A Diretiva de Relato Corporativo de Sustentabilidade, CSRD (Corporate Sustainability Disclosure Directive), vai entrar em vigor já no ano fiscal de 2024, e visa empresas de interesse público, com mais de 500 trabalhadores. Na prática, o relato da informação não financeira na União Europeia (UE), tornar-se-á tão importante como o tradicional relato financeiro.
A nova norma que vai abranger mais de 50 mil organizações, e é sustentada por 12 regras de sustentabilidade (ESRS), exige às empresas a recolha, processamento e publicação de uma variedade de dados e informações que consideram as implicações da sua atividade em vários tópicos, tais como alterações climáticas, conduta empresarial, utilização de recursos, poluição e biodiversidade.
Segundo informação divulgada pela PwC, para além de uma nova obrigação de relato, a diretiva é também uma ocasião para os líderes compreenderem melhor como a Sustentabilidade pode desafiar os modelos de negócios e criar oportunidades de crescimento e reinvenção.
CSRD nas empresas portuguesas
No primeiro semestre de 2024, a PwC realizou um inquérito junto de cerca de 550 executivos e líderes, em 38 países, com a participação de 32 empresas em Portugal.
O Global CSRD Survey mostra que as empresas estão a começar a considerar a diretiva como um potenciador de crescimento: 15% dos participantes portugueses (29% a nível global) espera que a implementação da CSRD conduza diretamente a um aumento das receitas, e 25% (26% a nível global) acreditam que a diretiva trará uma redução de custos.
Para as empresas portuguesas, a comunicação à luz da norma CSRD trará benefícios para o negócio, mesmo com os vários desafios que a maioria ainda tem pela frente. Cerca de três quartos das empresas que se preparam para reportar de acordo com a diretiva, incluindo aquelas com sede fora da UE, afirmam que estão a considerar a sustentabilidade de forma mais intensa na sua tomada de decisões.
Em Portugal, as empresas veem benefícios empresariais decorrentes da CSRD, incluindo maior mitigação de riscos e um modelo de governo interno mais eficaz. E cerca de 41% estão confiantes na sua capacidade de reportar a informação no âmbito CSRD. Menos de metade das empresas portuguesas estão confiantes no cumprimento da CSRD, ao abrigo da nova legislação da União Europeia já em vigor.
Os resultados obtidos em Portugal mostram que as empresas estão conscientes da importância da sustentabilidade e da Diretiva CSRD. Precisam de mais informação e meios para cumprir todas as exigências regulatórias, mas este passo será positivo para a transição para uma economia mais sustentável e resiliente.
Cláudia Coelho, Sustainability and Climate Change Partner, PwC Portugal



