Ao longo das próximas semanas, e com base no relatório “Global Plastics Outlook: Economic Drivers, Environmental Impacts and Policy” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, iremos desvendar os fatores que dão origem aos volumes excessivos do uso e desperdício de plástico, perceber os impactos que tem no ambiente, e apresentar tendências e inovações […]
Ao longo das próximas semanas, e com base no relatório “Global Plastics Outlook: Economic Drivers, Environmental Impacts and Policy” da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, iremos desvendar os fatores que dão origem aos volumes excessivos do uso e desperdício de plástico, perceber os impactos que tem no ambiente, e apresentar tendências e inovações que estimam um mundo mais sustentável.
O ciclo de vida dos plásticos está longe de ser circular, sendo que, acompanhado pelo crescimento da população global e aumento de rendimentos, impulsionou a produção, atingindo, em 2019, os 460 milhões de toneladas. Embora a Pandemia tenha reduzido ligeiramente o seu crescimento, as probabilidades apontam que recupere uma vez mais.
A pobre gestão dos resíduos de plástico em fim de vida representa uma das maiores ameaças à poluição, resultando em 22 milhões de toneladas de materiais plásticos em fuga para o ambiente no ano de 2019. Estima-se que existam 30 milhões de toneladas acumuladas no oceano, e 109 milhões de toneladas nos rios, que estão e irão impactar os ecossistemas aquáticos e terrestres nas próximas décadas, colocando pelo caminho em causa a integridade dos ambientes, e também a subsistência animal e humana.
O plástico não é um produto homogéneo, e inclui diferentes tipos de polímeros (compostos formados pela combinação de moléculas grandes, macromoléculas, e pequenas, monómetros, através de reações químicas), cada um com o seu tipo de reciclabilidade, tempo de vida, e risco para a saúde humana e ambiente.
O primeiro plástico a ser fabricado, de nome Parkesine, foi desenvolvido em meados do século XIX, e usado como impermeável de roupa e substituto sintético do marfim. Embora tenha sido o primeiro, a produção em grande escala e sem precedentes, ocorre em 1950, expandindo 230 vezes até aos dias de hoje.
A preocupação sobre os seus impactos surge na década de 70, momento em que os cientistas começam a observar plásticos no meio aquático. Uma publicação de 1987, “Plastics in the Ocean: More than a Litter Problem”, já anunciava o grande problema de que os detritos de plástico descartados afetavam os oceanos e o seu ecossistema e, consequentemente, estariam também presentes na cadeia alimentar, ar e fornecimento de água, podendo comprometer a saúde pública.
Todavia, e apesar dos avisos, a preocupação só atinge o público global no século XXI, devido ao foco mediático. Subitamente, “90,5%”, a percentagem de plástico que nunca passou por processo de reciclagem, passa, em 2018, a ser a estatística do ano da Royal Statistics Society. Desde então, países impõem restrições ao uso singular de plásticos, e surgiram iniciativas, como a “Osaka Blue Ocean Vision” da G20, que visa chegar a zero plásticos marinhos adicionais em 2050.
À medida que se torna cada vez mais difícil e dispendioso limpar estas partículas de plástico, cada vez menores, da natureza, é imprescindível consciencializarmo-nos sobre os seus impactos, procurarmos por soluções que não só reduzam o nosso consumo, como o tornem mais reciclável e responsável. Preservar a nossa Terra começa agora.


