As populações indígenas, mais do que ninguém, conhecem o equilíbrio ecológico e protegem a natureza, bem como os seus ecossistemas. O que podem as lideranças aprender com estas comunidades?
Mariana Marques, CEO da Azimuth World Foundation, explicou estas questões na talk “Indígenas Líderes da Humanidade, Ecologia e Natureza”, que serviu como um grito de alerta para «um povo que é o mais impactado pelas alterações climáticas, e o menos responsável por isso». «Juntamente com o impacto da indústria do minério, do gado e das madeiras, os seus territórios são constantemente atacados e massacrados», acrescenta.

Construir a liderança em conjunto com as comunidades
Os exemplos de três comunidades indígenas – Endorois, Cofán e Batwa – servem de base para a explicação de Mariana Marques. «[A população indígena] deve ser aceite pela sua própria diversidade e pluralidade», defende.
Nós trabalhamos de forma a ser facilitadores entre este mundo indígena e o mundo não indígena, para que a humanidade em conjunto lute por estes direitos.
O trabalho da Azimuth World Foundation foca-se em servir estas comunidades e «descolonizar a filantropia». As comunidades chegam até à fundação e têm um papel ativo, idealizando e pensando os projetos. «Nós focamo-nos muito neste diálogo. Felizmente, as comunidades convidam-nos para ver os projetos, para fazermos parte», explica a CEO.
Um dos grandes fatores de ser líder e da liderança é ouvir.
Mariana Marques refere que, a par das alterações climáticas que têm assolado as populações indígenas, o turismo massificado tem-nas afastado das suas florestas. «A esperança média de vida de uma pessoa que vive na região de Batwa, é só de 29 anos. Eles não têm acesso à sua farmácia – a floresta – então esta comunidade, que fazia os seus curativos e conhecia exatamente as plantas certas para um determinado número de doenças, deixou de ter esse acesso», explica.
Já os Cofán, que vivem na zona equatorial da Amazónia, podem ser considerados como os «verdadeiros heróis climáticos», uma vez que «têm feito um trabalho fenomenal na proteção dos territórios daquela zona», que possui um dos níveis mais elevados de biodiversidade do planeta.
Apesar de habitarem em locais remotos e específicos do planeta, os indígenas têm tido um impacto enorme em termos globais na questão da conservação da biodiversidade e diminuição do impacto das alterações climáticas. «É um trabalho diário de gestão de floresta a que não estamos habituados, com uma integração holística da natureza e da preservação das espécies», explica Mariana Marques.
Conhecer os ideais e modus vivendi destas populações pode transcrever-se para o tecido laboral, relativamente à importância de ouvir o outro e integrá-lo nos meios de decisão. «O líder tem de estar na base e ouvir as pessoas», conclui.
Assista à talk completa aqui:
Mariana Marques – Indígenas Líderes da Humanidade, Ecologia e Natureza
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Imagem destaque: Azimuth World Foundation



