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Denise Calado

As idades de Putin

21 Março, 2022 by Denise Calado

Putin tornou-se o mais odiado dos líderes. Mas nem sempre foi assim e ainda hoje há admiradores deste sinistro personagem. Como chegámos aqui? Consideremos a evolução da nossa perceção de Putin. Ao início, ele foi o homem que trouxe ordem ao caos da Rússia pós-soviética. Depois de Ieltsin, Putin foi o líder que controlou o país e lhe conferiu uma certa aparência de normalidade. Manfred Kets de Vries, professor no Insead, uma escola de gestão, chegou a descrevê-lo como o CEO da Rússia. Putin seria nesta visão um líder pragmático que eventualmente poderia normalizar a Rússia. Esta fase durou até a dança de cadeiras com Medvedev mostrar que algo estava profundamente errado na sala de comando.

Numa segunda fase o Putin CEO tornou-se autocrata. O seu lado sinistro começou a cimentar-se. Os seus opositores começaram a ser espancados, assassinados, envenenados. A polícia secreta não hesitou em matar pessoas fora de portas, no Ocidente. Invadiu países. Apoiou déspotas. Arrasou a Síria. Abateu um avião civil (da Malaysia Airlines) – ou abateram-no por ele os seus “homenzinhos verdes”. A tudo o Ocidente fechou os olhos.

Na terceira fase emergiu o opressor imperialista. Em nome de uma alegada desnazificação da Ucrânia, o seu exército começou mais uma ação de selvajaria. Para Putin parece haver nazis em todo o lado, menos talvez na Wagner, o seu exército de mercenários que possivelmente vai buscar o nome onde parece, ao compositor favorito de Hitler. O imperialista arrasa cidades e faz-nos perceber que assim tem sido a História. Tenho andado a ler Metrópoles, de Ben Wilson (Desassossego) e, tragicamente, exemplos de cidades arrasadas não faltam.

Mas nada disto devia ser surpresa. Outro livro que tenho andado a usar para descodificar a situação, Putinlândia de Bernardo Pires de Lima (Tinta da China), um livro de 2016, explica tudo. Só lá faltam as datas. Um excerto: “Ninguém queria uma guerra na Europa. Acontece que ela já existe, Putin não tem feito mais do que gozar com os líderes europeus” (p.67). Não podemos por isso dizer que ficámos surpreendidos por falta de aviso.

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Líderes, façam o favor de ser felizes!

20 Março, 2022 by Denise Calado

O Dia Internacional da Felicidade ocorre este ano simultaneamente com o Equinócio da Primavera, e é celebrado anualmente no dia 20 de março. Foi comemorado pela primeira vez no ano de 2013, após a proposta ter sido aprovada pela Organização das Nações Unidas, e com a unanimidade dos seus 193 estados membros, no ano de 2012.

A alimentação pode também contribuir para a sensação de bem-estar e felicidade, desta forma, a Juice Plus+, empresa de saúde e bem-estar, listou alguns dos melhores alimentos que geram endorfinas, as hormonas da felicidade, e contribuem para que seja um líder mais feliz:

  • Cacau: Comer pequenas quantidades de chocolate negro puro diariamente não só o podem deixar com um espírito mais alegre, como melhora o sistema cardíaco. A dose recomendada não deve exceder os 20 gramas;
  • Espinafres: O ácido fólico e o potássio contidos nos espinafres são boas armas contra a tristeza, um segredo que o Popeye bem conhecia;
  • Banana: A banana contém a vitamina B6, um aliado na prevenção da depressão e ansiedade, e ainda impulsiona o sistema cognitivo;
  • Abacate: Possuindo na sua composição a vitamina B3, que atua no sistema nervoso central, o abacate garante uma sensação de bem-estar e de calma;
  • Aveia: Auxilia o organismo a libertar serotonina, provocando uma sensação de felicidade, e reduzindo sintomas de insónia e depressão.

A felicidade é fundamental para o bem-estar das nações, e vai além da personalidade de um indivíduo, entendendo-se para o prisma da sua disposição e forma de estar na vida. Segundo dados do World Happiness Report, Portugal, no ano passado, ocupava o 58º lugar no ranking, com 5,9 pontos, ligeiramente acima da média mundial.

A forma como nos sentimos e procuramos pela felicidade é componente fundamental nas nossas vidas. No meio de tarefas, deveres e fases menos positivas, por vezes esquecemo-nos de ouvir a nossa voz interior e tentar entender o que precisamos de mudar e trazer para nos sentirmos mais realizados. Por isso, líderes, não se esqueçam das palavras de Raul Solnado, e “façam o favor de ser felizes!”

Arquivado em:Liderança, Notícias

Programa Contacto: Sonae está a recrutar 80 jovens talentos

18 Março, 2022 by Denise Calado

Estão abertas as candidaturas a finalistas ou recém-graduados de licenciaturas e mestrados do Programa Contacto, das empresas do Grupo Sonae, que decorrem até ao dia 13 de abril. Sonae, Sonae Capital e Sonae Arauco vão designar 80 vagas para quem queira ter a oportunidade de iniciar a sua carreira profissional no Grupo, através da integração em estágios remunerados.

Depois da candidatura e dos testes online, será selecionado um grupo de candidatos para participar no Assessment, que ocorrerá entre o final de abril e o início de maio. Os candidatos vão participar num conjunto de etapas: uma entrevista em formato pitch; um momento de networking, onde podem dar-se a conhecer e interagir com os líderes das empresas; e um conjunto de entrevistas finais. Em maio, serão revelados os 80 trainees que participarão no Dia Contacto e terão a oportunidade de estagiar na Sonae.

O Programa Contacto destina-se a jovens de várias áreas de formação, nomeadamente Tecnologias de Informação, Computação, Engenharia, Física, Matemática, Estatística, Análise de Dados, Gestão, Economia, Finanças, Marketing, Comunicação, entre outras. Os estágios decorrem em áreas como o retalho alimentar, a moda, a eletrónica, os serviços financeiros ou a energia.

Eduardo Mendes, Head of People & Leadership da Sonae, afirma: “Estamos a recrutar jovens talentos que pretendam contribuir para criar hoje um amanhã melhor, para todos. Privilegiamos pessoas com espírito empreendedor, com uma grande vontade de aprender e de criar impacto. Proporcionamos a cada trainee uma experiência única, assente na personalização da sua jornada, ao longo da qual desenvolve competências pessoais e profissionais, através de mentoria, networking e contacto com líderes dos negócios. No final do Programa, os jovens talentos têm oportunidade de continuar o seu percurso numa das nossas empresas.”.

O Programa Contacto foi criado em 1986 com o objetivo de recrutar jovens talentos de elevado potencial para as Empresas Sonae.

Os interessados devem registar-se no site.

 

Arquivado em:Notícias

A comida como combustível da produtividade

18 Março, 2022 by Denise Calado

Quando pensamos nos fatores que contribuem para o nosso desempenho no trabalho, raramente temos em consideração a nossa alimentação. No meio do desafio diário de não deixar acumular e-mails, inúmeras reuniões e deadlines a cumprir, a comida é “apenas” combustível.

A maioria de nós já ouviu a frase “somos o que comemos”. Quase que se tornou um cliché, mas é uma afirmação cheia de fundamento e que faz perfeito sentido se pensarmos na forma como funciona o nosso sistema digestivo cujo papel é extrair o que necessitamos da comida que ingerimos, permitir que isso seja absorvido e chegue às nossas células, e eliminar o que não nos faz falta. Assim, podemos ver que os alimentos que ingerimos têm impacto em tudo o que fazemos, incluindo na produtividade que podemos ter no trabalho.

O que na realidade falta são estratégias práticas para os profissionais ocupados. Aqui ficam algumas:

Tomar o pequeno-almoço antes de sair de casa: sair de casa já alimentado ajuda-nos a estar mais alerta, a gerir melhor o stress e a chegar ao trabalho prontos para começar. Também nos permite optar por alimentos menos processados ou caseiros.

Planear refeições e levar marmitas: despender de algum tempo do fim-de-semana para planear refeições, ir às compras e adiantar alguns cozinhados, reduz o stress diário de pensar no que comer e cozinhar, dá-nos mais tempo e liberdade para nos focarmos e permite-nos fazer escolhas mais conscientes.

Optar por almoços leves: quer optemos por levar o nosso próprio almoço ou comer fora, optar por refeições mais leves, levará a tardes mais produtivas. Preferir grelhados e cozidos, acompanhar com mais vegetais do que arroz/batata/massa, poucos molhos e gorduras, e incluir sopa e fruta, são formas de garantir que não ingerimos mais do que precisamos.

Evitar alimentos que prejudicam a nossa produtividade: salgados (levam ao aumento da desidratação), açúcares não naturais (doces, chocolates, bolos, bolachas, refrigerantes), álcool, gorduras saturadas encontradas nas carnes gordas, fritos e lacticínios (levam ao aumento de fadiga) e cafeína (dá-nos uma falsa sensação de energia temporária, que desce a pique passado algumas horas).

Snacks a meio da manhã e tarde: evitar grandes oscilações dos níveis de açúcar no sangue ajuda-nos a manter o equilíbrio ao longo do dia. Alimentos como os frutos secos e as suas manteigas, a fruta, o cacau, os ovos (cozidos ou mexidos), palitos de cenoura ou pepino, húmus ou guacamole estão cheios de nutrientes, são fáceis de transportar e de digerir, tornando-se candidatos perfeitos para ingerir entre refeições principais. Mantê-los na secretária, no nosso campo de visão, é a melhor forma de garantir que não optamos por outra coisa quando a fome atacar.

Manter-nos hidratados: vários estudos apontam para uma diminuição do desempenho mental, capacidade de decisão, tempos de reação e foco quando estamos em desidratação por apenas 2% do nosso peso corporal. Encher a garrafa de água ao início da manhã e mantê-la por perto é essencial.

Sabemos que quando não comemos o suficiente, temos dificuldade em focar-nos na tarefa a realizar e a nossa concentração é facilmente quebrada. Estes são sinais de que o cérebro não tem a energia suficiente para aquilo que lhe estamos a pedir. Adicionalmente, muitos de nós não compreendemos a relação entre o autocontrolo (um processo complexo a nível de atividade cerebral) e a produtividade. A capacidade de nos focarmos numa tarefa está diretamente relacionada com o autocontrolo. Um estudo publicado na Personality and Social Psychology Review indica que “…a glucose (açúcar no sangue) fornece energia para praticamente todas as atividades cerebrais, sendo plausível que o autocontrolo, como um processo cerebral complexo, esteja altamente dependente dos níveis de glucose”. Isto significa que quando os nossos níveis de açúcar no sangue estão baixos, os nossos níveis de autocontrolo, força de vontade e foco serão também baixos, diminuindo a nossa capacidade de fazer o nosso trabalho.

Mas o extremo oposto também pode ser problemático. Quem nunca teve dificuldade em regressar às suas tarefas depois de um almoço em que comeu demasiado ou optou por alimentos mais difíceis de digerir? A realidade é que quando comemos demais ou optamos por refeições mais ricas em gordura, o sistema digestivo tem de fazer um esforço extra para fazer o seu trabalho, o foco do organismo é a digestão, os níveis de oxigénio no cérebro descem e nós sentimo-nos sonolentos, com vontade de fazer uma sesta.

A nossa alimentação tem maior impacto na nossa produtividade do que nos apercebemos. Por isso, qualquer profissional que queira melhorar o seu desempenho no local de trabalho deve priorizar escolhas alimentares conscientes como parte do caminho para o sucesso. Com atenção, cuidado, escuta ativa do corpo e as estratégias apresentadas é possível tornar a comida no combustível premium da nossa produtividade, assegurando que esta nos ajuda a chegar mais longe todos os dias.

 

 

Arquivado em:Opinião

Dormir bem faz bem, e não são só os amigos do sono que o dizem

18 Março, 2022 by Denise Calado

Hoje celebra-se o Dia Mundial do Sono. Comemorado anualmente na sexta-feira anterior ao equinócio vernal do hemisfério norte, e desde 2008, tem como objetivo relembrar a importância e benéficos que um bom sono pode trazer para a saúde e promover a prevenção de distúrbios do sono.

Entre o ritmo acelerado dos nossos quotidianos, a incerteza da pandemia e dos conflitos entre a Rússia e a Ucrânia, não parecemos ter tempo para descansar, deixando a ideia de que um bom sono regular está à distância de um sonho. Desta forma é fácil ignorarmos a sua importância. Um artigo da News In Health, boletim mensal dos Institutos Nacionais de Saúde que fazem parte do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA (NIH), revela que uma fraca qualidade de sono regular irá afetar o desempenho do cérebro, humor e saúde, aumentando o risco de doenças cardíacas, obesidade, demência, entre outros.

Segundo Marishka Brown, especialista do sono do NIH, o sono saudável vai para além do dormir, e engloba três fatores principais, “uma é o quanto se dorme, outra é a qualidade do sonho – que seja um sono ininterrupto e revigorante. O último é um horário de sono consistente”.

Dormir não se trata unicamente de estar inativo durante um certo período enquanto o cérebro repousa. O que muitos não sabem, por outro lado, é que o cérebro está em constante atividade. Maiken Nedergaard, neurocientista dinamarquesa, revela que o sono ajuda a preparar o cérebro para criar, lembrar e aprender, e que tem um sistema capaz drenar toxinas durante o sono, tornando-se “quase como um rim, ao remover resíduos do sistema”.

Muitos mitos estão também associados às horas que necessitamos de dormir. Muitos especialistas recomendam que as crianças durmam pelo menos nove horas e os adolescentes entre oito a dez, e que os adultos precisam de pelo menos sete horas de sono por noite. Mas não é verdade que, quanto mais velhos, menos horas de sono são necessárias. Os adultos mais velhos ainda necessitam da mesma quantidade de horas, a diferença está na qualidade do sono, que tende a regredir, daí muitas vezes procurarem e serem mais propensos a tomar medicação que interfira no sono.

Dormir mais numa noite seguinte para compensar uma noite mal dormida pode trazer benefícios, mas se a tendência for contínua, em que se verifica uma semana de sono de pouca qualidade, um fim-se-semana não é o suficiente para recuperar. Mais sono, por outro lado, também não simboliza maior benefício. Dormir mais de nove horas sem nos sentirmos revigorados pode indicar que existe algum problema subjacente.

Um distúrbio muito comum é a insónia, que se manifesta na forma de ter dificuldade para dormir ou continuar a dormir sem interrupções, e que conduzirá a que um indivíduo se possa sentir mais cansado ou inquieto durante o dia. Se se manifestar por mais de três meses, é considerada de longa duração. Outro distúrbio é a apneia, nestes casos as vias aéreas superiores ficam bloqueadas durante o sono, o que irá interromper ou reduzir o fluxo de ar, acordando as pessoas durante a noite. Não se esqueça de ser firme nos seus horários de sono, evitar contacto com televisões, telemóveis ou outros dispositivos no seu quarto, e talvez comprar aquela almofada de que tanto precisa e que está adaptada à forma como dorme e ao seu tipo de corpo.

Por fim, relembre o que foi talvez o hino de uma geração antes de ir dormir:

“Vem primeiro o Manuel Esfrega, depois chega o João Pestana, finalmente o Chico Escuro! Somos nós os três amigos do sono. Quando chegamos toda a gente fica bem!”

Por Patrícia Monsanto

Arquivado em:Notícias, Saúde

A liderança que (não) esperávamos

18 Março, 2022 by Denise Calado

Estamos em guerra.

Há dois anos, em março de 2020, quando os líderes mundiais avançaram com uma declaração de guerra conjunta para afirmar e justificar as medidas de contenção de combate à Covid-19, decretando estados de emergência e encerrando fronteiras, estávamos longe de imaginar que, dois anos depois, em março de 2022, se instalaria um verdeiro conflito de guerra.

Julgo aliás que, depois da segunda guerra mundial, nunca mais ninguém imaginou ver a Europa entrar novamente em guerra. É verdade que vivemos outros conflitos durante todos estes anos, mas nenhum com o alcance de mudar a História da Humanidade, como aquele que estalou na Europa do Leste com a invasão da Rússia à Ucrânia, e em total violação do Direito internacional e da Convenção das Nações Unidas.

Um conflito que, apesar de já durar há 8 anos, conseguiu surpreender o mundo ao assumir-se como uma violenta e inesperada ofensiva militar de Putin a um Estado independente, forçando-nos a encarar os horrores da guerra, algo que julgávamos impossível de acontecer na Europa do século XXI.

E, se a pandemia contra a Covid-19 fez sobressair grandes líderes políticos pelos esforços de colaboração conjuntos alcançados, a guerra que se instala é agora um novo teste, bem real, à capacidade de liderança mundial, que exigirá, não só uma nova resposta global estratégica e coordenação conjuntas, como também a capacidade de interação diplomática e de diálogo para reforçar a união do mundo contra a grande ameaça de Putin às democracias liberais.

É isso que estamos já a assistir. Em poucos dias, a União Europeia, responde com a firmeza que se impõe, de forma inédita, mas unida, com três pacotes de sanções económicas à Rússia para garantir, por um lado, os valores fundamentais da humanidade e, por outro, travar Putin, apesar do forte impacto económico que representam para os países em todo o mundo.

Ao mesmo tempo, Zelensky sobressai já enquanto grande líder político, quer pelo exemplo, quer pela capacidade de comunicação capaz de mobilizar o mundo inteiro contra Putin. Estas características, provavelmente inatas, têm permitido a Zelensky responder com resiliência às investidas russas, conquistando o reconhecimento e a compaixão do mundo pela coragem e a determinação reveladas para combater a ameaça coletiva em que Putin nos colocou, lutando pelo futuro do Ocidente.

É este exemplo e caminho de união e de diálogo que precisamos ver emergir por parte dos líderes políticos como instrumentos de resolução desta crise política, mas também de tantos outros conflitos humanitários que permanecem latentes em todo o mundo e que colocam em causa a fé das pessoas nos valores da humanidade e na política.

 

 

Arquivado em:Opinião

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