Portugal tem uma tradição de fraca aposta nas modalidades desportivas, com poucos recursos, o que acaba por afetar o desempenho. “Decidimos jogar contra as melhores equipas, mas depois, no processo, fazemos totalmente o contrário. Isto é um problema cultural. No nosso país, precisamos de trabalhar muito sobre o que queremos nos nossos desportos. Queremos jogar […]
Portugal tem uma tradição de fraca aposta nas modalidades desportivas, com poucos recursos, o que acaba por afetar o desempenho. “Decidimos jogar contra as melhores equipas, mas depois, no processo, fazemos totalmente o contrário. Isto é um problema cultural. No nosso país, precisamos de trabalhar muito sobre o que queremos nos nossos desportos. Queremos jogar contra os melhores ou os piores?”. A afirmação é de Paulo Ferreira, Selecionador Nacional de Andebol, durante o encontro “Inside Sports Talks – Como desenvolver uma modalidade?”, organizado pelo ISCTE.
Falar sobre marketing desportivo e o desenvolvimento de uma modalidade, foi o mote para a conversa entre Carlos Barroca, Associate Vice-president of Basketball Operation da NBA Asia, Pedro Dias, Vice Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Dionísio, Diretor da Pós graduação em Gestão e Marketing do Desporto do ISCTE Executive Education, Pedro Miguel Moura, Presidente da Federação Portuguesa de Ténis de Mesa, Troy Justice, Vice-Presidente da NBA e Paulo Ferreira.
Um jogo de basquete tem muito mais do que uma bola a entrar num cesto, há mesmo uma diplomacia desportiva que inunda o mundo, pela forma como uma simples “peça redonda de borracha, couro e ar consegue impactar vidas, trajetórias de vidas, pode fazer pessoas felizes (…), uni-las, e permite que pessoas de diferentes lugares sejam uma só”, reconhece Troy Justice que realça a importância de discutir o desporto e as suas modalidades, e no quão fulcral é a motivação final, o “que é que realmente queremos realizar”.
No caso da NBA, cuja missão é “inspirar e conectar pessoas em todo o lado através do poder do basquetebol”, assegura que, embora curta, esta declaração tem muito a dizer no papel de unificação e globalização e sentido de união. Mais do que representar uma associação, é representar e trabalhar em nome da sua comunidade, “trazendo oportunidades que provavelmente não teriam de outra forma”.
Paulo Ferreira corrobora as palavras de Troy Baker, respondendo que estão ligadas com “fatores mentais ao nível do que é o trabalho e a produtividade na forma como as pessoas funcionam entre elas”, e outros fatores de sinergia, respeito e detalhes do “fazer acontecer”. Carlos Barroca avança que se não há energia não há comunicação, se não há comunicação não há resultados, não trabalhamos juntos”.
Pedro Dias vem dizer ser necessário olhar para o “que é a missão da Federação Portuguesa de Futebol” e que reconhece como sendo os principais pilares: a gestão de relações nacionais, o desenvolvimento das modalidades e a organização de competições. Deste modo, “olhar para a Federação como uma entidade que tem responsabilidade na promoção e desenvolvimento da prática desportiva” é um elemento de foco.
Pedro Miguel Moura relembra, através da sua experiência, que muitas pessoas desconhecem os feitos de outras modalidades menos conhecidas e os esforços dos seus atletas, “Aquele que talvez fosse um dos segredos mais bem guardados do desporto português era que havia uma equipa em Portugal de uma modalidade como o pingue pongue, o ténis de mesa, que era, e ainda é, das melhores equipas do mundo, e que ninguém sabia”, revelou, lembrando o jogo com a Coreia do Sul a 5 de agosto de 2012, quando Portugal tentou lutar por uma medalha.


