“A Participação Política da Juventude em Portugal” é o novo estudo apresentado pela Fundação Calouste Gulbenkian com o intuito de entender qual o futuro da democracia, analisar, comparar e retratar a juventude e a sua atividade política. A análise dos dados recolhidos entre 2002 a 2019 pelo European Social Survey baseou-se num inquérito a pessoas com 15 ou mais anos, entrevistas a membros de organizações juvenis e focus groups realizados com jovens ativistas, entre outros. Eis as principais conclusões:
- Os mais jovens têm aderido menos em formas de participação política “convencionais”, como são caso os comícios de partidos, o voto, e outras atividades partidárias;
- Por outro lado, formas de política não-eleitoral têm sido mais adotadas particularmente pela juventude, atingindo também a generalidade dos portugueses, em especial na última década, seja na angariação de fundos para uma determinada atividade cívica, social ou política, na assinatura de petições, e manifestações e boicotes em defesa do meio-ambiente ou outras causas;
- Os jovens dominam especialmente a participação online, participando em fóruns de discussão, partilhando e publicando conteúdos de natureza política, social e cívica nas suas redes sociais, sendo mais frequente na faixa entre os 15 e 24 anos;
- Têm mais perceção individual, comparativamente a outros grupos etários, de que são capazes de influenciar processos políticos e de que o sistema político está disponível para ouvir opiniões e exigências dos cidadãos;
- Não existe relação entre idade e partilha de atitudes populistas;
- A baixa adesão às formas de participação política “convencional” refletem-se na representação prevalecente entre a minoria dos que têm militância partidária, que percecionam estratégias de comunicação e mobilização inadequadas para o público mais jovem. O facto de existirem poucos jovens em lugares de destaque é também visto como um sinal de indisponibilidade para incluir a visão dos mesmos;
- Não existem grandes diferenças entre os temas apoiados pela juventude e o que os partidos valorizam nos seus programas políticos, destacando-se o emprego, a formação e a educação, cidadania e igualdade;
- A participação cívica é considerada como uma forma mais imediata e direta de obter resultados;
- Jovens que estejam envolvidos em estruturas associativas apontam riscos de reputação em tal colaboração, justificada pela potencial limitação da liberdade de ação;
- A análise de perceção de membros coletivos ativistas juvenis, que defendem causas como o antifascismo, proteção do ambiente, defesa dos direitos LGBTQ+ e feministas, entre outros, e que participam em formas de participação mais expressivas e “não convencionais”, revela características que ultrapassam as diferenças entre ideias e causas: os jovens conferem uma identidade mais emocional e ativa com as suas causas;
- O voto não é visto como uma experiência participativa marcante, e sim como excessivamente institucionalizada. Com isto não significa que os jovens negligenciem totalmente os modos “convencionais”, existe ainda a noção de que são um suporte para preservar a democracia, mas com o acréscimo, e lembrete, de que a democracia tem de ir além do Parlamento e das Urnas.
O estudo contou ainda com a parceria do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto, da Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas da Universidade de Aveiro, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Universidade do Minho, e encontra-se disponível para leitura no site da Gulbenkian.