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Denise Calado

As estranhas teorias dos ditadores

14 Março, 2022 by Denise Calado

Antes de invadir a Ucrânia, Putin foi escrevendo vários ensaios sobre a sua visão da Mãe Rússia. Estes estranhos textos, “entediantes solilóquios sobre História”, como lhes chamou no Expresso Lourenço Pereira Coutinho, têm uma dupla missão: justificar o que não tem justificação e dar uma patine filosófica às ações do líder messiânico que, mais que cumprir um desejo individual, leva a cabo uma necessária correção histórica.

O processo não é novo. Mesmo os ditadores precisam de justificar as suas ações.  Nas sociedades laicas, a vontade dos deuses tornou-se insuficiente, pelo que se apela à nova fonte de conhecimento: a ciência e a filosofia, ou melhor, a teoria da conspiração mascarada de ciência e filosofia. Neste caso a ciência dá lugar à pseudociência e a filosofia serve para impedir o pensamento e não para o expandir. A lógica da desconfirmação é substituída pela da confirmação: todos os argumentos servem para provar a razão do ditador.

Os nazis usaram e abusaram deste estratagema, tal como ilustrado num livro recente, O Delírio Nazi, de Heather Pringle (Casa das Letras). Na sua teoria, uma raça superior mais não almejaria que reclamar o seu lugar no mundo e o direito ao espaço vital, o lebensraum. O ditador russo alinha pelo mesmo diapasão com uma mistura de teorias de conspiração e filosofia de pacotilha, como vários analistas têm mostrado. Eis a trágica conclusão: a ciência busca a verdade mas às vezes as visões pseudocientíficas de quem manda obrigam milhões a engolir patranhas.

 

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Elsa Carvalho integra o Conselho de Administração do Grupo Egor

14 Março, 2022 by Denise Calado

Com mais de 25 anos de carreira profissional, em que nos últimos 18 liderou áreas de transformação e Recursos Humanos em funções de Direção, Elsa Carvalho integra o Conselho de Administração do Grupo Egor. Com esta integração pretende-se reforçar a Egor na consultadoria de Recursos Humanos, oferecendo um serviço global e diferenciador. Com um foco na atualização académica e formativa diversificada, Elsa Carvalho destaca-se pelos prémios de reconhecimento como melhor “Diretor de Recursos Humanos” e “Mulher de negócios”.

Arquivado em:Notícias, Pessoas

Novas empresas em 2022

14 Março, 2022 by Denise Calado

Nos dois primeiros meses de 2022 nasceram em Portugal 8 868 novas empresas, o que representa um crescimento de 35% face ao mesmo período do ano passado. Segundo a análise do Barómetro Informa D&B, em relação ao mesmo período (janeiro e fevereiro) de 2020, o último ainda antes da pandemia, a diferença é de apenas -8%.

Os dados confirmam uma trajetória de recuperação do empreendedorismo, em que os dois setores mais afetados pela pandemia, Alojamento e restauração e Transportes, estão agora entre aqueles que registaram o maior crescimento: Alojamento e restauração com 352 novas empresas (+80%) e Transportes com mais 278 (+105%).

Destacam-se também crescimentos significativos nos setores dos Serviços gerais (+411 constituições, +49%), Atividades imobiliárias (+331 constituições, +40%) e Serviços empresariais (+304 constituições, +26%). Atividades Imobiliárias, Tecnologias de informação e comunicação e Agricultura e outros recursos naturais são os únicos setores que crescem inclusivamente face ao mesmo período de 2020, antes da pandemia.

O crescimento na constituição de novas empresas é transversal a todas as regiões e distritos, com destaque para a Área Metropolitana de Lisboa, com 1 215 constituições, que correspondem a um aumento de 57%.

Verificaram-se também, em janeiro e fevereiro de 2022, menos encerramentos e insolvências, com um decréscimo de 4%, em período homólogo, o equivalente a cerca de 2000 empresas. A maioria dos setores de atividade registam valores de encerramento inferiores a 2021, com a exceção das Retalho (+38 encerramentos, +13%), Indústrias (+33 encerramentos, +17%), Atividades Imobiliárias (+21 encerramentos, +16%) e Serviços Gerais (+1 encerramento, +0,4%).

No mesmo período, 263 empresas iniciaram um processo de insolvência, valor que representa uma descida 23% face a 2021 (menos 80 novos processos).

Ver o Barómetro completo aqui: https://barometro.informadb.pt/barometro-tecido-empresarial

Arquivado em:Economia, Notícias

A crescente importância do upskill num mundo totalmente digital

14 Março, 2022 by Denise Calado

Cada vez mais a competitividade dos negócios, o desempenho e a satisfação dos colaboradores, assim como a experiência do cliente, dependem da combinação de avanços tecnológicos e da existência de determinadas competências. No entanto, embora muitas pessoas em todo o mundo mantenham uma expectativa alta relativamente a mudanças tecnológicas, a confiança na sua capacidade de aproveitar ao máximo essas oportunidades nos próximos anos ainda é fraca.

Isto está de acordo com o mais recente relatório Global Digital Readiness Index da Salesforce. Dados de mais de 23 mil profissionais empregados em 19 países revelam uma crescente crise global de competências digitais e a urgente necessidade de agir. Os entrevistados partilharam opiniões sobre a sua preparação para a digitalização, nível atual de competências digitais (no dia a dia, e no local de trabalho), acesso a recursos, suporte e participação em projetos de upskilling.

Em primeiro lugar, o nosso novo mundo digital gira à volta da capacidade de todos terem as competências para poder fazer parte dele. À medida que a lacuna entre esperança e confiança aumenta, é fundamental a existência de um compromisso global para preencher as crescentes falhas de competências digitais para o sucesso e a prosperidade futura do nosso mundo.

Uma parte fundamental deve incluir a diferenciação entre as competências digitais do dia a dia e as do local de trabalho, preparar os colaboradores para novos empregos que irão surgir e redesenhar o papel que as empresas podem desempenhar no fomento de uma cultura de aprendizagem digital contínua.

 

Dar prioridade às competências digitais do mundo real

É uma suposição comum de que os países desenvolvidos e as gerações mais jovens se sintam mais preparados para as competências digitais exigidas pelos empregos de hoje em dia. No entanto, mesmo um nível avançado em competências digitais do quotidiano, como redes sociais e navegação web, não se traduz necessariamente nas competências necessárias para impulsionar a recuperação económica e o impacto social positivo.

De acordo com a maioria das pessoas que responderam ao inquérito, as cinco competências digitais mais importantes nas quais as empresas precisam de investir atualmente e, nos próximos cinco anos, são as competências de tecnologia de colaboração, competências administrativas digitais, competências de criptografia e cibersegurança, competências de comércio eletrónico e comércio digital e competências de gestão de projetos.

Essas competências diferem daquelas que são normalmente ensinadas nos tradicionais ambientes escolares, como codificação e ciência de dados, e reiteram a necessidade de recrutamento pelas empresas, para que se concentrarem menos em programas educacionais estabelecidos, e mais nas competências digitais do mundo real, que as suas equipas realmente exigem.

 

Cimentar competências como um compromisso de negócios a longo prazo

O baixo nível de confiança digital correlaciona-se com baixos níveis de aprendizagem ativa em todo o mundo. E a isto não ajuda a contínua falta de coesão entre educação, competências e empregos em todo o mundo.

As empresas com uma estratégia de disponibilidade digital no centro da sua agenda estarão melhor posicionadas para sobreviverem e prosperarem, auditando as competências atuais dos seus profissionais e as necessárias para o futuro; identificando como as competências podem e devem ser desenvolvidas num ambiente de trabalho cada vez mais híbrido; tomando medidas para garantir que a aprendizagem seja implementada de forma eficaz; e tornando-se mais atraente e relevante para os candidatos a um emprego no meio de uma elevada escassez de competências.

Ao continuar a equipar os trabalhadores com as competências digitais do futuro, podemos desbloquear um maior crescimento e oportunidades, ao mesmo tempo em que abordamos os próximos desafios – quer se tratem de novas pandemias, choques económicos ou relacionados com o tema da sustentabilidade.

Mais empresas reconhecem o seu dever de ajudar a construir um futuro sustentável para todos. A relação entre upskilling digital e sustentabilidade é também uma preocupação crescente, aumentando a procura por competências digitais para tecnologia operacional, que promova atividades de negócios sustentáveis, como o rastreamento, medição e análise de dados climáticos dentro de uma organização.

Agora, mais do que nunca, as empresas devem trabalhar em estreita colaboração com os governos e as partes interessadas da comunidade, para garantir que a formação e o recrutamento sejam dimensionados para responder à procura digital, alcançar todos os aspetos da sociedade e acelerar a recuperação e o crescimento. Em conjunto, podemos repensar a transformação digital e a educação ao longo da vida, garantindo uma mentalidade orientada para o digital, de forma a ajudar a preencher as lacunas de competências digitais com mais eficiência.

Aumentar a confiança sobre a esperança na nossa capacidade de alavancar novas tecnologias de forma eficaz, e participar na economia digital, é fundamental para desbloquear grandes mudanças socioeconómicas, que garantam crescimento, inovação e felicidade em igual medida.

Arquivado em:Opinião

Plástico. Onde começou e como escalou?

14 Março, 2022 by Denise Calado

Ao longo das próximas semanas, e com base no relatório “Global Plastics Outlook: Economic Drivers, Environmental Impacts and Policy” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, iremos desvendar os fatores que dão origem aos volumes excessivos do uso e desperdício de plástico, perceber os impactos que tem no ambiente, e apresentar tendências e inovações que estimam um mundo mais sustentável.

O ciclo de vida dos plásticos está longe de ser circular, sendo que, acompanhado pelo crescimento da população global e aumento de rendimentos, impulsionou a produção, atingindo, em 2019, os 460 milhões de toneladas. Embora a Pandemia tenha reduzido ligeiramente o seu crescimento, as probabilidades apontam que recupere uma vez mais.

A pobre gestão dos resíduos de plástico em fim de vida representa uma das maiores ameaças à poluição, resultando em 22 milhões de toneladas de materiais plásticos em fuga para o ambiente no ano de 2019. Estima-se que existam 30 milhões de toneladas acumuladas no oceano, e 109 milhões de toneladas nos rios, que estão e irão impactar os ecossistemas aquáticos e terrestres nas próximas décadas, colocando pelo caminho em causa a integridade dos ambientes, e também a subsistência animal e humana.

O plástico não é um produto homogéneo, e inclui diferentes tipos de polímeros (compostos formados pela combinação de moléculas grandes, macromoléculas, e pequenas, monómetros, através de reações químicas), cada um com o seu tipo de reciclabilidade, tempo de vida, e risco para a saúde humana e ambiente.

O primeiro plástico a ser fabricado, de nome Parkesine, foi desenvolvido em meados do século XIX, e usado como impermeável de roupa e substituto sintético do marfim. Embora tenha sido o primeiro, a produção em grande escala e sem precedentes, ocorre em 1950, expandindo 230 vezes até aos dias de hoje.

A preocupação sobre os seus impactos surge na década de 70, momento em que os cientistas começam a observar plásticos no meio aquático. Uma publicação de 1987, “Plastics in the Ocean: More than a Litter Problem”, já anunciava o grande problema de que os detritos de plástico descartados afetavam os oceanos e o seu ecossistema e, consequentemente, estariam também presentes na cadeia alimentar, ar e fornecimento de água, podendo comprometer a saúde pública.

Todavia, e apesar dos avisos, a preocupação só atinge o público global no século XXI, devido ao foco mediático. Subitamente, “90,5%”, a percentagem de plástico que nunca passou por processo de reciclagem, passa, em 2018, a ser a estatística do ano da Royal Statistics Society. Desde então, países impõem restrições ao uso singular de plásticos, e surgiram iniciativas, como a “Osaka Blue Ocean Vision” da G20, que visa chegar a zero plásticos marinhos adicionais em 2050.

À medida que se torna cada vez mais difícil e dispendioso limpar estas partículas de plástico, cada vez menores, da natureza, é imprescindível consciencializarmo-nos sobre os seus impactos, procurarmos por soluções que não só reduzam o nosso consumo, como o tornem mais reciclável e responsável. Preservar a nossa Terra começa agora.

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Ucrânia: uma crise humanitária

14 Março, 2022 by Denise Calado

Desde o começo da invasão russa a 24 de fevereiro, mais de 2 milhões de pessoas, a maioria mulheres e crianças, abandonaram a Ucrânia para países vizinhos. No dia 8 de março, mais de metade dessas pessoas (mais de 1,4 milhões), chegaram à Polónia, com a Hungria, Moldávia, Eslováquia e Roménia a receber meio milhão de cidadãos ucranianos. Os dados são da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), que revela ainda haver relatos de pessoas que esperaram 60 horas para entrar na Polónia, enquanto as filas na fronteira romena têm até 20 km, segundo um porta-voz da ACNUR.

Martin Griffiths, chefe humanitário da ONU, asseverou que “famílias com crianças pequenas estão em porões e estações de metro ou a correr para salvar a vida ao som de explosões e sirenes”. O número de vítimas aumenta a cada minuto que passa e adivinham-se tempos mais sombrios caso medidas não sejam tomadas para travar os confrontos. Filippo Grandi, alto-comissário para os Refugiados, relembra que estamos perante “o que se pode tornar a maior crise de refugiados da Europa neste século”, alertando que será necessário mais apoio do que o que tem sido efetuado até agora para os proteger.

As Nações Unidas e parceiros humanitários lançaram apelos de emergência para fornecer apoio humanitário urgente que contabilizam o total de 1,7 mil milhões de dólares, estimando que 12 milhões de pessoas na Ucrânia irão precisar de proteção e auxílio, e mais de quatro milhões de refugiados poderão precisar de proteção e assistência nos próximos meses.

Para os que ficam para trás, seja para defender com o pouco que têm o seu país, seja porque é demasiado tarde para evacuar ou não têm mobilidade, como é o caso de idosos e pessoas com deficiências motoras, são forçados a procurar por refúgio no subsolo. O World Economic Forum cautela um país à beira de uma catástrofe humanitária, cujos ataques já atingiram variadas áreas residenciais, estratégicas como hospitais, e interromperam muitas cadeias de abastecimento.

Por todo o mundo, e também em Portugal, tem se assistido a uma onda de solidariedade e empatia para com o povo ucraniano. Segundo informação do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras foram aceites 4039 pedidos de proteção temporária. A iniciativa “Portugal for Ukraine”, com o objetivo de integrar os cidadãos ucranianos, dispensa a necessidade de visto e garante o acesso automático ao sistema Social, de Finanças, de Saúde e Segurança, bem como facilita a entrada no mercado de trabalho, com uma bolsa de alojamento e apoio humanitário.

Donativos poderão ser diretamente feitos às organizações:

Agência das Nações Unidas para Refugiados

UNICEF

Organização Internacional para as Migrações

Caso seja empregador, ou pretenda voluntariar-se e juntar-se à iniciativa “Portugal for Ukraine”, pode registar o seu interesse através do formulário de contacto.

Arquivado em:Notícias

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