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Denise Calado

Jovens menos ativos na vida política – mito ou realidade

17 Março, 2022 by Denise Calado

“A Participação Política da Juventude em Portugal” é o novo estudo apresentado pela Fundação Calouste Gulbenkian com o intuito de entender qual o futuro da democracia, analisar, comparar e retratar a juventude e a sua atividade política. A análise dos dados recolhidos entre 2002 a 2019 pelo European Social Survey baseou-se num inquérito a pessoas com 15 ou mais anos, entrevistas a membros de organizações juvenis e focus groups realizados com jovens ativistas, entre outros. Eis as principais conclusões:

  • Os mais jovens têm aderido menos em formas de participação política “convencionais”, como são caso os comícios de partidos, o voto, e outras atividades partidárias;
  • Por outro lado, formas de política não-eleitoral têm sido mais adotadas particularmente pela juventude, atingindo também a generalidade dos portugueses, em especial na última década, seja na angariação de fundos para uma determinada atividade cívica, social ou política, na assinatura de petições, e manifestações e boicotes em defesa do meio-ambiente ou outras causas;
  • Os jovens dominam especialmente a participação online, participando em fóruns de discussão, partilhando e publicando conteúdos de natureza política, social e cívica nas suas redes sociais, sendo mais frequente na faixa entre os 15 e 24 anos;
  • Têm mais perceção individual, comparativamente a outros grupos etários, de que são capazes de influenciar processos políticos e de que o sistema político está disponível para ouvir opiniões e exigências dos cidadãos;
  • Não existe relação entre idade e partilha de atitudes populistas;
  • A baixa adesão às formas de participação política “convencional” refletem-se na representação prevalecente entre a minoria dos que têm militância partidária, que percecionam estratégias de comunicação e mobilização inadequadas para o público mais jovem. O facto de existirem poucos jovens em lugares de destaque é também visto como um sinal de indisponibilidade para incluir a visão dos mesmos;
  • Não existem grandes diferenças entre os temas apoiados pela juventude e o que os partidos valorizam nos seus programas políticos, destacando-se o emprego, a formação e a educação, cidadania e igualdade;
  • A participação cívica é considerada como uma forma mais imediata e direta de obter resultados;
  • Jovens que estejam envolvidos em estruturas associativas apontam riscos de reputação em tal colaboração, justificada pela potencial limitação da liberdade de ação;
  • A análise de perceção de membros coletivos ativistas juvenis, que defendem causas como o antifascismo, proteção do ambiente, defesa dos direitos LGBTQ+ e feministas, entre outros, e que participam em formas de participação mais expressivas e “não convencionais”, revela características que ultrapassam as diferenças entre ideias e causas: os jovens conferem uma identidade mais emocional e ativa com as suas causas;
  • O voto não é visto como uma experiência participativa marcante, e sim como excessivamente institucionalizada. Com isto não significa que os jovens negligenciem totalmente os modos “convencionais”, existe ainda a noção de que são um suporte para preservar a democracia, mas com o acréscimo, e lembrete, de que a democracia tem de ir além do Parlamento e das Urnas.

O estudo contou ainda com a parceria do Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa, do Centro de Investigação e Intervenção Educativas da Universidade do Porto, da Unidade de Investigação em Governança, Competitividade e Políticas Públicas da Universidade de Aveiro, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde da Universidade do Minho, e encontra-se disponível para leitura no site da Gulbenkian.

Arquivado em:Notícias, Política

Mobile Commerce: como maximizar o seu potencial

16 Março, 2022 by Denise Calado

Longe vai a ideia de que o awareness acontecia no smartphone e a conversão no PC. Os dispositivos móveis têm vindo a tornar-se a principal plataforma de compras a nível mundial e, atualmente, o m-Commerce engloba a buyer’s journey do início ao fim.

No entanto, muitas empresas limitam-se a reproduzir a mesma metodologia em todos os canais digitais, e isso é um erro.

Em primeiro lugar, a regra de ouro em qualquer indústria é analisar a viabilidade do projeto que se pretende realizar. É certo que o m-Commerce está em expansão, mas isso não significa necessariamente que seja a melhor opção para o seu negócio. Pode ser que, devido ao seu público-alvo ou nicho de mercado, a sua loja online não se enquadre neste universo e essa é a primeira coisa que deve descobrir.

É igualmente importante saber qual a principal rede social no seu mercado e a que gera mais engagement. É aí que deve focar a sua estratégia de anúncios. As redes sociais oferecem informação detalhada sobre os interesses e preferências dos clientes. Tire partido disso para direcionar as suas campanhas e aumentar a taxa de conversão dos seus anúncios.

Se concluir que, de facto, faz sentido investir no m-Commerce, e para que os clientes possam aceder à sua loja a partir dos seus dispositivos móveis, é essencial desenhar uma experiência de compra intuitiva e acessível, otimizada para este tipo de dispositivos.

Estes são alguns dos pontos a considerar para uma experiência de compra simples e fluída para dispositivos móveis:

  • Incluir botões, CTAs, descrições e logotipos apelativos;
  • Incluir barras de pesquisa, menus de navegação e catálogos;
  • Informação estruturada que facilite o acesso do utilizador a cada uma das categorias da sua loja;
  • Eliminar pop-ups e outros elementos que possam ser incomodativos;
  • Dar prioridade às imagens em detrimento do texto;
  • Reduzir o tamanho das imagens para acelerar a velocidade de carregamento.

Além disso, se um utilizador faz uma compra a partir de um smartphone, é provável que faça a gestão e acompanhamento da encomenda a partir dele. Por isso, não é aconselhável forçá-lo a utilizar outro dispositivo.

O mesmo acontece com o apoio ao cliente. Todas as dúvidas que os clientes possam ter quando navegam numa loja online a partir do seu dispositivo móvel devem ser respondidas através do mesmo canal.

Por último, é essencial simplificar ao máximo o processo de checkout. A complexidade do checkout, nomeadamente a obrigatoriedade em criar uma conta, são uma das principais razões que levam o cliente a abandono do carrinho de compras, a par e passo com a insatisfação com a política de devoluções. Por isso, é recomendado, por exemplo, que os dados de faturação do cliente possam ser preenchidos automaticamente. Caso contrário, sempre que o utilizador quiser fazer uma compra, terá de digitar manualmente o número do cartão utilizando o teclado do telemóvel.  Um checkout otimizado é um grande aliado à conversão, seja no m-Commerce ou no e-Commerce.

A forma como as pessoas fazem compras está em constante mudança e, para ter sucesso, é fundamental que a sua loja seja capaz de acompanhar as novas tendências.

Arquivado em:Líder Corner, Notícias

A Húbris de Putin

16 Março, 2022 by Denise Calado

A história e a sabedoria clássica não deixam dúvidas: o exercício do poder durante longos anos, sobretudo quando acompanhado de sucesso, conduz à húbris. O mito de Dédalo e Ícaro é uma veemente lição: quando o poderoso voa demasiado alto, em direção ao Sol, a cera que lhe cola as asas ao corpo derrete, e o resultado é a queda. A húbris é uma doença resultante da intoxicação pelo poder. Atente-se aos escândalos empresariais e políticos que têm ocorrido um pouco por todo o mundo, e a conclusão é quase sempre a mesma: por trás do palco e da fanfarra (ou fanfarronice), encontramos a liderança soberba.

Estes líderes deslumbram-se com o sucesso alcançado, a fama mediática, o endeusamento de que são alvo, os elogios dos sicofantas, e a aura de salvadores que lhes é conferida. Com o decurso do tempo, tornam-se avessos à discordância e à crítica. Humilham quem não se curva perante eles. Tornam-se indiferentes ao sofrimento que causam. Acabam rodeados de pessoas que lhes dizem apenas o que querem ouvir. Desenvolvem uma visão insuflada de si próprios. A equipa que os rodeia transforma-se num bando de sicofantas. Passam a viver numa bolha, desligados da realidade. Segundo a investigação, este processo de exercício do poder conduz a alterações biológicas e neuronais. Estas, por seu turno, reforçam o perfil comportamental soberbo. Por vezes, a bolha avoluma-se para lá das leis da física e da vida, ou alguém a pica – e o desastre tomba sobre a organização, o país e, muitas vezes, o próprio líder.

As razões para o comportamento de Putin são complexas. Mas a húbris deve ser colocada na equação. O novo czar exerce o poder há demasiado tempo – caso contrário, não seria um verdadeiro czar! Este exercício tem vido a ser progressivamente menos vigiado por um sistema de pesos e contrapesos que, a existir, poderia prevenir excessos. Putin humilha quem tem a veleidade de se escusar à narrativa correta – a dele. Foi cultivando a imagem de líder forte e vigoroso, não apenas do ponto de vista psicológico e emocional, mas também físico. Assume o papel de líder messiânico, capaz de resgatar a autoestima e o esplendor da alma russa. Encara o destino da Rússia e o seu próprio como inseparáveis. Foi bem-sucedido em múltiplas investidas militares em que se foi envolvendo, o que lhe insuflou a autoconfiança. Está cada vez mais isolado da realidade. Desenvolveu paranoia e pensamento fantasioso. Obama e Merkel abominavam as suas mentiras. É profundamente perigoso. Há razões para supor que, ocorra o que vier ocorrer na guerra da Ucrânia, a toxicidade do poder hubrístico de Putin continuará a causar danos. O czar não terá qualquer pudor em levar-nos a todos para o inferno. O único obstáculo, a existir, será ele próprio: a busca de preservação da sua vida e a manutenção da sua fantasia soberba.

PS1: se quer saber mais sobre a húbris, sugiro a leitura Na doença e no poder e Hubristic leadership. Poderá também encontrar informação muito útil no site Daedalus Trust.

PS2: sobre Putin, pode ler The man without a face, e Putin’s Kleptocracy.

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Dia da Liberdade de informação

16 Março, 2022 by Denise Calado

Reconhecida pela Resolução 59 da Assembleia Geral das Nações Unidas adotada em 1946, e dois anos mais tarde pelo artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a liberdade de informação “é um direito humano fundamental e alicerce de todas as liberdades às quais estão consagradas as Nações Unidas”, e requer, indispensavelmente, a vontade e capacidade de usar, e não abusar, dos privilégios, incluindo o direito de difusão, procura e de receber informação sem barreiras.

A sua pertinência foi também exacerbada na Declaração de Dakar em 2005, sobre os media e boa governança, a de Maputo em 2008, que veio promover a liberdade de expressão, autonomização e acesso à informação, e a de Brisbane em 2010, com o direito de saber.

Este Dia da Liberdade de Informação celebra-se anualmente a 16 de março, coincidindo com o dia do nascimento de James Madison, o “pai da Constituição” e antigo Presidente dos Estados Unidos da América.

Na atualidade, a liberdade de informação é também estendida às redes sociais e ao mundo digital, que, mais do que nunca, são ferramenta essencial na divulgação, melhorando o acesso de forma universal ao conhecimento e informação.

Existem algumas exceções. Se, à partida, todas as informações detidas por governos e instituições governamentais são públicas, podem ser, no entanto, ocultadas caso existam motivos legítimos, e tipicamente são casos que dizem respeito a questões de segurança ou da vida pessoal.  O direito de privacidade estende-se igualmente aos meios digitais, às propriedades intelectuais e direitos de autor.

Embora os tempos do lápis azul tenham passado, a censura ainda se manifesta de variadas formas, seja na alteração de dados, seja na ocultação ou seleção de informação que é transmitida, acrescentando a onda de desinformação e informação que não é autenticada, e ainda assim se propaga como tal.

Preservar a liberdade de informação passa também por atribuir-lhe rigor e ter uma mente autocrítica, capaz de discernir potenciais manipulações e incongruências, com a obrigação moral de difundir sem intenções maliciosas, ou estimular propagandas cujo destino seja promover atos de agressão, ameaças e ruturas à paz.

Arquivado em:Notícias

Saúde lidera ranking das marcas mais relevantes em Responsabilidade Social Corporativa

16 Março, 2022 by Denise Calado

Notoriedade, admiração, relevância, confiança, preferência e recomendação foram os atributos avaliados pelos portugueses, durante o ano de 2021, no estudo de relevância em Responsabilidade Social Corporativa de marcas nacionais e internacionais. A avaliação, realizada pela consultora OnStrategy, considerou numa escala de 100 pontos, mais de 50 setores de atividade. O estudo regista apenas 17 marcas no nível de excelência (mais de 80 pontos) e volta a destacar as marcas associadas ao setor da saúde, que registam os melhores índices em dois anos consecutivos, no cenário de pandemia:

  1. Hospital São João (85,8 pts)
  2. Hospital Santa Maria (85,7 pts)
  3. Pfizer (85,4 pts)
  4. Delta (84,9 pts)
  5. CUF (84,5 pts)
  6. Hospital da Luz (83,6 pts)
  7. Farmácias Portuguesas (82,9 pts)
  8. Cruz Vermelha (82,3 pts)
  9. Nestlé (81,7 pts)
  10. Fundação Champalimaud (81,2 pts)
  11. Hospital São José (80,8 pts)
  12. Hospital Egas Moniz (80,6 pts)
  13. Banco Alimentar (80,5 pts)
  14. Lusíadas Saúde (80,5 pts)
  15. Santa Casa da Misericórdia (80,5 pts)
  16. Federação Portuguesa Futebol (80,4 pts)
  17. UNICEF (80,2 pts)

“No cenário de pandemia que vivemos há dois anos não é estranho que o setor da saúde seja o mais exposto e que as suas marcas voltem a ser as mais relevantes e melhor consideradas e avaliadas pelo esforço, dedicação e resultados da sua atividade”, refere Pedro Tavares, Partner e CEO da OnStrategy. “Apandemia veio mudar e as motivações e preocupações dos cidadãos, e nesse sentido as marcas dos outros setores de atividade têm um novo desafio sobre a forma de atuar e de serem mais relevantes sendo uma das vias a construção de pontes com o setor da saúde”, conclui.

Arquivado em:Notícias, Saúde

Desporto: unir e liderar

16 Março, 2022 by Denise Calado

Portugal tem uma tradição de fraca aposta nas modalidades desportivas, com poucos recursos, o que acaba por afetar o desempenho. “Decidimos jogar contra as melhores equipas, mas depois, no processo, fazemos totalmente o contrário. Isto é um problema cultural. No nosso país, precisamos de trabalhar muito sobre o que queremos nos nossos desportos. Queremos jogar contra os melhores ou os piores?”. A afirmação é de Paulo Ferreira, Selecionador Nacional de Andebol, durante o encontro “Inside Sports Talks – Como desenvolver uma modalidade?”, organizado pelo ISCTE.

Falar sobre marketing desportivo e o desenvolvimento de uma modalidade, foi o mote para a conversa entre Carlos Barroca, Associate Vice-president of Basketball Operation da NBA Asia, Pedro Dias, Vice Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Dionísio, Diretor da Pós graduação em Gestão e Marketing do Desporto do ISCTE Executive Education, Pedro Miguel Moura, Presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, Troy Justice, Vice-Presidente da NBA e Paulo Ferreira.

Um jogo de basquete tem muito mais do que uma bola a entrar num cesto, há mesmo uma diplomacia desportiva que inunda o mundo, pela forma como uma simples “peça redonda de borracha, couro e ar consegue impactar vidas, trajetórias de vidas, pode fazer pessoas felizes (…), uni-las, e permite que pessoas de diferentes lugares sejam uma só”, reconhece Troy Justice que realça a importância de discutir o desporto e as suas modalidades, e no quão fulcral é a motivação final, o “que é que realmente queremos realizar”.

No caso da NBA, cuja missão é “inspirar e conectar pessoas em todo o lado através do poder do basquetebol”, assegura que, embora curta, esta declaração tem muito a dizer no papel de unificação e globalização e sentido de união. Mais do que representar uma associação, é representar e trabalhar em nome da sua comunidade, “trazendo oportunidades que provavelmente não teriam de outra forma”.

Paulo Ferreira corrobora as palavras de Troy Baker, respondendo que estão ligadas com “fatores mentais ao nível do que é o trabalho e a produtividade na forma como as pessoas funcionam entre elas”, e outros fatores de sinergia, respeito e detalhes do “fazer acontecer”. Carlos Barroca avança que se não há energia não há comunicação, se não há comunicação não há resultados, não trabalhamos juntos”.

Pedro Dias vem dizer ser necessário olhar para o “que é a missão da Federação Portuguesa de Futebol” e que reconhece como sendo os principais pilares: a gestão de relações nacionais, o desenvolvimento das modalidades e a organização de competições. Deste modo, “olhar para a Federação como uma entidade que tem responsabilidade na promoção e desenvolvimento da prática desportiva” é um elemento de foco.

Pedro Miguel Moura relembra, através da sua experiência, que muitas pessoas desconhecem os feitos de outras modalidades menos conhecidas e os esforços dos seus atletas, “Aquele que talvez fosse um dos segredos mais bem guardados do desporto português era que havia uma equipa em Portugal de uma modalidade como o pingue pongue, o ténis de mesa, que era, e ainda é, das melhores equipas do mundo, e que ninguém sabia”, revelou, lembrando o jogo com a Coreia do Sul a 5 de agosto de 2012, quando Portugal tentou lutar por uma medalha.

Arquivado em:Desporto, Notícias

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