decisões. Desta forma, será necessário definir estratégias, adotar comportamentos, e aceitar a cultura “fail fast”, no sentido de falhar rápido para aprender com o erro e com a informação antecipada, de forma a tornar mais eficiente a comunicação.
No cookies, no party
A grande incógnita e controvérsia dos tempos modernos. Sendo que toda a publicidade digital tem por base os cookies e, muito recentemente, a Google anuncia o fim da política de cookies. É o “pau de dois bicos” em que os clientes esperam por serviços personalizados, mas, em simultâneo, esperam por privacidade de dados.
Metaverso
Entre os que acreditam, os que o negam, já se sabe que vai acontecer, “a grande pergunta é quando vai acontecer?” Já se falava na ideia de uma segunda vida e das empresas se moverem para estes espaços digitais, mas o metaverso vai mais além, trata-se de uma nova forma de consumo, em que se antecipa que o utilizador vá estar mesmo “dentro da internet”.
Computação quântica
Nem todos irão ter acesso a esta tecnologia dada a sua exigência de condições atmosféricas e a sua complexa decifração. Marlene sugere o filme “Projeto Adam” como um bom exemplo de como também a indústria cinematográfica se tem inspirado e consegue descodificar certos dados científicos “que nos ajudam, mas que também nos vão dar muito mais conhecimento sobre a nossa forma de conseguir construir e de ser cada vez mais preditivos nas nossas análises”.
Audiências fluídas
A nossa sociedade está cada vez mais segmentada por afinidade a uma causa, a uma tendência, e não tanto pela sua faixa etária ou estrato social. Será grande tendência a representação dessa mesma fluidez, e uma adequação de comportamentos a cada segmentação, de forma a que se identifiquem com o produto ou serviço ao qual estão a aceder, “eu posso ser mãe, e não tenho absolutamente nada a ver com uma pessoa da minha idade que gosta imenso de fazer crochet”, exemplificou.
Arquiteturas multicloud
Um estudo da empresa International Business Machines Corporation que 74% dos CEO apontam que arquiteturas multicloud serão mandatórias e verdadeiramente transformadoras, “porque permite um trabalho muito mais colaborativo, maior segurança, muito mais flexibilidade, muito mais rapidez no acesso aos dados”, tudo numa ferramenta acessível a qualquer indivíduo.
Marketing Inclusivo
É o olhar para o data de forma a falar com todos, para todos. É ter o cuidado de não ceder ao bias, à falta de atenção, e procurar promover a inclusão, sendo essa própria inclusão. Rui Coutinho assevera que é necessário entender o que está a acontecer com a “cancel culture, com o politicamente correto, com o cuidado extremo que temos de ter com as palavras que usamos, com as coisas que fazemos, e todos temos um bias qualquer que nos impede muitas vezes de imediatamente verificarmos a exclusão que estamos a gerar”.
Tecnologia voltada para talentos
Trata-se de capacitar as pessoas de forma a conseguirem responder aos desafios tecnológicos e do mercado, e num investimento que acaba por resultar em lucro e maior conexão entre os colaboradores e a empresa. Ao apostar no colaborador, o colaborador está, por sua vez mais investido a apostar na empresa.
Nova Liderança: Digital Leadership
Também os líderes são chamados a evoluir a sua identidade digital e a terem uma mente mais aberta e a ser mais permeáveis à tecnologia.
Poderá assistir ao evento aqui.

