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Leonor Wicke

Nova norma europeia vai abranger mais de 50 mil empresas

16 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

A Diretiva de Relato Corporativo de Sustentabilidade, CSRD (Corporate Sustainability Disclosure Directive), vai entrar em vigor já no ano fiscal de 2024, e visa empresas de interesse público, com mais de 500 trabalhadores. Na prática, o relato da informação não financeira na União Europeia (UE), tornar-se-á tão importante como o tradicional relato financeiro. 

A nova norma que vai abranger mais de 50 mil organizações, e é sustentada por 12 regras de sustentabilidade (ESRS), exige às empresas a recolha, processamento e publicação de uma variedade de dados e informações que consideram as implicações da sua atividade em vários tópicos, tais como alterações climáticas, conduta empresarial, utilização de recursos, poluição e biodiversidade.  

Segundo informação divulgada pela PwC, para além de uma nova obrigação de relato, a diretiva é também uma ocasião para os líderes compreenderem melhor como a Sustentabilidade pode desafiar os modelos de negócios e criar oportunidades de crescimento e reinvenção. 

 

CSRD nas empresas portuguesas

No primeiro semestre de 2024, a PwC realizou um inquérito junto de cerca de 550 executivos e líderes, em 38 países, com a participação de 32 empresas em Portugal.   

O Global CSRD Survey mostra que as empresas estão a começar a considerar a diretiva como um potenciador de crescimento: 15% dos participantes portugueses (29% a nível global) espera que a implementação da CSRD conduza diretamente a um aumento das receitas, e 25% (26% a nível global) acreditam que a diretiva trará uma redução de custos. ​ 

Para as empresas portuguesas, a comunicação à luz da norma CSRD trará benefícios para o negócio, mesmo com os vários desafios que a maioria ainda tem pela frente. Cerca de três quartos das empresas que se preparam para reportar de acordo com a diretiva, incluindo aquelas com sede fora da UE, afirmam que estão a considerar a sustentabilidade de forma mais intensa na sua tomada de decisões.  

Em Portugal, as empresas veem benefícios empresariais decorrentes da CSRD, incluindo maior mitigação de riscos e um modelo de governo interno mais eficaz.​ E cerca de 41% estão confiantes na sua capacidade de reportar a informação no âmbito CSRD. Menos de metade das empresas portuguesas estão confiantes no cumprimento da CSRD, ao abrigo da nova legislação da União Europeia já em vigor.   ​ 

Os resultados obtidos em Portugal mostram que as empresas estão conscientes da importância da sustentabilidade e da Diretiva CSRD. Precisam de mais informação e meios para cumprir todas as exigências regulatórias, mas este passo será positivo para a transição para uma economia mais sustentável e resiliente.

Cláudia Coelho, Sustainability and Climate Change Partner, PwC Portugal 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Pelo direito ao vento nos cabelos: combater a solidão num passeio de bicicleta

16 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

«Quem diria que aos 80 anos ia andar de bicicleta pela primeira vez?». Foi sob este mote que Margarida Guedes de Quinhones conduziu um riquexó (trishaw) pelo palco do Salão Preto e Prata, na Leadership Summit Portugal. A bordo trouxe uma voluntária e uma beneficiária idosa e partilhou o projeto que combate o isolamento de idosos.

A Diretora Executiva da Associação Pedalar Sem Idade é o rosto do movimento Pelo Direito ao Vento nos Cabelos, um ramo português do projeto solidário internacional Cycling without Age, cuja missão é combater a solidão não desejada e o isolamento da população sénior.

Em Portugal, o segundo país mais envelhecido da Europa, a Associação já faz dois mil passeios por ano e conta com cerca de 400 voluntários.

Envolver a comunidade para combater um grande flagelo da sociedade portuguesa

Até assumir estas funções, Margarida não gostava de andar de bicicleta e confessa que muitos idosos sentem alguma reticência em aderir ao programa.

«Ser velha em Portugal não é o mesmo que ser velha na Dinamarca, onde a bicicleta é um elemento natural desde que se é pequenino. Portanto, para uma dinamarquesa com 90 anos, andar de bicicleta é uma coisa muito natural. Aqui ainda há o estigma da vergonha», explica.

Atualmente, dois milhões e meio de portugueses têm mais de 65 anos, o que corresponde a 25% da população. Cerca de 70 mil vivem em lares, mas o que mais preocupa a CEO é o um milhão de portugueses que vivem com uma pensão inferior a 500 euros. «Não chega apenas pensar nas respostas, é preciso arregaçar as mangas», refere.

O ambiente vivido entre voluntário e idoso é «de igual para igual», onde o momento partilhado permite não só sair de casa, mas também conversar. «Viver sozinho significa viver isolado», mas estes passeios permitem combater a solidão e envolver a comunidade.

Os pilotos voluntários dão o seu tempo e alguma força das suas pernas (apesar dos riquexós terem apoio elétrico), para devolver este direito ao vento nos cabelos. Esta «redução das desigualdades» permite devolver também o direito de escolhas da própria vida.

O projeto começou em Lisboa, em 2021, e desde então não parou de crescer, com os passeios a chegar a quase duas mil pessoas. Também alguns voluntários encontram companhia, numa era onde a solidão e problemas de saúde mental não escolhe idades. «As pessoas, de facto, sentem-se valorizadas e integradas com os passeios», refere Margarida Guedes de Quinhones.

Veja a Talk completa aqui: 

Margarida Guedes de Quinhones – Pelo Direito ao Vento nos Cabelos

 

Tenha acesso à galeria de imagens aqui.

Assista a todos os momentos, on demand, na Líder TV em www.lidertv.pt, na posição 165 do MEO e 560 da NOS.

Arquivado em:Notícias, Responsabilidade Social

A idade da reforma reinventada

16 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Uma pessoa em Portugal pode viver, em média, até aos 84,3 anos. Em 2022, a idade média da população em Portugal fixou-se nos 46,8 anos, a segunda mais elevada entre os 27 Estados-membros da União Europeia (UE), tendo sido a que mais aumentou nos últimos 10 anos, segundo a Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da UE. A população com 80 anos ou mais na UE duplicará de 30 milhões de pessoas em 2019, para 62 milhões de pessoas em 2050. 

Significa que temos o potencial de viver 20 anos de vida ativa após a idade da reforma, que importa antecipar e planear com cuidado. É paradoxal prepararmos as cidades apenas para os nómadas digitais, cuja faixa etária representará cada vez mais apenas uma franja da população, negligenciando a maioria. 

O conceito de cidades pensadas para aposentados, também conhecidas como comunidades de reformados, está a crescer de popularidade na Europa. São projetadas para fornecer um ambiente confortável, seguro, com envolvência social que atenda às necessidades e preferências exclusivas dos mais velhos. A ideia de idosos isolados, inativos e incomunicáveis, segregados em lares, é social e humanamente incorreta.  O novo conceito de comunidade tem de evoluir para atender às necessidades de uma nova geração de aposentados com expectativas e prioridades diferentes e baseia-se em quatro eixos essenciais: 

Comunidades Sustentáveis com um foco cada vez maior na sustentabilidade ambiental; este conceito deve incorporar tecnologias e práticas amigas do ambiente, como painéis solares, reciclagem de água pluvial e edifícios com eficiência energética. Essas comunidades não são apenas ecologicamente corretas, mas também ajudam os residentes a economizar nos custos de serviços públicos e reduzir a pegada de carbono. 

Comunidades intergeracionais que reúnem pessoas de diferentes idades e origens, oferecendo oportunidades de interação social, aprendizagem e apoio mútuos. Esta organização oferece um senso de propósito para os mais velhos, cuja experiência pode orientar os residentes mais jovens e contribuir para a comunidade de formas significativas e úteis. 

Comunidades capacitadas para tecnologia que contribuem para a qualidade de vida de seus residentes. Alguns projetos piloto usam a realidade virtual para criar experiências imersivas e ajudar os mais velhos a manterem-se ligados ao mundo exterior. Ou reduzindo o isolamento social, permitindo criar grupos virtuais com base em afinidades culturais, artísticas ou académicas. Pode ainda incorporar-se a tecnologia de casa inteligente para ajudar os residentes nas tarefas diárias, como controlar as luzes, ajustar o termostato, criar alertas médicos ou fazer pedidos de compras online. 

Comunidades nas quais a saúde, segurança e bem-estar são uma prioridade. A mobilidade e autonomia são incorporadas no design de espaços e edifícios que oferecem segurança e conforto adaptados aos mais velhos. Neste conceito, há acesso a uma variedade de serviços de saúde e bem-estar, como aulas de ginástica, aconselhamento nutricional e assistência médica. É dada ênfase à vida saudável e incentivo aos residentes para manterem um estilo de vida ativo e independente, mas seguro. 

Este novo conceito de cidade oferece uma variedade de opções para os mais velhos que desejem viver a pós-reforma com conforto, segurança e saúde. E também estilo, claro.

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

 

Arquivado em:Notícias, Sustentabilidade

Perigos da Moralização do Amor ao Trabalho

16 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Amar o trabalho resulta em vários benefícios. Quando amamos o que fazemos, experienciamos mais satisfação. Somos mais desejosos de aprender. Empenhamo-nos mais nas tarefas e somos mais perseverantes, o que aumenta as probabilidades de sermos bem-sucedidos e, desse modo, progredirmos em termos remuneratórios e de carreira. Somos porventura mais apreciados por colegas e superiores, o que nos permite aceder a condições vedadas a quem não ama o trabalho. Todavia, este resultado virtuoso pode vir acompanhado de “efeitos colaterais” danosos. A pessoa amante do trabalho negligencia outras facetas importantes da sua vida, inclusive a dimensão pessoal e a familiar. Absorta pelo trabalho, pode descurar a saúde e desenvolver burnout. Entusiasmada pelo que faz, ignora outras oportunidades que poderiam conduzir a melhor salário e mais bem-sucedida carreira. A pessoa pode ainda ser alvo do comportamento oportunista e manipulador da empresa – que procura entusiasmá-la com o “salário emocional” (resultante da paixão que o trabalho suscita) em detrimento do salário substantivo.   

Investigação recente acrescenta a estes riscos o perigo resultante da moralização do amor ao trabalho. Por moralização entenda-se a atribuição de elevado valor moral ao amor ao trabalho, e a concomitante desvalorização moral do desamor. Essa moralização é perigosa. Podemos sentir-nos culpados por não amarmos o nosso trabalho. Tornamo-nos “romanticamente” obcecados com a busca daquele outro trabalho que esperamos nos apaixone. A realidade, porém, é mais complexa do que os nossos desejos idealizados supõem. A idealização pode conduzir-nos, durante anos a fio, a uma busca incessante dessa paixão. Saltamos de empresa em empresa em busca do trabalho ideal – que, porventura, jamais encontramos. Sentimo-nos frustrados. Pelo caminho, desperdiçamos oportunidades que poderiam facultar-nos uma vida mais confortável e realizada. 

A moralização do amor ao trabalho também pode conduzir à arrogância. Amantes do nosso trabalho, encaramo-nos como moralmente superiores e rotulamos negativamente pessoas que, embora empenhadas e competentes, não amam o que fazem. Ajudamos e partilhamos ideias e sugestões com quem é tão amante do trabalho como nós, mas escusamo-nos a apoiar os que desenvolvem com o trabalho uma relação que rotulamos de moralmente menos valiosa. Recusamos ou libertamo-nos de tarefas rotineiras que não nos apaixonam – transferindo-as para quem não ama o trabalho, assim gerando ou reforçando injustiças. Podemos discriminar pessoas que, tendo experienciado carências na infância e na juventude, são fortemente atraídas por recompensas materiais e estão dispostas a fazer grandes esforços para alcançarem bom desempenho e resultados – mesmo não amando o seu trabalho. 

As lideranças que moralizam o amor ao trabalho podem também cair em duas armadilhas. A primeira emerge em processos de seleção e promoção. Essas lideranças ficam mais atentas ao amor ao trabalho que o/a candidato/a denota do que às respetivas capacidades, competências e dedicação. Ficam mais vulneráveis à manipulação por candidato/as exímio/as na gestão de impressões. Sejamos claros: amar o trabalho não é sinónimo de ser competente. Pessoas há que adoram papeis e funções para as quais não estão preparadas ou capacitadas. Essas pessoas, obcecadas em fazer o que amam, poderão recusar-se a realizar tarefas que detestam – mas que são necessárias. A segunda armadilha resulta da concretização de uma “profecia”. Um/a líder que moraliza o amor ao trabalho “investe” mais em liderados que revelam esse amor. É provável, pois, que faculte mais condições, recursos e apoio aos liderados que amam o trabalho do que aos restantes. Esse tratamento “privilegiado” traduz-se, naturalmente, em melhores resultados do que os alcançados por quem não ama o trabalho. Mas essas diferenças de desempenho estão mais radicadas no tratamento diferenciado adotado pela liderança que no amor ou desamor ao trabalho dos liderados.  

Não é meu intuito diabolizar o amor ao trabalho. Pelo contrário – ser amante do trabalho pode acarretar benefícios materiais, emocionais e relacionais. Numa sociedade em que a maioria das pessoas está intrinsecamente motivada e empenhada no trabalho, a produtividade aumenta e a economia prospera. O que pretendo sublinhar, pois, é o rol de armadilhas emergentes da moralização do amor ao trabalho. Eu próprio, que adoro o meu trabalho, já padeci de efeitos colaterais nocivos. Acresce que, para fazer o que amo, tenho de realizar tarefas e lidar com experiências que detesto. Se não estiver disposto a lidar com esta dimensão desagradável, não poderei fruir daqueles prazeres do meu trabalho. Alguma prudência é, pois, necessária para que as modas da gestão não sejam abraçadas romântica e acriticamente.  

Arquivado em:Leading Opinion, Opinião

Da importância da solitude num mundo ruidoso

16 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Refletindo sobre os últimos cinco a 10 anos (2014-2024), se eu ou qualquer pessoa que tenha observado os acontecimentos mundiais durante este período fosse escolher palavras que definam o que testemunhámos, a lista provavelmente incluiria: Crimeia, Imigração, Brexit, COVID-19, Zeitenwende (um termo ale[1]mão que significa um ponto de viragem na História), «Era da Fervura Global…» e Polycrisis. Se alargássemos a nossa reflexão aos 10 anos anteriores (2004-2024), a lista provavelmente expandir-se-ia significativamente. O número esmagador de desafios, novos e persistentes, é evidente.

Se este artigo fosse um ensaio académico sobre o estado do Mundo hoje, algumas das palavras-chave que certamente destacaria seriam: Necessidades, Silêncio, Verdade, Escutar, Reflexão, Natureza, Líderes, Liderança, Humanidade, Escolha, Mundo Ruidoso, História, Pensamento Crítico e Opinião Pública. Estes termos encapsulam o que acredito estar em jogo atualmente e destacam aquilo que precisamos priorizar ou reconsiderar enquanto enfrentamos os maiores desafios dos nossos dias. Mas a verdadeira questão é: será que estamos prontos para enfrentar os desafios de hoje?

Antes de responder a essa pergunta, é essencial considerar se temos estado a ouvir ativamente. Temos prestado atenção ao que a Natureza tenta comunicar através dos desastres naturais, cada vez mais frequentes e severos, que testam a nossa preparação e infraestruturas? Temos levado a sério as crises humanitárias em todo o Mundo, que têm o potencial de desencadear conflitos e espalhar-se globalmente, afetando-nos a todos? E temos refletido sobre o paradoxo da nossa geração – uma com acesso sem precedentes à informação, mas também uma que é, paradoxalmente, a mais desinformada? Estas são apenas algumas das questões prementes que requerem a nossa atenção. Precisamos dissecá-las e pensar criticamente sobre elas, se quisermos superá-las. No entanto, alcançar esse nível de compreensão exige solitude – um tempo dedicado à introspeção. No mundo digital de hoje, a solitude quase se tornou uma utopia.

As distrações são omnipresentes, tornando a concentração cada vez mais difícil, se não impossível. No entanto, encontrar tempo para estar em silêncio e ouvir é crucial. É nestes momentos de reflexão silenciosa que podemos aprender com a história, sobre liderança e os desafios estratégicos que grandes líderes do passado enfrentaram.

A história ensina-nos que grandes líderes são muitas vezes moldados pelas circunstâncias. No entanto, embora as circunstâncias possam apresentar oportunidades, os líderes só prosperam quando se prepararam para os desafios que surgem. Esta preparação é um processo contínuo e exigente que requer disciplina, foco e um sentido claro de propósito. Liderança não se trata apenas de estar à altura das circunstâncias; trata-se de trabalhar consistentemente em si mesmo, aprimorando as suas habilidades e estando pronto para agir quando o momento o exigir.

Isso não significa que todos os que cultivam essas qualidades se tornarão líderes de uma nação, de uma corporação ou de uma ONG internacional encarregada de enfrentar questões globais. Significa que aqueles que o rodeiam reconhecerão que podem confiar em si. As suas habilidades e prontidão para abordar colaborativamente desafios comuns na sua equipa, comunidade, país e no mundo serão evidentes. Grandes líderes muitas vezes inspiram liderança distribuída, encorajando cada membro da equipa a tomar a iniciativa e a contribuir. Para que isso aconteça, os líderes precisam de confiar na sua equipa, e essa confiança é construída com base em competência, fiabilidade e propósito compartilhado.

Portanto, ouçamos mais do que falamos e tenhamos sempre o contexto histórico em mente ao pensar em soluções para os desafios de hoje. Confiemos mais na Ciência e esforcemo-nos para tomar decisões informadas no nosso dia a dia. Sejamos a geração que beneficia das inovações digitais, em vez de ser perturbada por elas. Tomemos a dianteira na construção do futuro que desejamos para nós mesmos, enquanto preparamos as bases para as gerações futuras.

Em conclusão, a liderança que o nosso Mundo precisa hoje não se resume a exercer autoridade, mas a criar um ambiente onde o pensamento crítico, a tomada de decisões informada e a colaboração prosperem. À medida que navegamos pelas complexidades dos desafios modernos – desde crises globais a disrupções digitais – é essencial que cultivemos a capacidade de ouvir, refletir e agir com propósito. Ao abraçar a solitude para ler, refletir e aprender com a história, podemos estar à altura da ocasião, inspirar os outros e liderar com uma visão que beneficia não apenas a nossa geração, mas também as que se seguem.

Este artigo faz parte da edição de outono da revista Líder, com o tema Humanity is Calling – Be Silent, Decide with Truth. Subscreva a Líder aqui.

Arquivado em:Opinião

Identidade profissional ou pessoal? Eis a questão

15 Outubro, 2024 by Leonor Wicke

Imediatamente após perguntarmos o nome a alguém que acabamos de conhecer, usualmente segue-se sempre: «E o que fazes?». A nossa identidade é raras vezes desassociada do lado profissional, transformando o sucesso num fator chave daquilo que somos. Se não somos bons no nosso ofício, quem somos?

«Isso retira-nos as coisas realmente importantes que temos na vida. Para aqueles que veem na sua identidade um profissional bem-sucedido – especificamente bem-sucedido – torna-se uma identidade baseada no medo», afirma Arthur C. Brooks, professor da Harvard Business School.

Fonte: Instagram Arthur C. Brooks

Estes medos de falhar no trabalho, apesar de normais, não devem dominar a autoperceção individual, correndo o risco de criar «comportamentos pouco saudáveis» e originar uma identidade «despojada e vazia».

Numa entrevista à Harvard Business Review, o académico referiu que recebe abordagens de várias pessoas que temem desesperadamente a morte da sua identidade de pessoa de sucesso. Como solução, Brooks recomenda um exercício baseado numa meditação budista.

«Devem passar por esta meditação Maranasati da morte, dividida em nove partes, onde contemplam diferentes fases de um corpo humano, inclusivamente em diferentes estados de decomposição. Dizem: “Sou eu, vou ser eu. Sou eu. Porquê?” Porque estão a expor-se à verdade da sua própria mortalidade, de tal forma que podem transcendê-la e estar completamente vivos neste momento. Percebem como isso é saudável?», explicou.

Esta exposição à realidade, nua e crua, traz a realização de que, independentemente do nível de sucesso ou estrato social, seremos todos iguais na morte. Esse acontecimento universal e talvez o mais previsível de todos é a chave para relativizar o presente.

Isto não vai durar para sempre. E temos de nos sentir confortáveis com isso, para podermos estar plenamente vivos e envolvidos no que se passa na nossa vida.

Arthur C. Brooks recomenda um exercício dividido em nove partes, que sintetiza um worst case scenario, começando num sentimento de insegurança no trabalho, seguido de todas as fases que completam o hipotético despedimento e reforma. «Na maioria dos dias, nem sequer penso no que costumava fazer. Nesta altura, estou apenas a viver uma vida diferente», explica, referindo-se ao último passo do exercício.

Normalizar este pensamento retira o peso deste “falhanço”, que é apenas na realidade algo comum. «Façam isto durante três semanas e vão ser pessoas diferentes. Já não terão medo de que estas coisas vos aconteçam, porque elas já vos terão acontecido na vossa mente. Terão acontecido no vosso coração», acrescenta.

Arquivado em:Notícias, Saúde, Trabalho

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